PF conclui que dados dos celulares de Daniel Silveira não foram integralmente periciados

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) em sessão na Câmara

BRASÍLIA – A Polícia Federal concluiu que o conteúdo dos celulares apreendidos com o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) não foi integralmente analisado, e que “há indícios de que não foram encaminhados para a perícia todos os dados disponibilizados pela Apple e pela empresa responsável pelo WhatsApp”.

O relatório da PF foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura fatos ocorridos durante a prisão do parlamentar bolsonarista em 16 de fevereiro. Os dois aparelhos foram encontrados na sala onde o deputado estava detido na superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, o que é proibido.

Diante da conclusão de que o material presente nos celulares não foi totalmente analisado, a Polícia Federal pediu ao ministro a prorrogação de 60 dias na investigação — o que foi autorizado por Moraes no último dia 27.

Segundo a corporação, os telefones não puderam ser acessados fisicamente pelo fato de o sistema desbloqueador de senhas usado pelos policiais não ser compatível com o modelo de celular usado pelo deputado, um IPhone 11 Pro. Por isso, os dados precisaram ser obtidos por meio da nuvem.

A PF diz, contudo, que “somente 2 MB foram extraídos do Iphone de Daniel, quando o iCloud Backup, o serviço de “nuvem” da Apple, mostrava a existência de 1,8 GB”. Além disso, os investigadores dizem que o link que permitia acesso aos dados expirou, “não estando disponíveis para fazer a extração integral”.

E o que estavam na nuvem, de acordo com os investigadores, não se mostrou relevante. “Foi realizada a análise com os dados recebidos e não foi identificado qualquer material relevante para a investigação”, afirmam. Do material obtido, apenas um arsenal de imagens de perfil — 169, ao todo — , a maior parte delas de Jair Bolsonaro, bandeiras do Brasil e da logo do PSL.

Além de solicitar mais tempo para as investigações, a PF ainda encaminhou novos ofícios à Apple e ao Facebook, para ter acesso a um novo link de extração dos dados. Silveira já foi denunciado por ter gravado um vídeo com graves ofensas aos ministros do STF e se tornou réu no mês passado nesse caso.

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