“Passou o tempo de golpes”, diz Barroso sobre voto impresso

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, disse que não há lugar na democracia brasileira para a “não aceitação dos resultados legítimos das urnas”.

Em entrevista ao jornal O Globo publicada neste domingo (30.mai.2021), o ministro defendeu o sistema eletrônico de votação. Disse que já “passou o tempo de golpes, quarteladas, quebras da legalidade constitucional. Ganhou, leva. Perdeu, vai embora”.

O ministro citou o exemplo do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que “esperneou muito, mas está na Flórida, não em Washington”. O republicano, depois de perder as eleições nos Estados Unidos para Joe Biden, entrou com diversos recursos na Justiça argumentando que o pleito foi fraudado.

A confiabilidade da urna eletrônica foi já posta em causa pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, que dizem defender o “voto auditável”.

Barroso, no entanto, afirmou que a votação por meio de urnas eletrônicas já é auditável “do primeiro ao último passo”.

O ministro disse considerar que “a principal razão da desconfiança é o desconhecimento de como o sistema é seguro, transparente e auditável”. Ele explicou que é possível a recontagem dos votos tanto pelo boletim de urna impresso ao final da votação quanto pelo Registro Digital do Voto.

A urna eletrônica possui um arquivo que funciona como a velha urna de lona, armazenando todos os votos, sem a identificação do eleitor, naturalmente. Esse registro possibilita a recuperação dos votos para sua recontagem eletrônica”, falou Barroso.

O voto impresso é avaliado no Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) instalou em 13 de maio a comissão para analisar a PEC 135/19, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF). O texto prevê a impressão de cédulas em papel na votação e na apuração de eleições, plebiscitos e referendos no Brasil.

Bolsonaro não apresentou provas para corroborar a desconfiança ao sistema eleitoral brasileiro. Mas chegou a dizer que “se não tiver voto impresso, é sinal que não vai ter eleição! Acho que o recado está dado”.

O chefe do Executivo ainda afirmou, também sem apresentar provas, que venceu a eleição de 2018 no 1º turno e que o pleito foi fraudado. Sobre isso, Barroso falou que o TSE trabalha “com fatos e provas, não com retórica política”.

Segundo ele, “nunca, desde a introdução das urnas em 1996, houve qualquer denúncia de fraude documentada e comprovada. Se alguém tiver qualquer prova nesse sentido, tem o dever cívico de apresentá-la”.

O voto em papel no Brasil, de acordo com o ministro, “sempre fez parte de trapaças, desvios e questionamentos”.

Parte das pessoas que defendem o voto impresso já fazem com antecedência o discurso do ‘se eu perder, houve fraude’. Nos Estados Unidos, aliás, o voto impresso não impediu esse tipo de alegação”, declarou.

Barroso afirmou ter certeza de que “o processo eleitoral é seguro e que vai proclamar quem efetivamente venceu. O resto é espuma e fumaça.”

O TSE sinalizou que, mesmo que a medida seja aprovada, não há tempo para implementá-la antes das eleições de 2022. Ao jornal, Barroso disse que o tribunal agirá em boa fé e fará “o possível” para colocar em prática o que for decidido. O ministro afirmou que o papel do TSE é “cumprir a Constituição e as leis vigentes no país”.

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