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Nova onda de Covid-19 ameaça recuperação econômica da Europa

Um ressurgimento de casos de coronavírus em toda a Europa alimenta os temores de que a forte recuperação econômica da região após a pandemia possa ser prejudicada por outro inverno rigoroso.

Até agora, a nova onda Covid-19 está tendo apenas um impacto limitado na atividade empresarial nos 19 países que usam o euro. O Índice de Gerentes de Compras da IHS Markit, um indicador-chave da economia, subiu em novembro, após cair para uma baixa de seis meses em outubro, de acordo com dados divulgados na última terça-feira (23).

Mas as expectativas para o futuro estão escurecendo. A Áustria anunciou na semana passada que vai voltar a um bloqueio nacional. As infecções em alta na Alemanha também geraram dúvidas se a maior economia da região poderia impor novamente restrições mais abrangentes.

“Uma expansão mais forte da atividade empresarial no último mês desafiou as expectativas dos economistas de uma desaceleração, mas é improvável que impeça a zona do euro de sofrer um crescimento mais lento no quarto trimestre, especialmente porque o aumento dos casos de coronavírus parece estar prestes a causar novos transtornos à economia em dezembro”, disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit.

A confiança do consumidor na zona do euro caiu “acentuadamente” em novembro, de acordo com a Comissão Europeia. A IHS Markit informou que as expectativas das empresas neste mês para a produção econômica futura “se deterioraram para o nível mais baixo desde janeiro”.

Ruben Segura-Cayuela, economista europeu do Bank of America, disse que mais dados são necessários para avaliar o que as restrições na Europa podem significar para a economia da região. Ele observou que “com cada onda de infecções por Covid-19, o impacto econômico diminuiu à medida que as empresas e os consumidores aprendem a lidar com a situação”.

“Sabemos que haverá uma reação, só não sabemos se será da mesma magnitude”, disse ele. “Eu diria que, com base no que vimos nos últimos meses, será menor.”

A Europa foi atingida de forma particularmente dura pela pandemia em 2020. A produção econômica caiu 6,3% na zona do euro, em comparação com uma queda de 3,4% nos Estados Unidos.

Mas a região se recuperou nos últimos meses, à medida que as taxas de vacinação aumentaram. O produto interno bruto da zona do euro cresceu 2,2% entre julho e setembro, em relação ao trimestre anterior.

Estagnação à frente?

Mas agora tudo depende de como a situação se desenvolverá na Alemanha, disse Jessica Hinds, economista de assuntos europeus da Capital Economics. Ela acha que é “plausível” que a Europa possa estagnar no final do ano se sua maior economia entrar em um bloqueio.

“Provavelmente veremos algum impacto na atividade econômica, enquanto o número crescente de casos deixa os consumidores mais temerosos e os governos exigem a aprovação da triagem da Covid-19 mais rigorosa para várias atividades”, disse Hinds.

A partir de hoje (24), os funcionários alemães devem apresentar um teste negativo para o coronavírus e sua carteira de vacinação para irem ao trabalho. Se eles não puderem trabalhar em casa, eles podem não ser pagos.

E, a partir do próximo sábado (27), a capital Berlim proibirá residentes não vacinados de irem a hotéis, restaurantes, bares e lojas, com exceção de mercados e farmácias.

O setor de manufatura na Alemanha também permanece sob pressão, já que os problemas da cadeia de suprimentos continuam afetando as montadoras e outros produtores.

A França também pode anunciar novas restrições depois de ter relatado mais de 30 mil novas infecções ontem (23), nível mais alto desde agosto. Autoridades do governo devem discutir novas medidas hoje.

Além dos casos de coronavírus, a Europa está lidando com os efeitos de uma desaceleração econômica na China, além do aumento da inflação e uma crise no fornecimento de energia que pode aumentar os custos das empresas e, consequentemente, tornar mais caro o aquecimento das casas neste inverno. Isso poderia prejudicar os gastos do consumidor de forma mais ampla.

O economista europeu do Bank of America disse que alguns elementos positivos da recuperação ainda estão acontecendo. O excesso de poupança acumulado no início da pandemia, por exemplo, está ajudando a mitigar os efeitos prejudiciais da inflação sobre a renda das pessoas.

“Ainda há forças de reabertura ajudando o crescimento no curto prazo”, disse ele.

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