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Nas redes, oposição critica supostas interferências do governo Bolsonaro nas provas do Enem

A apenas dois dias da realização do Enem, políticos e internautas foram às redes sociais criticar o governo federal pelas acusações de intervenção nas questões do exame. Nesta sexta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um procedimento para apurar denúncias em relação à gestão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela prova.

“O objetivo da nossa ação no TCU, que vai investigar a conduta do presidente do INEP, Danilo Dupas, é garantir a segurança da realização do ENEM. Queremos proteger o exame educacional mais importante do país dos ataques do governo Bolsonaro”, disse o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), um dos parlamentares à frente da representação entregue ao TCU, em sua conta no Twitter.

Políticos, especialmente da oposição, reagiram nas redes às denúncias e à recente fala de Bolsonaro que, em viagem a Dubai, afirmou que as perguntas da prova “começam agora a ter a cara do governo”. Para os parlamentares, trata-se de indícios de uma intervenção do governo federal na elaboração do exame.

“A crise no Inep vai além do ENEM. É gravíssima a sanha de um governo que cogitou definir até o que entra ou não na prova. Mais grave ainda é o desmonte de um órgão que realiza o Censo Escolar da Educação Básica e a avaliação do nível de aprendizagem”, escreveu a senadora Simone Tebet (MDB-MS) na rede social.

“Não há dúvidas de que houve direcionamento e censura às provas. Precisam ser responsabilizados!”, afirmou a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), no Twitter.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) também se manifestou com críticas à gestão do Inep e à elaboração do exame, que acontece nos próximos dois domingos, dia 21 e 28 de novembro:

“As evidências de censura precisam ser investigadas, queremos um ENEM seguro! É o futuro de milhares de brasileiros que está em risco”, afirmou em publicação nas redes.

A crise teve início com a saída de 37 servidores do Inep, no início de novembro, que denunciaram o presidente Danilo Dupas por assédio moral. Na terça-feira, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, negou que haja interferência política na elaboração do exame e afirmou que a crise no Instituto trata-se de uma “questão administrativa”.

No dia seguinte, 23 servidores do Instituto emitiram um ofício aos diretores do órgão em que defendiam os 37 colegas que pediram exoneração dos cargos de chefia e reafirmavam, em nota, a “situação de fragilidade técnica e administrativa em que se encontra a gestão máxima do Inep”.

Nesta sexta-feira, uma outra acusação envolvendo a abordagem de questões sobre a ditadura militar na prova provocou críticas nas redes. Integrantes do governo revelaram, ao jornal Folha de São Paulo, que o presidente Jair Bolsonaro teria pedido ao titular da pasta da Educação, Milton Ribeiro, para que a menção ao Golpe Militar de 1964 no exame fosse tratada como revolução.

Segundo o jornal, o ministro não teria levado o pedido adiante devido ao longo processo de elaboração da prova, e por não ter acesso ao exame durante a sua criação, nem à sua versão final.

A notícia, no entanto, provocou mais uma onda de reclamações que se somaram às inúmeras realizadas nos últimos dias sobre a série de acusações de interferência do governo na prova.

“Segundo servidores, Bolsonaro pediu a troca de “Golpe de 1964” por “revolução” no Enem. Proteger a democracia é também lembrar nossa história: a ditadura foi um período com anos de censura, tortura e restrições ao voto. Não vamos ceder a ditadura da ignorância e do autoritarismo”, escreveu a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP).

“Bolsonaro é uma vergonha. É fundamental que os estudantes também se posicionem. Essa interferência de Bolsonaro pode mudar diretamente as notas dos alunos. Uma questão pode mudar o futuro de muitos que farão o ENEM”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), no Twitter.

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