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Paciente do Che Guevara, em Maricá, é incentivado à arte e melhora seu estado de saúde

A partir de uma ideia da equipe de Psicologia do Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara de criar um passatempo para pacientes, o paciente Fausto Beltrão, de 32 anos, há 19 dias internado com Covid-19, sendo 10 no Centro de Terapia Intensiva (CTI), começou a desenhar e escrever. O estudante de Paisagismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e morador de Maricá já tinha afinidades com as artes. Em 2017, venceu o prêmio Plumas e Penas como aderecista da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, com o trabalho para o enredo “Ivete do Rio ao Rio” – dedicado à cantora Ivete Sangalo. Fausto teve alta na quarta-feira (28).

“Os desenhos me ajudaram a sair da ansiedade e do medo. Escolhi desenhos complexos que tomassem mais tempo para me distrair da realidade dura de um hospital. Dei vários de presente para os profissionais que eu desenhava trabalhando. Tenho que agradecer muito por terem me dado lápis, caneta e papel para que a arte pudesse me fortalecer no meu processo de recuperação”, comenta Fausto, emocionado. O paciente pensa em escrever um livro sobre esse momento de sua vida e fazer uma exposição com os desenhos.

Para o subsecretário de Saúde e coordenador da Rede de Urgência e Emergência (RUE) da Secretaria de Saúde de Maricá, Marcelo Velho, é importante ressaltar o trabalho humanizado da rede: “Em tempos tão difíceis, histórias como a do Fausto são um alento. Humanizar os processos hospitalares, se não cura, agrega qualidade ao tratamento. No caso do Fausto a terapêutica humanizada renderá boas obras que irão além da sua recuperação”, observa Marcelo.

A responsável técnica da Psicologia do Che, Jaqueline Alcantara, explicou que o ambiente hospitalar, especialmente o de um CTI, devido à complexidade do atendimento prestado, bem como a estrutura física, o barulho, os equipamentos e a movimentação das pessoas, é tido como gerador de estresse para os paciente, que sofrem também com o isolamento e a ausência dos familiares.

“O ambiente desencadeia um turbilhão de sentimentos. O desenho é um recurso importante na compreensão do paciente, assim como é a expressão simbólica das angústias, medos e ansiedades”, afirma. “É um processo que contribui também na emersão de recursos psíquicos saudáveis, sendo uma ferramenta importante no tratamento, valioso para um acesso ao psiquismo do paciente, no entendimento da doença e suas repercussões, evidenciando melhora no quadro clínico e psíquico favorecendo a desospitalização”, acrescenta a psicóloga.

Nascido em Pernambuco e morador de Cordeirinho, há anos, Fausto deu entrada em 09/07 no Hospital Municipal Conde Modesto Leal (HMCML), com falta de ar, levado por amigos. O médico Felipe Mafort Rohen, rotina do CTI, acabou ficando próximo de Fausto. A arte aproximou a ambos. 

“Era mais um plantão noturno em um dos CTIs do hospital. Ele estava no leito nove e ao me aproximar para vê-lo, notei que mesmo desconfortável, dependente de alto fluxo de oxigênio e de máscara, estava compenetrado em um desenho”, conta Felipe.  “Usava a folha para abstrair do estado claustrofóbico, buscando na arte o fôlego que faltava aos pulmões, parecendo escapar do sofrimento com sensibilidade, com menos sedativos. Fausto conseguiu trabalhar medos e angústias com traços e sensibilidade, foi uma terapia não farmacológica particular”, relata o médico.

“Foi um momento muito difícil para todos, amigos e familiares. Eu passava todas as informações para a mãe dele em Pernambuco. Sabemos a gravidade dessa doença e contei com o apoio de todos no hospital, são equipes excelentes, voltadas para a humanização”, descreve a amiga Alessandra Mendes Cadilho. “O fato de se colocarem no lugar do outro faz uma grande diferença. O Fausto é uma pessoa iluminada e somos eternamente gratos por tudo que fizeram por ele”, disse.

Além de grato, o paciente sai do hospital, segundo ele mesmo, com uma nova habilidade, a da comunicação. “Eu era muito introspectivo, tinha vergonha de tudo. Já olho nos olhos das pessoas para falar e falo dos meus sentimentos. Recuperei minha gratidão e minha espiritualidade aqui dentro. Passar esse tempo aqui no hospital mudou minha forma de ser e de ver a vida. Muito eu devo a todos os profissionais que me atenderam”, finalizou.

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