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Parentes de brasileiros residentes legais dos EUA reclamam da demora da emissão de vistos pelo consulado americano

Parentes de brasileiros que moram legalmente nos Estados Unidos reclamam da demora do consulado americano na emissão do visto que liberaria sua entrada naquele país.

Segundo eles, os chamados F2 – categoria de visto destinado aos cônjuges, filhos menores e adultos dos residentes permanentes legais (LPR) -, têm tido um processo muito mais demorado do que quem tenta outro tipo de visto.

O Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, responsável pela emissão dos vistos, admite a demora em função da pandemia e diz que espera liberar mais vistos para parentes de residentes legais permanentes nos próximos meses.

Casamento à distância

Aline Anunciato, de 36 anos, é uma das que está nessa espera. A especialista em finanças e administração tinha um visto de estudante quando conheceu o marido, Kael Teodorowicz, de 39 anos. Eles começaram a namorar e se casaram em julho de 2018.

“Como ele já trabalhava e morava nos EUA, já tinha visto de LPR. Fiquei mais um mês com ele depois do casamento e tive que voltar para o Brasil. Como meu esposo não é cidadão americano, não pude realizar o processo nos EUA, tive que vir e tentar o visto F2A, que contempla quem é casado com um LPR, mas até agora nada”, diz Aline.

Aline Anunciato e Kael: casamento à distância por causa do visto — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Aline Anunciato e Kael: casamento à distância por causa do visto — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Ela iniciou o processo ainda em 2018, mas depois veio a pandemia em 2019 e o fechamento das fronteiras dos países.

Em abril de 2020, o governo de Donald Trump suspendeu a concessão de vistos para imigrantes, o que só deixou de existir com a chegada do governo de Joe Biden em 2021. O retorno da emissão das permissões para entrar em solo americano começou em fevereiro deste ano, quando Aline achou que finalmente seria contemplada.

“Meu processo está encaminhado desde o dia 4 de junho, só esperando a marcação da entrevista. Mas até agora nada. Não tem previsão, a gente não consegue falar com o consulado. Somos a segunda categoria nas prioridades deles porque somos familiares”, diz.

Sem marido e sem trabalho

História parecida com a de Taciany Schasiepen, de 29 anos. Ela já namorava com Rodolfo Schasiepen, de 25 anos, antes dele se mudar para os Estados Unidos para trabalhar com o pai por lá. Como é filho de americano, o visto de Rodolfo saiu rápido, em 2018 mesmo, quando iniciou o processo, mas o de Taciany está desde abril de 2019 em andamento.

“Desde que a gente se casou, em fevereiro de 2019, nos vimos em janeiro de 2020 e nunca mais. Até tínhamos uma viagem marcada, mas como veio a pandemia, cancelamos tudo”, diz ela que, além de viver longe do marido, não consegue tocar sua vida profissional.

“Não consigo arrumar emprego, porque toda vez que falo da minha situação, as pessoas desistem de me contratar, pois ficam com medo de me chamar em um dia e eu ter que ir embora no outro. Nem consigo estudar, pois o que queria fazer aqui no Brasil, que é Ciências Contábeis, tem um currículo completamente diferente nos EUA. Eu teria que estudar tudo de novo lá para validar meu diploma”, diz ela que está com toda a documentação aprovada pelo consulado desde outubro de 2020.

Taciany diz ainda que faz parte de um grupo de whatsapp com mais de 30 pessoas, e que tem gente que espera pela entrevista no consulado para conseguir o visto há muito mais tempo.

“Se essas pessoas não foram chamadas ainda, não tenho esperança de que vão me chamar tão cedo”, diz.

Taciana e Rodolfo: mais um casal separado pela falta de visto — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Taciana e Rodolfo: mais um casal separado pela falta de visto — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Saudades do pai

Além de todos esses entraves, Michelle García Cruz, de 41 anos, vê ainda sua filha Melissa, de 6 anos, crescer longe do pai, o cubano Jorge Luiz Garcia Cruz, de 53 anos, que é um LPR nos EUA.

Michelle e Jorge se conheceram no Brasil quando ele trabalhava no programa Mais Médicos.

Eles moraram juntos, tiveram Melissa em 2015 e, no final de 2016, Jorge foi para os Estados Unidos. Em setembro de 2018, Michelle – já casada -, deu entrada em seu processo para imigrar. Com ajuda de advogados de uma ONG, ela ficou sabendo que a conclusão do processo deveria durar em média dois anos

O seu processo está aprovado desde novembro de 2020, mas a tão sonhada entrevista ainda não aconteceu. Nesse meio tempo, os consulados do mundo todo pararam de emitir vistos por causa do decreto de Trump, por causa da pandemia e lá se vão quase três anos separada do marido.

“Minha filha conviveu muito pouco com o pai. Ele não tem dinheiro para vir para cá toda hora e a gente não pode ir. Ela vive me perguntando onde está o papai, quando a gente vai encontrá-lo. No meio disso, vem a ansiedade, a depressão em ver o tempo passando e minha vida parada, sem saber o que fazer”, diz Michelle.

Michelle e Melissa: saudades do pai que está nos EUA — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Michelle e Melissa: saudades do pai que está nos EUA — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Consulado diz que pandemia impactou emissão de vistos

O Consulado dos Estados Unidos diz que a essas paradas atrasaram o processo, mas que eles já voltaram a emitir a todos os tipos de vistos. Informou ainda que prioriza as permissões para familiares de cidadãos americanos, adoções internacionais, noivo (a), bem como alguns tipos especiais de vistos de imigrante.

“As Embaixadas e Consulados dos EUA no Brasil estão trabalhando para retomar os serviços rotineiros de vistos de forma segura o mais rápido possível. No entanto, a pandemia continua impactando de forma significativa no número de vistos processados em nossa embaixada e consulados no Brasil e no exterior. Estamos fazendo esforços significativos, com recursos limitados, para retornar, com segurança, a carga de trabalho pré-pandêmico. Infelizmente, ainda não podemos fornecer uma data específica para quando os serviços de visto específicos ou quando o processamento de vistos retornará para o nível regular pré-Covid”, informou ao G1.

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