Netanyahu joga pesado para minar coalizão para tirá-lo do poder

Benjamin Netanyahu faz apresentação para embaixadores em base militar em Israel, nesta quarta (19) — Foto: Reuters/Sebastian Scheiner

Prestes a ser destronado de um reinado de 12 anos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se concentra em minar a coalizão de oito partidos para formar o novo governo de Israel, atacando pelas beiradas. Ele foca na deserção de quatro deputados do Yamina e do Nova Esperança, que se mostraram mais vulneráveis ao amálgama de legendas de ideologias divergentes, formado com apenas um objetivo: tirá-lo do poder.

O premiê e seu partido, o Likud, jogam pesado para bombardear a aliança costurada pelo centrista Yair Lapid, do Yesh Atid. Os deputados mais reticentes ao acordo para o chamado governo de mudança têm sido alvo de manifestações de correligionários de direita e ultradireita na porta de suas casas. Seus filhos são assediados na escola.

Yair Lapid, candidato do partido opositor Yesh Atid, vota em Tel Aviv para as eleições de Israel nesta terça-feira (23) — Foto: Corinna Kern/Reuters

Yair Lapid, candidato do partido opositor Yesh Atid, vota em Tel Aviv para as eleições de Israel nesta terça-feira (23)

A intensa campanha de persuasão inclui também pressão sobre os rabinos e amigos próximos dos parlamentares que entraram a contragosto na aliança. Netanyahu instiga o sentimento de traição entre ultranacionalistas, que passaram a queimar fotos de Naftali Bennett, o futuro premiê israelense nos dois primeiros anos do mandato.

Se conseguir uma deserção, o premiê tem chance de implodir o acordo, que deve ser votado pelo Parlamento israelense. Netanyahu ainda conta com o apoio do presidente do Knesset, Yariv Levin, disposto a postergar a votação, aferrado a manobras de última hora para questionar os termos do acordo.

Benjamin Netanyahu no parlamento israelense em foto de 17 de maio de 2020 — Foto: Adina Valman/Knesset/Reuters/Arquivo

Benjamin Netanyahu no parlamento israelense em foto de 17 de maio de 2020

A tática visa a implodir o partido ultranacionalista religioso Yamina, de Bennett, que tem seis assentos no Parlamento, apelando às crenças ideológicas de seus integrantes. De tão pressionado, o deputado Nir Orbach passou a bloquear as ligações de Netanyahu, segundo o “Times of Israel”.

Não é difícil imaginar a persistência de Bibi, como é conhecido em Israel, para alcançar seu objetivo. Se para conseguir milhares de doses e fazer de Israel líder na vacinação, telefonava de madrugada para o executivo da Pfizer, sua motivação para permanecer premiê ainda é mais premente.

Réu em três processos por corrupção e abuso de poder, ele precisa do cargo para escapar da Justiça. Vale então semear a discórdia, indispor o Yamina e o partido conservador mulçumano Ra’am, que pela primeira vez entra num acordo de coalizão em Israel.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Mas a jogada mais arriscada de Netanyahu é a de incitar a raiva dos ultranacionalistas contra Bennett e o governo de mudança. Esse roteiro resultou no assassinato do então premier Ytizhak Rabin, em 1995, por um extremista judeu contrário ao acordo de paz com os palestinos. E revelou-se traumático para o país.

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