‘Nós não pedimos Copa América’, diz Eduardo Paes; medidas restritivas são mantidas na cidade

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou durante a coletiva de apresentação do 22° Boletim Epidemiológico da covid-19 que não foi consultado formalmente e que o município não tem envolvimento com a decisão de realizar os jogos da Copa América. Após uma redução no número de casos, a cidade vem apresentando uma estabilidade no número de infecções e internações. A vacinação segue sendo feita para pessoas com 58 anos de idade nesta sexta-feira (4).

“Não vimos vantagem nenhuma em realizar os jogos da Copa América. A prefeitura do Rio não tem absolutamente nada a ver com a decisão de realizar esses jogos no Brasil, aliás, não houve qualquer consulta formal. O que eu imagino é que eles estejam se guiando pelo decreto em vigor na cidade, que permite a prática de jogos de futebol sem torcida. O que está em vigor até 14 de junho é isso. Se até lá a situação se agravar e o decreto mudar, acabou. Eu imagino que eles tenham olhado os critérios no Rio”, disse.

Questionado se a prefeitura iria implantar alguma barreira para impedir aglomerações no entorno dos estádios, Eduardo Paes afirmou que essa atribuição é de responsabilidade das autoridades nacionais. Ele citou a Anvisa e o governo federal como os responsáveis por realizarem este controle e disse esperar a preocupação dos órgãos em relação à manutenção das medidas de segurança durante a realização dos jogos.

“Até onde eu entendo, quem estabelece barreiras sanitárias é o governo federal. Eu espero que, já que eles estão fazendo esse evento nacional, então que essa responsabilidade exista. A cidade não está fechada, o que a gente espera é esse cuidado das secretarias federais. Se entendermos que os órgãos não estão cumprindo as suas funções, vamos preencher essa lacuna e denunciar”, afirmou.

O secretário municipal da Saúde, Daniel Soranz, ponderou que os riscos de contaminação podem ser maiores no inverno. Ele disse esperar das secretarias estaduais em conjunto com a Anvisa que possa ser criado um plano para mitigar ao máximo a movimentação de pessoas na cidade. Ele completou: “Quanto mais circular gente em um período sazonal de gripe, pior”.

O Decreto Nº 48425 que permite a realização de jogos foi estabelecido no dia 13 janeiro e suspende temporariamente a presença de público em estádios e ginásios esportivos. Uma reavaliação da medida será feita e a prefeitura poderá manter ou modificar as normas vigentes de acordo com o momento epidemiológico da cidade.

Situação da covid-19 se estabiliza no Rio

O município do Rio manteve a estabilidade no número de casos de contaminação pela covid-19 durante o 22° boletim epidemiológico. Nas últimas 24 horas foram registrados 1.882 casos e 112 óbitos.

Não houve o registro de mais nenhuma contaminação pela variante indiana B.1.617 até o momento e a variante P.1, de Manaus, segue predominante em relação às outras cepas da doença na cidade.

Nesta sexta (4), 714 pessoas estão internadas em UTIs na cidade e o número mantém-se estável, sem apresentar queda considerável. Já em relação aos atendimentos nas enfermarias houve uma pequena redução comparado ao mês de maio, e 592 pessoas estão sendo atendidas nesta manhã com casos menos graves.

Após a prefeitura realizar a vacinação da população idosa na cidade, o número de internações por covid-19 nas faixas etárias de 60 anos ou mais apresentou uma redução considerável. Neste momento, as pessoas que mais tem precisado receber atendimento médico são pacientes com 40 a 59 anos.

Vacinação por idade avança no Rio

A vacinação por escalonamento de idade avança no município. A prefeitura conseguiu alcançar 42% da população maior de 18 anos vacinada na cidade, a meta estabelecida pela secretaria de saúde era alcançar 40% até esta sexta.

No total, 3,19 milhões de vacinas foram aplicadas na cidade. A prefeitura estabeleceu um calendário exclusivo para trabalhadores do setor portuário e de transporte aéreo. A imunização é feita nos locais de trabalho destes profissionais.

A vacinação para os professores também segue sendo feita e a meta é imunizar até a próxima quinta (9) todos os professores da rede de educação básica. No dia 16 de junho, a cobertura de imunização vai ser feita a todos os profissionais da educação do ensino superior.

A vacinação segue sendo feita nesta sexta-feira para pessoas com 58 anos de idade. Eduardo Paes mencionou que tem sido pressionado por grupos de diferentes categorias e afirmou que a principal estratégia da prefeitura é manter a vacinação por escalonamento de idade.

“Grupos de pressão de determinadas categorias profissionais têm uma leitura que a sua atividade é de mais exposição e que precisam de políticas específicas. Mas nós entendemos que a nossa prioridade é a idade para proteger mais vidas”, disse.

Paes reforçou que todas as vacinas são eficientes e orientou a população a se vacinar com o que estiver disponível nos postos de saúde: “Vacinem com o que tiver no posto de saúde. Se a Anvisa aprovou e seguimos com esse caminho é porque confirmamos a eficiência. Então vamos nos imunizar, é muito importante acreditar em todas as vacinas”.

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