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Operação da Polícia Civil mira ‘caixinha’ da maior facção do Rio

Os policiais chegam ao Complexo de Gericinó

A Polícia Civil do Rio desencadeou, na manhã desta terça-feira, uma megaoperação contra a maior facção criminosa de tráfico de drogas do Estado do Rio. A ação, comandada pela Delegacia Especializada em Armas, Munição e Explosivos (Desarme), tem como objetivo asfixiar a chamada “caixinha” da quadrilha — valor em dinheiro que é utilizado, entre outras funções, para financiar, dentro das cadeias, integrantes do grupo que se encontram presos.

As investigações tiveram início em maio 2019, quando Elton da Conceição, conhecido como “PQD da CDD” e apontado como armeiro do tráfico, foi preso em flagrante pela Polícia Militar. Na ocasião, ele estava com armas, munição, kits de limpeza de armamentos, equipamentos militares e diversas anotações de contabilidade da quadrilha.

A partir de dezenas de comprovantes de depósitos nominais em espécie que estavam com o criminoso, a polícia identificou uma rede de pessoas, a maioria parentes de bandidos, que era utilizada para repassar valores do tráfico aos presos da facção. Segundo a Polícia Civil, o esquema movimentou quase R$ 7 milhões ao longo dos últimos dois anos.

— Essa cúpula se beneficia desse dinheiro para a compra de armas e bancar guerras, familiares e amigos, como um verdadeiro fundo previdenciário. Hoje (terça-feira) vamos ouvir pessoas que estão presas e estão sendo investigadas. Visamos a identificar e individualizar as condutas de cada um — disse o delegado Gustavo Rodrigues Ribeiro, titular da Desarme.

O policial lembra que os depósitos eram feitos em uma lotérica da Cidade de Deus, comunidade na Zona Oeste do Rio, para presos e pessoas ligadas a esses criminosos. Segundo ele, esses valores beneficiavam criminosos desde o Norte Fluminense, passando pelas regiões Serrana e dos Lagos.

— É um fundo sistêmico e estadual e atinge todas as regiões do estado. Através de 44 contas correntes eles movimentaram R$ 7 milhões em dois anos. Identificamos 84 laranjas. Quarenta e quatro estavam presos e movimentavam essa quantia de dinheiro em benefício próprio.

Para o investigador, os criminosos foram se aprimorando ao longo do tempo na utilização de laranjas para a movimentação financeira.

— Antigamente eles usavam pessoas com procurações falsas, pessoas que tinham documentos frios e recebiam para emprestar seus nomes. Hoje, com aplicativos de internet bank, eles conseguem, apenas com uma chave de tokin, movimentar milhões. Hoje eles não precisam falsificar nada. Tudo é movimentado pelo celular. Com a quebra das contas correntes verificadas, além dos parentes, eles usavam pessoas mortas para habilitar os telefones celulares para habilitarem o tokin — destacou Gustavo.

Todos eles, beneficiados, pertencem à organização criminosa.

— Sempre as movimentações financeiras aconteciam em datas próximas às visitas. Apenas uma esposa de um traficante que pertence à facção, recebia R$ 7 mil para bancar seu luxo de primeira-dama — disse o delegado.

Entre os alvos mais importantes está o Marcelo Moreira Reis, o Marcelinho da CDD, que é um dos donos de uma área da Cidade de Deus, onde foram encontradas as anotações. A família dele era a mais beneficiada.

— Queremos entender e individualizar cada conduta — salienta Gustavo Ribeiro.

Todos os envolvidos estão sendo indiciados por associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

— Já são diversas fases e, ao final da investigação, queremos entender mais a movimentação dessa organização criminosa — completou o delegado.

A operação, batizada como “Caixinha S/A”, tem o apoio de agentes de outras unidades do Departamento Geral de Polícia Especializada (DPGE), como a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Além disso, como parte dos alvos encontra-se na prisão, também participarão da ação homens da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap).

Estão sendo realizadas diligências em sete unidades do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Os agentes também irão ao Presídio Tiago Teles, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do estado.

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