“Olho de Roger na arquibancada”, auxiliar explica parceria e detalha montagem tática do Fluminense

Os números positivos de Roger Machado no Fluminense, com 61,6% de aproveitamento e o time muito vivo nas oitavas de final da Libertadores e da Copa do Brasil, contam com o auxílio de um homem de confiança do treinador para ser os seus “olhos na arquibancada”. Contratado a pedido do técnico no Tricolor, James Freitas engata o seu terceiro trabalho com o comandante depois de passagens por Grêmio e Palmeiras. E o entrosamento da dupla pode ser mais um motivo de esperança para os tricolores em 2021.

James Freitas e Roger Machado voltaram a trabalhar juntos no Fluminense — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Gaúcho de São Lourenço do Sul, James foi técnico nas categorias de base por quase duas décadas até desbravar o profissional a partir de 2015. Ex-assistente de Lisca, Renato Gaúcho, Mano Menezes, Vagner Mancini e Dudamel, ele tem no currículo um bicampeonato da Copa do Brasil por Grêmio e Cruzeiro e um Mineiro com a Raposa. A parceria com Roger, que já dura seis anos entre idas e vindas, ainda busca o primeiro título juntos, mas sempre teve bons números: foram 58,8% de aproveitamento no Grêmio e 68,1% no Palmeiras.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Aos 52 anos e em sua primeira experiência no futebol carioca, James faz parte da comissão técnica trazida por Roger, que tem ainda o auxiliar Roberto Ribas e o analista de desempenho Jussan Anjolin Lara. Em entrevista ao ge, o homem de confiança do treinador explicou como funciona a parceria e como eles se dividem; detalhou a montagem tática do time e a busca por variações; esmiuçou a preparação para a vitória por 2 a 0 sobre o Cerro Porteño no Paraguai… Entre outros temas.

Confira o bate-papo:

Aos 52 anos, auxiliar vive sua 1ª experiência no futebol carioca — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Como começou essa parceria com o Roger Machado?

– Eu estava na comissão técnica permanente do Grêmio em 2015 quando o Roger foi contratado. Eu era treinador do sub-20 quando o Felipão pediu para se deligar do clube, subi para fazer um jogo e fui convidado pelo presidente para permanecer na comissão técnica permanente. E na sequência o Roger e o Roberto foram contratados. Minha parceria com eles começa desde então. Tocamos o ano de 2015, fizemos um bom Campeonato Brasileiro, classificamos para a Libertadores, com um orçamento bem enxuto, com muitos atletas da base. Alguns deles que tinham sido meus atletas no sub-20.

– Quando o Roger decide sair do Grêmio em 2016, eu permaneço na equipe, toco o trabalho com o Renato (Gaúcho) até o final de 2016. Em 2017, peço para ir para o Cruzeiro, vou trabalhar com o Mano Menezes. E em 2018 retomo a parceria com o Roger. Ele me faz o convite, e eu vou junto com ele e com o Roberto para o Palmeiras. Posterior a isso, retorno ao Cruzeiro em 2019, e agora em 2021 o Roger me fez o convite novamente para vir para o Fluminense.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

E como é trabalhar com o Roger? Ele é sempre calmo quanto aparenta nas entrevistas, ou vocês também se “bicam” às vezes?

– (Risos) Isso normal como qualquer parceria de trabalho. Tem alguns momentos que os assuntos são colocados em pauta, logicamente que nosso trabalho como comissão técnica é muitas vezes dar nossa opinião, e nem sempre a opinião é a mesma do treinador. A gente algumas vezes diverge, é natural dentro do processo, somos pessoas diferentes, faz parte do contexto.

– A gente tem que saber colocar nossa opinião para o chefe. Na realidade, a opinião que vai prevalecer sempre é a do treinador, ele é a cabeça pensante, é com ele que está praticamente a responsabilidade do trabalho. Nós somos o suporte, entender os contextos e momentos. Algumas vezes, mesmo a gente com uma opinião distinta, é o momento para gerar segurança para todo mundo. E para a equipe também é importante a concordância com o professor para que o trabalho tenha um bom andamento.

Roger com Roberto Ribas, Jussan Anjolin e James Freitas no Maracanã — Foto: Reprodução/Twitter Fluminense

Vocês criaram uma comissão técnica própria e já trabalham juntos há alguns anos, mas no Fluminense encontraram um auxiliar-técnico fixo que é o Marcão. Como tem sido na prática esse trabalho em conjunto?https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

– A gente já trabalhou assim em outros clubes. Um pouco diferente no Palmeiras, que não tinha o time B, a equipe de transição. Mas no Grêmio foi assim, e aqui no Fluminense tem sido. O Marcão é um excelente profissional que nos acolheu e dá todo suporte no dia a dia com as informações. Fez a gente poupar muito tempo de observação porque nos passou muitas informações extremamente importantes não só a respeitos dos atletas do profissional, mas também da equipe de transição. O Roger fala isso todo dia, não só o Marcão, ele tem o Ailton, Edvaldo, toda equipe do sub-23, o Cadu…

– A gente troca informações com eles constantemente. Toda vez que nós solicitamos um menino do sub-23, que faz um treinamento bom e nos chama atenção, trocamos ideia para saber qual é o momento, o comportamento, como o atleta responde as demandas não só do treinamento, mas de conduta, profissionalismo… Informações pertinentes para o trabalho, para que a gente seja o mais justo possível com todos dentro do processo.

E nas tarefas do dia a dia, como vocês se dividem?

– As funções estão bem distribuídas. O Roberto Ribas é o primeiro auxiliar, que fica no banco com o Roger, está no contato mais direto dentro do jogo. Eu, Marcão e Jussan, em conjunto com o Gabriel Oliveira, que é o analista de desempenho da comissão permanente do clube, somos o suporte que fica observando o jogo lá de cima. Temos uma comunicação imediata com o Roberto. No decorrer dos jogos, a gente vai trocando informações que dizem respeito aos dados estatísticos do jogo e também em relação ao que está acontecendo com o adversário e com a nossa equipe.

– Na nossa rotina, a gente fica marcando na linha do tempo do jogo as situações que julga serem pontuais. O Roger usa muito a imagem nos intervalos, então para isso se marca as imagens e escolhe as melhores ou as que reproduzem de forma mais fiel o que está acontecendo na partida. Chegam imagens relacionadas a nossa equipe, de coisas que estamos fazendo bem e tem que manter; como imagens em relação ao adversário, que está nos provocando alguma situação de dificuldade, ou que a gente precise corrigir uma ou outra situação tática para que a equipe volte melhor na segunda etapa.

“A gente fica trocando feedback em relação às trocas, ao que pode fazer ou precise fazer para conter uma determinada demanda que o adversário tenha alterado também. Nos 90, 98 minutos dos jogos, estamos em comunicação constante”.

Então o que vocês observam de cima, comunica na hora pelo rádio?

– Perfeito. Como a gente está observando de cima, está atento a todos detalhes. Jogador teve uma cãibra, já estamos trocando informação. Às vezes não é nada demais. Eles também estão vendo de baixo, trocando ideia com os jogadores mais diretamente. Da nossa parte é observar. O jogador caiu um pouco de rendimento, o adversário começou a entrar por um determinado lado, a gente já passa a informação: “Dá uma olhada no fulano, pode ser que precise fazer uma alteração porque já vazou uma, duas bolas”. Ou a gente está tendo uma facilidade, viu que o adversário sucumbiu em determinado setor e já avisa: “Vamos carregar em cima daquele lado que está melhor para a gente entrar”.

E já identificaram por que a maioria dos gols do Fluminense sai no segundo tempo?

– Acho que vai de encontro a uma estatística mundial, que as equipes começam a cair de rendimento. As defesas que no primeiro tempo foram mais sólidas, por estarem desempenhando melhor até fisicamente, acabam sucumbindo um pouquinho mais na reta final. E os gols saem com mais frequência no segundo tempo.

E como foi a preparação para enfrentar o Cerro Porteño, que não disputava um jogo oficial há bastante tempo e dificultava os estudos. Saiu tudo como planejado?

– Tínhamos algumas informações do término do Apertura. Como houve a parada em razão da Copa América, eles ficaram 45, 46 dias sem competir. Nesse período, o Cerro perdeu alguns jogadores importantes: o Arzamendia, lateral-esquerdo, foi negociado; o Cardozo machucou com a seleção (paraguaia). Também vieram outros atletas.

– A gente viu uma equipe com uma condição de competição. Talvez mais fresca para competir, mas consequentemente estava com menos ritmo de jogo. Por mais que se treine bem, jogador carece desse ritmo, faz parte também do processo de desenvolvimento das equipes. Sabíamos que era importante impor um ritmo forte para poder aproveitar esse momento de reinício deles.

“Acho que deu certo nossa estratégica, o time esteve muito bem focado para fechar os espaços do Cerro e aproveitar algumas situações. Tivemos uma noite muito boa, nosso time esteve inspirado, conseguiu render e aplicar dentro do jogo tudo aquilo que a gente desenvolveu a nível de treinamento”.

Roberto Ribas e James Freitas, os braços de Roger no Flu — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Por você já ter trabalhado no Guaraní, do Paraguai, em 2011, isso te ajudou de alguma forma a pensar no jogo contra o Cerro, outra equipe paraguaia?

– Eu vejo ao longo desse período uma mudança muito grande na forma de jogar das equipes paraguaias. Há 10 anos, o futebol paraguaio era um futebol muito mais defensivo do que hoje. As equipes, naquele período, eram todas com estatura, força… Privilegiavam e formavam jogadores com esse perfil. E eu penso que o Paraguai segue uma tendência mundial: o jogo mais leve, as equipes mais técnicas. Hoje a gente já vê os times paraguaios com manejo de bola no campo ofensivo, com jogadores mais rápidos, mais técnicos. Essa é uma tendência mundial. Eu vejo o futebol paraguaio muito mais próximo do que é o futebol brasileiro.

Vocês pouparam o time contra o Sport, e a equipe rendeu bastante contra o Cerro. Pretendem repetir a estratégia contra o Grêmio no sábado?

– Contra o Sport, julgamos que era necessário poder dar um refresco para alguns jogadores que vinham em uma sequência muito grande. E procuramos colocar aqueles atletas que julgamos estarem melhor para desempenhar. Contra o Grêmio, nós fizemos um treinamento hoje (quinta) pela manhã, os atletas se reapresentaram, e a gente ainda está colhendo informações em relação a parte fisiológica e médica para saber com quem vai poder contar.

– Amanhã (sexta) nós teremos um outro treinamento e um parecer mais próximo do que a gente vai poder fazer. A nossa ideia ir com força máxima, jogadores que possam competir. Se estiver com alguém que não esteja em condições de competir 100% no sábado, certamente faremos a opção por aquele que tem condições de entrar contra o Grêmio e dar seu 100%. Temos pensado jogo a jogo. Primeiro, contra o Grêmio, depois pensamos na volta contra o Cerro.

Falando um pouco da parte tática, vocês têm uma forma preferida de jogar em todos os trabalhos? No Fluminense, chama a atenção de sempre jogarem com pontas…

– No Grêmio tínhamos o Giuliano, que era um meia, fazia o lado direito, mas não jogávamos com ponta. Também não tínhamos a presença do centroavante, jogávamos com um falso 9, que era o Luan. E jogávamos com um meia articulador, o Douglas. Mesmo que a estrutura tática fosse um 4-4-2, o time variava bastante a forma de ocupar o campo de ataque. Fazia um lado direito de muita circulação, com bola no campo do adversário e de toques rápidos. Nosso lado esquerdo era um pouquinho mais agudo. Tínhamos o Marcelo Oliveira, que era nosso lateral, mas muitas vezes ele compunha a linha de volantes jogando mais por dentro, para deixar amplitude para o Pedro Rocha ou o Everton.

Roger e James Freitas começaram a trabalhar juntos no Grêmio — Foto: Lucas Uebel/ Divulgação Grêmio

– Já no Palmeiras, a gente jogava com dois volantes jogando lado a lado. Em um segundo momento, passamos a jogar com uma trinca no meio: m volante de centro e praticamente dois meias. Aí sim abrindo pontas: Willian Bigode de um lado, Dudu do outro, e Borja de centroavante. Às vezes, jogávamos com o Bigode como um 9 de profundidade, porque ele é um segundo atacante, não é bem um centroavante. Outras vezes usávamos o Lucas Lima pelo lado para dar um equilíbrio… Mas passamos a usar bem a estrutura de três no meio, uma trinca com um volante e dois meias.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

– São trabalhos distintos, mas o que a gente tem feito é aproveitar as características do grupo que a gente tem na mão. Aqui no Fluminense não foi diferente. A gente iniciou em uma determinada plataforma e foi alterando: utilizamos o 4-4-2 no início e passamos a usar o 4-3-3 em função de aproveitar o bom momento dos nossos pontas. O time quem define são os jogadores que se tem. A gente conversa bastante sobre isso, tem que aproveitar o melhor momento de cada um. Não estamos fechados em estrutura tática, não quer dizer que a gente não possa utilizar uma outra estrutura em um determinado momento.

A forma como o time mais encaixou foi a formação que encontraram contra o River na Argentina. Como foi esse debate para fazer aquelas mudanças em um jogo tão decisivo? Não temeram se “queimar” com a torcida em caso de eliminação?

– A gente tem que aproveitar o melhor momento de cada um. Naquele momento, julgamos que seria interessante alterações, não porque os atletas que estavam desempenharam abaixo, mas no sentido de buscar alternativas. Tivemos boas amostragens das finais (contra Flamengo no Carioca) e precisávamos buscar uma alternativa para que pudesse também oportunizar outros que a gente via no dia a dia. Jogadores que estavam bem e que talvez pudessem ser a nossa solução. Experimentamos no treino, vimos que fluiu e apostamos nessa ideia contra o River. Graças a Deus deu tudo certo, os atletas desempenharam bem, e a partir dali passamos a usar essa outra estrutura de jogo.

O time nitidamente cresceu desde então, mas vocês passaram a ser cobrados para encontrar variações. Acha que já conseguiram?

– Essa é uma preocupação que a gente tem no dia a dia. No curto espaço de janela de treino, temos tentado fazer algumas alterações. Como tem tido muito pouco tempo com a equipe, praticamente a gente recupera e já tem o pré-jogo, e que também é difícil incorporar tantas coisas em um pré-jogo. Não pode expor seu atleta a um desgaste físico pré-jogo. Essa tem sido nossa dificuldade em achar o equilíbrio em relação a isso, mas a gente tem tentado buscar variações e, na medida do possível, tem tentado colocar em prática no decorrer dos jogos. Quando entramos com Cazares ou Ganso, já muda um pouco o formato da equipe. E a gente busca por isso todo dia.

Nino e James Freitas durante treino do Fluminense — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Para fechar o assunto tática, a Eurocopa passou a impressão que o futebol europeu está muito mais evoluído taticamente do que o sul-americano visto na Copa América. Você concorda? O que deu para tirar do que viram na Euro?

– Não vi nenhuma grande novidade do ponto de vista tático, de estrutura. Algumas equipes jogando no 5-3-2, que também não é novidade, tem muitas equipes no futebol europeu que usam esse sistema com frequência. Muito em função de hoje no futebol mundial haver uma padronização, e os times colocarem cinco, seis jogadores à frente da linha da bola. A gente encontra isso também no futebol brasileiro. Vai jogar contra o Bragantino, eles põem sempre cinco jogadores à frente da linha da bola. Acho que tem muitas diferenças em relação ao futebol que é praticado no continente europeu e na América do Sul. Os contextos são diferentes.

– Acho difícil a gente conseguir replicar tudo aquilo que é feito lá. Aqui, em função dos jogos, da distância, mesmo no Brasil, nosso país é continental, há um desgaste grande com viagens… Nossa janela de treinos acaba sendo diminuída. Alguns comportamentos que a equipe precisa ter, ou que a gente gostaria em determinado momento, só consegue adquiri-los em forma de treinos, no dia a dia. Se sua janela fica menor em função desse desgaste, já cria uma série de empecilhos para poder ir a campo e acostumar seu atleta a reproduzir determinados padrões de comportamento. Coisa que o futebol europeu consegue fazer com uma naturalidade maior em função do calendário.

– Tem também as janelas de convocação, data Fifa, a maioria dos campeonatos para. São muitos contextos. Não vejo como uma questão de ser um melhor do que o outro. Se a gente trouxer uma equipe europeia para cá, vai enfrentar as mesmas dificuldades que a gente enfrenta, e talvez chegue às mesmas conclusões que nós acabamos chegando aqui. E acho que a recíproca é verdadeira. Com 44 jogos em média por ano, janelas de treinamento, tenho certeza de que as equipes daqui alcançariam um patamar de desempenho, organização, padrão tanto quanto as equipes de lá conseguem atingir.

James já treinou o Bahia e outros clubes de forma interina — Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia / Divulgação

Você já comandou muitas equipes de forma interina. Tem vontade de ser técnico principal um dia, de seguir “carreira solo”?

– Eu tive uma carreira de base longa, de 17 anos como técnico. Até fiquei tempo demais (risos), deveria ter migrado para o profissional bem antes. Mas as oportunidades que foram aparecendo e também… Muitas vezes a carreira do treinador é delicada, você recebe um convite para comandar uma equipe profissional, mas você está no sub-20 de um grande time. Quando você vai para o profissional, vai conviver com a incerteza, vai depender sempre dos resultados. Isso acaba fazendo muitas vezes que você tome a decisão de continuar mais tempo na base, pela estabilidade.https://f149070cefecff5e6248dc4d0eb7ce5f.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

– Eu tive a oportunidade de dar o passo, migrar para o profissional como técnico, e julguei importante ficar na base naquele momento. Desde 2015 já venho trabalhando. Auxiliei o Roger, Mano, Vagner Mancini, Dudamel… Consegui nesse período aprender com todos eles. O futuro a Deus pertence, óbvio que se surgir uma oportunidade futuramente que eu julgue legal, que valha a pena correr o risco da instabilidade da carreira de técnico principal, aí talvez eu faça a opção. No momento meu foco é todo em ajudar o Roger, ajudar o Fluminense, que a gente possa nesse ano conquistar um título importante para o clube e para as nossas carreiras.

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