Na ONU, Trump ataca a China e diz que país é o grande responsável pela pandemia

Em um discurso curto, com tons eleitorais, o presidente dos EUA, Donald Trump, partiu para o ataque contra a China na Assembleia Geral da ONU, acusando o país de ser o principal responsável pela pandemia do novo coronavírus. Tradicionalmente o segundo a falar na sessão de debates da assembleia anual, Trump expôs suas palavras por vídeo, a partir da Casa Branca.

A fala foi a quarta proferida pelo republicano que, no passado, já ameaçou “destruir totalmente” a Coreia do Norte, em 2017, e que foi alvo de risadas (diplomáticas) em 2018, quando afirmou ter feito “mais do que qualquer outro governo americano na História”. Trump discursou depois do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e do secretário-geral da ONU, António Guterres, que voltou a fazer um apelo por um cessar-fogo em todos os conflitos globais durante a pandemia.Diante de um plenário vazio, discurso de Donald Trump é transmitido na Assembleia Geral da ONU, em Nova York Foto: MIKE SEGAR / REUTERS

‘Vírus chinês’

Usando o termo “vírus da China”, Trump abriu seu discurso de apenas sete minutos citando algumas das ações adotadas durante a pandemia, como a fabricação em massa de respiradores, e a corrida por uma vacina ainda este ano, de preferência antes da eleição 3 de novembro. Indo além, acusou a China de ser a grande responsável pela pandemia e disse que Pequim mentiu sobre a doença, defendendo uma ação da ONU contra o país.

— O governo chinês e a Organização Mundial de Saúde, que é virtualmente controlada pela China, falsamente declararam que não havia evidências sobre transmissão entre humanos. Depois, falsamente disseram que pessoas assintomáticas não transmitiam a doença. A ONU precisa responsabilizar a China por suas ações — afirmou Trump.

Ele não mencionou que o vírus da Covid-19 era novo e que os cientistas de todo o mundo demoraram a conhecer os seus efeitos. A China disponibilizou globalmente o DNA do Sars-Cov-2 em 11 de janeiro. Os próprios serviços de inteligência americana concluíram que funcionários locais da cidade de Wuhan, e não o governo de Pequim, tentaram encobrir a gravidade da Covid-19 quando os primeiros pacientes surgiram, em dezembro.

Mesmo pressionando por uma investigação sobre a China no âmbito das Nações Unidas, o líder americano não mencionou sua decisão de deixar a Organização Mundial de Saúde, anunciada em junho e que deve ser concluída em julho do ano que vem. O candidato democrata à Presidência, Joe Biden, se comprometeu a interromper o processo caso seja eleito em novembro.

Provocação ao Irã

Em tom de campanha, Trump  louvou as capacidades militares dos EUA, além dos acordos comerciais fechados com nações como o México. Em uma provocação direta ao Irã, elogiou a saída dos EUA do acordo nuclear e citou nominalmente o assassinato do general Qassem Soleimani, em janeiro, como um dos grandes atos de seu governo. Ainda prometeu uma solução duradoura para o Afeganistão, incluindo a saída das tropas americanas hoje no país.

— Os EUA estão cumprindo seu destino de pacificadores. Mas é uma paz através da força — declarou, dizendo ainda que seu poderio militar está “mais forte do que nunca”.

Nos últimos anos, os EUA abandonaram uma série de acordos de controles de armas estratégicas, e o próprio Trump deu a entender que o país está desenvolvendo novos tipos de armamentos, incluindo nucleares. Hoje, apenas um acordo relativo a armas atômicas está em vigor entre EUA e Rússia, o Novo Start, que deve expirar em fevereiro do ano que vem. As negociações em torno de sua renovação se encontram estagnadas, e diplomatas russos deram a entender que não vão aceitar os novos termos apresentados pelos americanos.

‘EUA em primeiro lugar’

— Eu coloquei os EUA em primeiro lugar, assim como vocês deveriam colocar seus países em primeiro lugar —  afirmou Trump, mantendo a linha nacionalista e eleitoral, encerrando o discurso dando a entender que, no ano que vem, ele voltará a fazer um discurso na mesma Assembleia Geral. — Tenho a confiança suprema de que, no próximo ano, quando nos reuniremos pessoalmente, isso será em meio a um dos maiores anos de nossa História e, francamente, espero, da História mundial — concluiu.

Acordos no Oriente Médio

Antes do discurso de Trump, a representante dos EUA no plenário fez elogios aos acordos mediados entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, assinados este mês. Também mencionou a estratégia de aproximação entre Washington e a Coreia do Norte, citando os encontros com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Por outro lado, a estagnação das conversas e a virtual impossibilidade de o  presidente cumprir o principal objetivo dessa iniciativa, a desnuclearização da Península Coreana, não apareceram no discurso. A apresentação mencionou ainda, em tons elogiosos, as ações para o Afeganistão, com o início de um diálogo envolvendo o governo local, a guerrilha Talibã e os próprios EUA, dizendo que elas tornaram o mundo “um lugar mais seguro”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: