Nova série da Amazon mostra vida de um dos principais criminosos da história do Rio

De um lado, um jovem de classe média, que se envolve com o mundo das drogas. Do outro, seu pai, um policial aposentado que tenta, a todo custo, mudar a trajetória do filho. Esse é o enredo da série ‘Dom’, que estreia nesta sexta-feira no Prime Video, mas é também a história do carioca Pedro Machado Lomba Neto, que ficou conhecido como Pedro Dom. No começo dos anos 2000, o jovem foi alvo dos noticiários de todo o país após chefiar uma quadrilha que foi responsável por assaltos no Rio de Janeiro. A ideia de contar a história de Pedro na série que, a partir de hoje, chega a mais de 240 países, veio do próprio pai. 

Breno Silveira, diretor e showrunner de ‘Dom’ conta, emocionado, sobre seu encontro com Luiz Victor Dantas Lomba. “Há 12 anos, eu entrevistei o Victor. Ele bateu na minha porta dizendo que ele tinha uma história muito importante para contar. Eu lembro que não quis atender ele em um primeiro momento e ele ficou horas na portaria. Foi muito chocante e eu senti que era uma história importante a ser contada. A gente não está falando só sobre tráfico, mas sobre a entrada da cocaína no Brasil, que modificou não só o Rio de Janeiro, mas as famílias. Então eu tinha uma história ímpar, de um pai, que como policial infiltrado, trabalhava no combate às drogas, e de um filho, que virou não só um viciado desde os 15 anos, mas se tornou um dos bandidos mais procurados do Rio de Janeiro”, revela Breno.

Ao saber que a história de sua família havia sido aprovada pela Amazon, o ex-policial comemorou e, em seguida, se despediu do diretor. “Ele falou: ‘Agora eu posso ir’. Eu não entendi e perguntei do que ele tava falando. Ele disse: ‘É que eu estou morrendo, morrendo de câncer, uma droga lícita’’ E isso tudo foi muito louco, porque dois meses depois ele me ligou, já do hospital, e se foi. Ele se foi sabendo que a história deles ia virar uma série”, conta Breno.

Desafio profissional

Escalado para o papel de Pedro, Gabriel Leone fala sobre a entrega necessária para viver um personagem tão complexo. “A história que a gente está contando já tem um spoiler por si só. Você entra no Google e sabe o que aconteceu com ele. Então, a gente começa partindo do ponto de que é uma tragédia, do buraco que a gente ia entrar. Foi um processo de imersão muito grande, que durou 4 meses, e lembro que começou a acontecer uma coisa curiosa. Eu não tenho olhos azuis e colocava lente de contato de manhã e filmava 12 horas por dia. Só que, quando eu tirava, rolava um estranhamento das pessoas ao meu redor e de mim mesmo, de me olhar no espelho. Então é realmente uma entrega física e psicológica muito grande”, destaca o ator.

E apesar da temática trágica, Gabriel garante que o trabalho foi divertido. “Eu acho que uma das coisas que a gente se propôs, e que ia ser justamente o equilíbrio dessa balança – pensando nessa história pesada e profunda – era nunca deixar de se divertir. E por mais pesado que aquilo fosse, entre nós, a gente procurava manter um clima leve e descontraído. A gente sabia que para se manter são e equilibrado, a gente ia precisar se divertir no nosso trabalho. Paradoxalmente ou não, eu acho que foi um dos processos em que eu mais me diverti em fazer. Foi muito desgastante, mas muito prazeroso”, conta.

No papel de Victor, Flavio Tolezani fala, por sua vez, da responsabilidade em trazer debates sobre a influência das drogas na sociedade. “Eu gosto desses temas. Eu gosto do que pode não só resultar como trabalho artístico, mas também com um tipo de serviço. A gente revelar o que isso faz com a família, com as pessoas, isso é fundamental. Eu vi que falar sobre isso também surte efeito nas pessoas que tiveram essa vivência ou que venham a ter e se identificam com o que está acontecendo na vida delas. Isso, para mim, é maravilhoso, porque apesar do trabalho artístico, tem esse outro elemento”, destaca.

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