Pico de mortes era esperado, mas governo não atuou, diz especialista

O novo pico da pandemia observado a partir de março de 2021 já era previsto pelos especialistas, mas o governo não se preparou como poderia com base em conhecimentos científicos. A opinião é do professor do Departamento de Estatística da UFF (Universidade Federal Fluminense), Márcio Watanabe.

O aumento de casos em março no Brasil e em outros países da América Latina era esperado. O poder público poderia ter planejado um aumento nos estoques de oxigênio e na disponibilidade de leitos para internação, por exemplo. Também poderia ter se adiantado no sentido de um distanciamento mais efetivo que não atrapalhasse tanto a economia”, afirma.

Ele conduziu uma pesquisa que mostra que a covid-19 segue padrões de sazonalidade já observados anteriormente em outras doenças infectocontagiosas. O conceito ajudou os especialistas a preverem o recrudescimento da pandemia em certos períodos do ano. Eis a íntegra, em inglês (854 KB).

A sazonalidade é um efeito conhecido das doenças infecciosas. Existe um padrão na transmissão ao longo do ano, uma época do ano em que a doença se espalha com mais facilidade e outro período em que a transmissão é mais baixa. Esses padrões sazonais se repetem para a covid-19”, explica.

Para o pesquisador, entretanto, um dos fatores que pode ter atrapalhado a adoção de medidas mais eficazes é a quantidade de pesquisas científicas e projeções a respeito da pandemia. “A gente tem centenas de estudos publicados todos os dias, então acredito que às vezes é difícil para o poder público do mundo inteiro, inclusive para a OMS (Organização Mundial da Saúde), separar quais artigos eles devam usar para se orientar”, pontua.

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