Museu do Ipiranga começa a retirar carruagens, quadros e outros objetos históricos para reforma do prédio

Começou nesta segunda-feira (11) a última etapa de esvaziamento do Museu do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, para a realização da reforma que irá modernizar e restaurar o prédio que está fechado desde 2013 devido a problemas de conservação.

Os mais de 30 mil objetos que fazem parte do acervo estão sendo transferidos para três imóveis alugados pela Universidade de São Paulo (USP), que administra o museu. Outros dois imóveis já receberam a biblioteca e o acervo de imagens e documentos.

As primeiras peças retiradas são cinco veículos, estátuas de pedra, canhões e as telas maiores. Do acervo total, apenas 36 obras permanecerão no prédio durante a reforma. Entre elas está o icônico quadro do Grito do Ipiranga feito por Pedro Américo, a maquete da cidade de São Paulo feita em bloco de gesso e as estátuas dos bandeirantes que estão no saguão central.

“Decidimos começar pelas peças mais pesadas porque elas representam o maior desafio de locomoção para os novos destinos. Mas teremos momentos muitos distintos desde carros para embalar até botões e bijuterias. É uma variedade considerável de objetos”, afirma Solange Ferraz de Lima, diretora do museu.

Solange explica que a decisão de dividir os objetos entre vários endereços diferentes foi tomada para facilitar o acesso ao acervo para pesquisadores durante os anos em que o museu ficará fechado para reforma.

“O maior desafio desta mudança é garantir que os acervos fiquem disponíveis para consulta. Seria talvez mais fácil colocar tudo em um único galpão. Mas nós temos que garantir a alimentação das pesquisas em curso, porque esse é um museu universitário”, diz.

Laudo diz que estrutura está bem

De acordo com Solange, o laudo do último diagnóstico realizado constatou que não há sérios problemas na estrutura do prédio construído em 1890.

“O laudo mostra que o edifício está bem. Ou seja, o problema que motivou o fechamento tem a ver com os revestimentos, não com a estrutura. Os forros sofreram muito com infiltração e foram encharcando. Isso começou a pesar e havia risco de desabamento. Mas uma reforma estrutural seria mais complicada e provavelmente muito mais cara”, explica.

Para a avaliação da conservação, foram abertas “janelas” de observação com a retirada de azulejos e realização de pequenos buracos nas paredes, colunas e teto para a observação dos materiais e estrutura.

Prazo para a reabertura

O projeto arquitetônico que venceu o concurso promovido pela USP para o restauro e modernização do prédio foi apresentado em março deste ano. A empresa tem agora dez meses de prazo para terminar e apresentar o projeto executivo das obras. Ou seja, elas só começarão em 2019. A previsão é que o Museu do Ipiranga seja reaberto para o público em 2022, no bicentenário da Independência.

As obras devem custar entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões e serão bancados por empresas que queiram investir no projeto.

Segundo a diretora do museu, tudo está dentro do prazo. “Esse edifício vai receber um restauro e uma modernização como nunca aconteceu. Em 2022, a gente vai poder oferecer uma visita de dia inteiro, com acessibilidade, num museu modernizado. Tem tudo para ser um caso de muito sucesso”, afirma.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *