Militar traficou cocaína em avião da FAB ao menos 7 vezes, diz PF

Manoel Silva Rodrigues, o sargento da FAB que foi preso em 2019 na Espanha, traficou cocaína em ao menos 7 vezes durante viagens oficiais. Ele fazia parte de um esquema que continuou mesmo depois da prisão.

As informações são do portal UOL, que teve acesso ao inquérito da Polícia Federal sobre o esquema de tráfico de drogas na Força Aérea. De acordo com a investigação, outros militares brasileiros estavam envolvidos na organização criminosa.

Rodrigues foi preso depois de desembarcar de um avião da comitiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em 2019, com 39 quilos de cocaína. Além da viagem em que foi preso, o sargento teria traficado cocaína em 4 voos domésticos e 3 internacionais.

A 1ª viagem nacional suspeita, de acordo com a PF e o MPM (Ministério Público Militar), foi em março de 2019. Depois de uma viagem para São Paulo, a situação financeira de Rodrigues e sua mulher melhorou e eles conseguiram pagar suas dívidas.

Já a 1ª viagem internacional divulgada foi uma missão oficial para o Azerbaijão, de abril a maio de 2019. A cocaína foi traficada para a Espanha em uma parada do voo da FAB durante a comitiva do então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Logo depois dessa viagem, Rodrigues comprou uma moto no valor de R$ 32.900. Ele e sua mulher também gastaram R$ 26.000 em uma reforma de seu apartamento no Distrito Federal.

Em setembro, o sargento foi condenado. Ele terá que cumprir todos os 6 anos de sentença no país europeu. A defesa do militar solicitou que Rodrigues cumprisse parte da pena em solo brasileiro, o que foi negado pela Justiça espanhola. O sargento está detido na cidade de Sevilha.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

As investigações indicam que o sargento Rodrigues não atuava sozinho. Ao menos 4 outros militares também são investigados por tráfico de drogas em aviões da FAB. Entre os suspeitos estão amigos de Rodrigues, como os sargentos Jorge Luiz da Cruz Silva, chamado de Flamengo, e Márcio Gonçalves de Almeida.

De acordo com as informações bancárias de ambos, eles adquiriram bens com valor incompatível aos seus ganhos. Silva tinha um patrimônio de R$ 800.000 e era dono de uma BMW Z4. Já Almeida tinha uma Mercedes-Benz A20 e uma BMW Z4 S-Drive. Os 2 recebiam cerca de R$ 4.000 por mês.

O tenente-coronel Augusto César Piovesan também foi investigado pelo MPM. Responsável pela escala de militares em voos da FAB, ele também é considerado parte do grupo. Ele era amigo de Rodrigues, apesar de ter negado a amizade em seu primeiro depoimento.

De acordo com o rastreamento de chamadas telefônicas de Rodrigues, os investigadores descobriram que o grupo tinha celulares para conversar de forma restrita. Piovesan, Almeida, Silva, um ex-soldado e a mulher de Rodrigues foram presos em março deste ano pela Justiça Militar.

A mulher de Rodrigues foi solta dias depois. Os militares estão em liberdade com medidas cautelares.

UOL tentou contato com a defesa dos acusados, mas a reportagem não obteve respostas.

“CHICO BOMBA” E “BARÃO DO ECSTASY”

UOL também teve acesso às informações sobre os civis envolvidos no esquema. De acordo com as investigações, 4 pessoas de Brasília seriam os traficantes que inseriram os militares no esquema e que forneciam a droga.

O chefe da organização criminosa seria Marcos Daniel Penna Borja Rodrigues, conhecido como “Chico Bomba”. Ele teria sido apresentado aos militares por Augusto César de Almeida Lawal e Márcio Moufarrege, que também faziam parte do esquema.

O sargento Silva seria a ponte que ajudava no recrutamento. Em 2012, Silva comprou um imóvel no lago Paranoá, em Brasília, e depois o transferiu para Moufarrege, de quem recebia aluguel.

Além de documentos conectando os investigados, a PF contou com um denunciante anônimo. Esse colaborador deu informações sobre a ligação de Chico Bomba com Michelle Tucci, filho de um diplomata italiano.

De acordo com as investigações, os dois já tinham sido alvos de operações sobre o envio de cocaína para a Europa, assim como o tráfico de haxixe, ecstasy e skank para Brasília em 2003. Por isso, Michelle era conhecido como o “barão do ecstasy”.

Ao UOL, a defesa de Michelle Tocci diz que seu cliente é inocente. Os advogados de Chico Bomba também afirmam que seu cliente é inocente, mas dizem que não se pronunciam sobre o caso porque o processo está em segredo de Justiça. As defesas de Lawal e de Moufarrege não foram localizadas.

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