Moradores relatam como estão os dias no Jacarezinho um mês após operação mais letal da história do RJ

Moradores da comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, relataram como ficou a rotina da comunidade após a operação policial que deixou 28 pessoas mortas, incluindo um policial civil. A ação, considerada a mais letal da história do estado, completa um mês neste domingo (6).

No dia da operação, a pedagoga Michele Ferreira Brandão Peixoto, de 36 anos, chegou no tempo limite para o seu casamento, porque se atrasou para a cerimônia. Ela contou ao G1 que presenciou um cenário de guerra logo depois das trocas de tiros entre policiais e criminosos.

Foto de arquivo: Comunidade do Jacarezinho, no Rio — Foto: Reuters

“Um cenário de guerra. Me senti na Síria, nesses estados israelenses de guerra. Muito feio, tudo destruído. Pessoas desesperadas, assustadas, foi horrível”, afirmou Michelle.

“Eu achei que não ia conseguir casar. Foi um verdadeiro caos, uma guerra. Quando eu consegui sair de casa, eu vi tudo destruído. Muitas balas pelas casas. Quando eu voltei do casamento, estava ainda pior. Vi canos estourados, postes estourados. Lá perto da casa da minha mãe, tinha uma granada”, completou a moradora da comunidade.

Notícias da operação atrapalharam lua de mel

Michele e Inácio conseguiram se casar apesar da operação no Jacarezinho — Foto: Arquivo Pessoal

Apesar de ter acordado ao som de tiros, Michele, felizmente, conseguiu se casar com Inácio Henrique Peixoto, de 21 anos. Após a cerimônia, o casal foi para um hotel, onde reservou duas diárias para a lua de mel. No entanto, as notícias atrapalharam o lazer do casal.

“Nós passamos dois dias num hotel tentando relaxar, mas sem conseguir relaxar 100% porque as notícias estavam em todos os lugares. Mas a gente tentou relaxar um pouco por dois dias e voltamos para a rotina normal”, afirmou Michele.

Estudante diz que moradores estão tentando ‘se levantar’

O estudante Diego Aguiar afirmou que os moradores da comunidade estão voltando para suas rotinas. Eles esperam que cheguem oportunidades para o local e pedem paz na comunidade.

“Atualmente, a gente está tentando se levantar depois dessa pancada que teve aqui no Jacarezinho do estado. Nós, como moradores, queremos emprego, projetos sociais e oportunidade para a nossa juventude. E, principalmente, queremos paz no Jacarezinho”, disse Diego.

Ainda de acordo com ele, algumas pessoas ficaram apreensivas de sair de suas casas após a operação, com medo de novos confrontos.

“Depois dessa operação no Jacarezinho, a comunidade ficou bastante triste, perdeu um pouco do brilho. Os moradores ficavam com medo de sair de casa e ter operação novamente”.

Operações foram paralisadas após 28 mortes

Michele Peixoto disse ainda que a comunidade não recebeu mais operações após a incursão policial que deixou 28 mortos. O clima, no entanto, permanece tenso segundo ela.

“Não teve mais operação. As pessoas foram se reajustando, os comerciantes. Ainda com clima tenso, mas não houve mais operação (…) Eu espero que os governantes olhem com mais carinho por essa comunidade, que é uma das maiores da América Latina. Espero que tenha evolução e mais respeito da comunidade pelos moradores. Dentro do Jacarezinho tem muita gente boa, inteligente e trabalhadora”.

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