25 de julho de 2024

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Mulher é presa por falsificar remédios indicados na rede pública; vítimas pagaram R$ 400 mil

Uma mulher foi presa, na manhã desta última quarta-feira (12), por falsificar e vender um remédio importante para o tratamento de doenças graves. Carla Alessandra de Andrade foi presa em flagrante em casa, em Niterói, na Região Metropolitana.

A polícia começou a investigação depois que pacientes do Hospital Universitário Antônio Pedro denunciaram que ela estava vendendo remédio falso.

O medicamento é a imunoglobulina, usada contra doenças imunológicas e neurológicas. Cada frasco custa no mínimo R$ 2.500, e a aplicação tem que ser feita numa unidade de saúde.

Os pacientes deveriam receber a medicação de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas quando os estoques da rede pública estão baixos, a Secretaria Estadual de Saúde dá dinheiro para que os próprios pacientes façam a compra. Mas tem que ser com um dos distribuidores credenciados. O remédio não pode ser vendido nas farmácias.

Alessandra foi representante de uma distribuidora por mais de 10 anos. Criou uma clientela e fornecia medicamentos originais. Mas, meses atrás, ela informou aos clientes que tinha mudado de empresa.

Segundo a polícia, ela passou a aplicar o golpe e usava o endereço de uma casa abandonada em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, como a sede oficial da suposta nova distribuidora.

“Foram arrecadados medicamentos diversos, inclusive amostras grátis, cuja comercialização é vedada, e ainda medicamentos com prazo de validade vencido”, disse a delegada Natacha Oliveira.

A polícia também encontrou na casa de Alessandra frascos de fentanil, analgésico de uso controlado do Brasil.

Juntos, dois pacientes já tinham pagado quase R$ 400 mil para Carla Alessandra em falsos remédios.

Um homem que trata uma neuropatia motora progressiva há 19 anos, teve uma forte reação adversa em agosto do ano passado, depois que recebeu duas ampolas do medicamento falso no Hospital Antônio Pedro.

“Me deu uma tremedeira danada, eu quase morri. E a outra me deu trombose no braço.”

 

Homem teve trombose após usar medicamento falso — Foto: Reprodução/TV Globo

Logo depois, uma outra paciente também recebeu quatro ampolas do remédio falsificado, até que um enfermeiro percebeu algo.

“O chefe da farmácia entrou em contato com a Bayer e veio e explicou que a Bayer não fabrica essa medicação. Ela não vende, essa medicação é falsa.”

O frasco falso tinha a identificação da Bayer, mas a empresa já havia emitido uma nota em 2022 alertando que não produz, importa nem comercializa imunoglobulina.

A polícia enviou amostras da medicação falsa para perícia para que seja identificada a substância contida nos frascos.

A investigação tenta identificar quem mais está envolvido na fabricação e na distribuição dos remédios. A delegacia espera receber mais depoimentos de vítimas.

A mulher presa vai responder por venda de mercadoria imprópria para consumo, falsificação de produtos medicinais e tráfico de drogas.

Polícia enviou amostras da medicação falsa para a perícia — Foto: Reprodução/TV Globo

O que dizem os citados

Secretaria Estadual de Saúde disse que desde 2021 não falta imunoglobulina nas farmácias do estado. Falou ainda que os pacientes estão recebendo os medicamentos regularmente, e que não dá dinheiro para a compra de remédios em distribuidoras.

Ministério da Saúde, que faz a compra do medicamento em todo o país, afirma que a rede do SUS está abastecida.

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