Nova frustração na Champions mantém Neymar longe dos prêmios individuais

eliminação do Paris Saint-Germain na semifinal da Liga dos Campeões interrompeu o sonho do time francês de alcançar o inédito e sonhado título europeu e deixou seus dois principais jogadores, Neymar e Mbappé mais longe da corrida por prêmios individuais na temporada.

Tradicionalmente, o sucesso nas principais competições internacionais alavanca os grandes nomes das equipes campeãs na escolha do melhor jogador da temporada. Foi assim ano passado, quando o polonês Robert Lewandowski ganhou o prêmio Fifa The Best após liderar o Bayern de Munique na conquista da Champions League, da qual foi o artilheiro, com 16 gols, além de levar os títulos do Campeonato Alemão e da Copa da Alemanha, sendo também o goleador das duas competições.

Neymar na derrota do PSG para o Manchester City pela semifinal da Liga dos Campeões — Foto: Paul ELLIS / AFP

Este ano, ainda não há um favorito disparado. Entre os principais candidatos, desponta o belga Kevin De Bruyne, cérebro do Manchester City finalista da Champions. Destaque de um Real Madrid irregular, Karim Benzema corre por fora, e terá mais chance se o time espanhol superar o Chelsea nesta quarta e chegar à decisão da Champions e, principalmente, se levar o título. Lewandowski aparece na liderança do especial Melhores do Mundo do ge, que acompanha o desempenho dos grandes astros internacionais e terá nova parcial publicada na próxima semana.

Chelsea x Real Madrid, pelas semifinais da Champions, tem acompanhamento em tempo real no ge, às 16h (de Brasília)

Apesar do fracasso na Champions, eliminado nas oitavas de final, Messi ainda é visto como possível concorrente pela substancial melhora das atuações em 2021 após um início de temporada apático e, claro, por ser o recordista de prêmios de melhor do mundo, com seis eleições na festa da Fifa. Ganhou a Copa do Rei, mas certamente fará diferença se conseguir levar o time ao título do Campeonato Espanhol, do qual é o artilheiro isolado, com 28 gols. O Barça é o terceiro colocado, a dois pontos do líder Atlético de Madrid.

Messi comemora em Barcelona x Getafe — Foto: REUTERS/Albert Gea

Neymar teve mais uma temporada marcada por contusão na virada do ano que o impediu de ter regularidade, problema que atrapalhou sua busca pelo título das duas Champions anteriores – em 2018, perdeu o jogo de volta das oitavas contra o Real Madrid, e na temporada seguinte desfalcou o PSG nos dois duelos contra o Manchester United. Nas duas vezes, o time francês caiu nas oitavas. Este ano, a lesão na coxa esquerda sofrida em fevereiro tirou o atacante de 29 anos dos jogos contra o Barcelona, também nas oitavas da Champions. Na ausência do craque, Mbappé brilhou com três gols no 4 a 1 do PSG na ida, na Espanha, que abriu caminho para a classificação.

Antes da semifinal, “nem aí” para Bola de Ouro

Com 15 gols em 27 partidas até aqui, Neymar não conseguiu se destacar na temporada atual. Na Champions, acumula um jejum de sete jogos de mata-mata sem marcar. O último gol saiu na vitória por 2 a 1 sobre o Borussia Dortmund, nas oitavas da temporada passada, em março de 2020. Depois, passou em branco nos confrontos em jogo único das quartas, semifinal e final, e agora nas quatro últimas partidas, duas pelas quartas, contra o Bayern de Munique, e as duas derrotas para o Manchester City.

Antes do jogo de ida contra o City, a derrota por 2 a 1 em Paris, Neymar afirmou em entrevista coletiva que a conquista de um prêmio individual, como o Fifa The Best ou a Bola de Ouro da revista France Football, não é sua prioridade.

– Sobre a Bola de Ouro, já nem ligo. Não é algo que penso. E sendo sincero, não estou nem aí – disse ele há duas semanas.

A nível local, resta ao PSG de Neymar e Mbappé tentar salvar a temporada com o título francês – é o segundo colocado, um ponto atrás do Lille, a três jogos do fim – e a Copa da França, da qual é semifinalista.

Nos últimos cinco anos, só Messi foi eleito sem Champions

No cenário internacional, a Champions não é o único palco para os destaques da temporada nesta reta final. Por causa da pandemia de Covid-19, a Eurocopa e a Copa América foram adiadas em um ano e serão disputadas em junho e julho. O torneio sul-americano nunca teve peso importante nas escolhas dos destaques individuais do ano. Já a Euro, com prestígio internacional maior, pode ser a consagração do belga De Bruyne, a recuperação de Lewandowski após a queda nas quartas da Champions ou a reabilitação de um Cristiano Ronaldo que está longe do brilho dos anos anteriores.

Cristiano Ronaldo em Udinese x Juventus — Foto: Alessandro Garofalo/Reuters

Embora seja o artilheiro do Campeonato Italiano, com 27 gols, o português corre o risco de ver a Juventus terminar a temporada fora até do G-4, depois de perder a chance do décimo título seguido com a conquista da Internazionale no domingo passado. Mbappé também tem na Euro uma chance de volta por cima, mas assim como CR7 provavelmente só o título e uma atuação de destaque poderão significar uma injeção na corrida aos prêmios individuais.

 — Foto: Infoesporte/ge.globo

Em 2016, Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor do mundo alavancado por duas conquistas de peso: a Champions com o Real Madrid e a inédita Euro com a seleção de Portugal. Nos últimos cinco anos, apenas Messi, em 2019, ganhou o Fifa The Best sem ter chegado ao menos na final da Liga dos Campeões. Naquela temporada (2018/19), o argentino conquistou apenas o Campeonato Espanhol. Nas duas principais competições internacionais, parou na semifinal: com o Barcelona, na Champions, e com a seleção da Argentina, na Copa América.

Campeão da Liga dos Campeões na temporada 2014/15 com o Barcelona, Neymar foi o terceiro colocado na eleição do prêmio Fifa Ballon D’Or, antecessor do Fifa The Best, ficando atrás de Cristiano Ronaldo e de Messi, seu companheiro na campanha vitoriosa do Barça. Os três finalistas dividiram a artilharia da Champions naquela temporada, com 11 gols.

Neymar fora do “pódio” nos últimos três Fifa The Best

Ao trocar o Barça pelo PSG em 2017, Neymar saiu da sombra de Messi e assumiu o protagonismo no projeto esportivo do clube francês. Naquela mesma temporada, foi novamente o terceiro no Fifa Ballon D’Or, atrás dos então imparáveis Messi e Cristiano Ronaldo, o vencedor da vez, impulsionado pelo título da Champions com o Real Madrid.

Foi a última vez que Neymar ficou no pódio da premiação da Fifa de melhor jogador da temporada. Em 2018, quando Messi e Cristiano Ronaldo interromperam, enfim, a polaridade que durou dez anos na festa do The Best, pesou contra Neymar a eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia, e as críticas ao comportamento do brasileiro, especialmente em relação ao exagero nas faltas recebidas e às reclamações com adversários.

Naquele ano, Luka Modric, vice-campeão mundial com a seleção da Croácia e vencedor da Champions com o Real Madrid, foi o escolhido para interromper a década de domínio Messi-CR7. Dessa vez, o tabuleiro está novamente equilibrado, aguardando os movimentos finais da temporada europeia para definir o grande nome do futebol mundial na atualidade.

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