Pandemia, tufões e inundações agravaram crise alimentar na Coreia do Norte

Autoridades norte-coreanas visitam uma área agrícola no interior do país, em junho — Foto: KCNA/via Reuters

O líder norte-coreano Kim Jong-un admitiu que o país enfrenta uma “situação alimentar crítica”, informou a mídia estatal nesta quarta-feira (16). A Coreia do Norte, cuja economia sofre com os reflexos de várias sanções impostas em resposta aos seus programas militares contestados pela comunidade internacional, há muito tempo é atingida por uma grave escassez de alimentos.

No ano passado, a pandemia de coronavírus, bem como tufões e inundações, deterioraram ainda mais a frágil economia do país.

Em uma reunião plenária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, Kim disse que a situação econômica melhorou, com a produção industrial aumentando 2% em relação ao ano anterior, informou a agência oficial norte-coreana KCNA nesta quarta-feira.

O dirigente, porém, admitiu ter encontrado uma “série de dificuldades” devido a muitos “desafios” a serem vencidos. “A situação alimentar é crítica, já que o setor agrícola não conseguiu cumprir sua meta de produção de cereais devido aos danos causados ​​pelos tufões no ano passado”, disse Kim.

Desastres naturais agravaram a situação

Durante o verão de 2020 no Hemisfério Norte, milhares de casas e fazendas foram destruídas por tufões que foram acompanhados por inundações.

Kim pediu medidas para minimizar as consequências desses desastres naturais, dizendo que garantir “boas colheitas” era uma “prioridade”.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Durante esta reunião, a “situação duradoura” da pandemia do coronavírus foi discutida, de acordo com a KCNA.

A Coreia do Norte foi um dos primeiros países a impor rígidas restrições sanitárias, incluindo a decisão, desde muito cedo, de fechar as suas fronteiras e em particular com o vizinho chinês para evitar a propagação do coronavírus.

O regime afirmou também que a epidemia não atingiu o país, o que muitos especialistas duvidam.

Lembrança da grande fome da década de 1990

O comércio com Pequim, o principal aliado econômico e diplomático do regime, foi extremamente reduzido.

Esse isolamento em relação à China teve um alto custo econômico, tanto que Kim reconheceu em abril as dificuldades que seu país estava enfrentando. Assim, ele convocou seus assessores militares a “liderar uma nova ‘Marcha Forçada’, ainda mais dura, para ajudar a população a enfrentar as dificuldades”.

A “Marcha Forçada” é uma expressão usada na Coreia do Norte para se referir à grande fome da década de 1990 que deixou centenas de milhares de mortos, após a redução da ajuda de Moscou depois do colapso soviético.

É “muito provável” que a pandemia tenha “piorado” a situação humanitária no país, onde 10,6 milhões de pessoas passam necessidades, estimou recentemente o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).

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