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Milhares de afegãos protestam em Kandahar contra despejos ordenados pelo Talibã

Milhares de pessoas protestaram contra o Talibã nesta terça-feira em Kandahar, a segunda maior do país, segundo relatos de antigos funcionários do governo afegão e imagens de canais locais de televisão. A manifestação foi motivada por uma ordem para que cerca de 3 mil famílias deixassem suas casas em uma comunidade residencial das Forças Armadas.

Os manifestantes se reuniram em frente à casa do governador provincial, segundo um ex-funcionário do governo local disse à Reuters. Imagens de canais locais mostram uma multidão bloqueando uma rodovia na cidade.

A comunidade em questão é predominantemente ocupada por famílias de generais reformados e outros integrantes das forças de segurança afegãs. As famílias, algumas delas moradoras do local há cerca de três décadas, receberam um prazo de três dias para que deixassem suas casas, disse o funcionário do governo local após conversar com a população.

Procurado, o porta-voz do grupo fundamentalista não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.

Protestos esporádicos contra os talibãs, que retornaram ao poder em 15 de agosto, faltando duas semanas para o fim das duas décadas de invasão americana, vêm sendo registrados pelo país. Na segunda, durante o primeiro dia da sessão do Conselho de Direitos Humanos, a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, afirmou que as manifestações em solo afegão têm sido reprimidas com “violência crescente”.

Não há relatos de confrontos no protesto de Kandahar, mas de acordo com Bachelet, ao menos duas pessoas já morreram durante os atos do último mês. Cerca de 20 jornalistas foram presos — dois deles, espancados por horas.

Bachelet também chamou atenção para alegações de que buscas foram conduzidas nas casas de ex-funcionários do governo e de pessoas que trabalharam ao lado das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Meninas adolescentes, ela apontou, estão sendo proibidas de irem à escola.

No debate desta terça-feira, a representante do antigo governo afegão, pró-Ocidente, que continua acreditada na ONU apesar da troca de comando, acusou o grupo fundamentalista de quebrar suas promessas de respeitar os direitos das mulheres e dos direitos humanos.

— Neste momento crucial, o mundo não pode permanecer em silêncio — afirmou o embaixador Nasir Ahmad Andisha. — Mais que nunca, o povo do Afeganistão precisa de ação da comunidade internacional.

Andisha acusou o grupo fundamentalista de “atrocidades disseminadas” no Vale do Panjshir, a última das 34 províncias afegãs a ser conquistada pelo grupo fundamentalista, no dia 6. Disse ainda que os talibãs estão conduzido assassinatos e execuções extrajudiciais, algo a que Bachelet já havia feito referência na véspera.

O novo governo interno do país, afirmou o diplomata, “prejudica a unidade nacional e a diversidade política e social”. Após prometer formar um governo diverso, o Gabinete talibã é composto majoritariamente por pessoas próximas da velha guarda do grupo e da etnia pashto, que forma sua principal base de apoio, mas da qual menos da metade dos afegãos faz parte.

O Talibã nega quaisquer abusos em Panjshir e diz estar respeitando os direitos das mulheres dentro do contexto da lei islâmica. O novo governo, afirmam, tem caráter provisório e haverá uma consulta popular para um novo sistema inclusivo no futuro — não está claro, contudo, quando isso acontecerá.

Andisha fez ainda um pedido para que o Conselho crie uma missão investigativa para monitorar as ações do Talibã. A iniciativa tem o apoio de países Ocidentais, mas enfrenta a resistência de algumas nações asiáticas.

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