Número de casos de Influenza A (H1N1) tem queda de 93% no Rio em 2020

O Rio de Janeiro registrou, de janeiro a julho deste ano, queda de 93% nos casos de Influenza A (H1N1), se comparados ao mesmo período no ano passado. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que houve apenas 11 casos da gripe causada pelo H1N1 e nenhum óbito causado pela doença desde o início de 2020.

De janeiro a julho do ano passado, houve 161 casos da gripe, sendo 62 óbitos. A faixa etária mais afetada em 2019 foi a composta por pessoas acima de 60 anos. 

A infectologista pediátrica Mariana Cypreste explicou que as crianças costumam ser bastante afetadas pelo vírus da gripe e que, esse ano, não houve tantos casos em relação aos anos anteriores porque as medidas de combate ao novo coronavírus também ajudaram a frear a propagação da Influenza.

“A gente não teve pico de Influenza esse ano justamente por causa do isolamento e distanciamento social impostos pelo coronavírus. A suspensão das aulas também colaborou muito com isso porque as crianças são ponto forte de disseminação de Influenza”, comentou a médica.

Ela ainda alertou para a importância da vacinação contra a gripe: “Vale lembrar que já estamos tendo a flexibilização, o retorno às aulas pode acontecer a qualquer momento. A nossa cobertura vacinal para os idosos foi boa, mas para os outros grupos não foi uma cobertura boa, então crianças, gestantes, puérperas, adultos e pacientes com deficiência precisam ser vacinados.”

Vacina contra a gripe age no combate à influenza H1N1 — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

Vacina contra a gripe age no combate à influenza H1N1 — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

O infectologista Fernando Chapermann acrescentou que as crianças são tão afetadas pelo vírus H1N1 quanto adultos e idosos, mas que a doença é ainda mais perigosa para as grávidas.

“Influenza A e B afeta muito as crianças, elas apresentam os sintomas e têm a amplificação da infecção, diferentemente do que observamos quando elas são infectadas pelo coronavírus. Mas é importante saber que a destruição do H1N1 para as grávidas é absurda”, completou o médico.

O especialista também acredita que o isolamento foi um fator favorável para a queda dos casos.

“Temos que levar em consideração que a população aglomerou menos, teve o isolamento, o período da quarentena, o uso de máscaras. Os vírus respiratórios geralmente são transmitidos onde há aglomeração, pouca circulação de ar e em ambientes fechados”, detalhou o infectologista.

O médico disse ainda que os números desse ano, bem abaixo da média em relação aos anteriores, podem demonstrar também uma possível subnotificação dos casos.

“O H1N1 tem alta transmissibilidade e enorme potencial de pandemia. O que acontece é que, na rede pública, muitas vezes os casos de gripe não são testados. Só são testados, geralmente, os casos gravíssimos, o que pode explicar a alta mortalidade entre os casos notificados ano passado e a queda nos registros dos casos esse ano. Aqui, fazemos testagem por amostragem. O Brasil peca nisso, com a subnotificação da gripe”, completou Fernando.

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