México e Chile são os países latinos mais perto do “normal”, diz Bloomberg

A vacinação contra a covid-19 avança –em alguns países mais rápido que em outros. Aos poucos, restrições são flexibilizadas e grandes eventos com público são retomados. Em algumas partes do globo, pessoas já podem circular sem máscaras com o aval do governo.

Mas o impacto da pandemia diminui de forma desigual. A Bloomberg calculou o quão “normal” está a vida nos 53 países com as maiores economias do mundo. O Brasil está na 41ª posição do ranking, e a Argentina está no final da lista. Na América Latina, os países mais bem colocados são México e Chile.

O levantamento da Bloomberg divide os indicadores em 3 categorias: processo de reabertura, status da covid (casos e mortes) e qualidade de vida. O ranking é calculado a partir de todos os fatores considerados em cada um desses eixos (como percentual de pessoas vacinadas, liberação de voos comerciais e nível de restrições à circulação que ainda é praticado). O detalhamento da metodologia está disponível neste link.

“resiliência” dos países avalia, além das condições dos próprios habitantes, como está a abertura a visitantes estrangeiros e as perspectivas para o crescimento econômico. A Nova Zelândia, Austrália e Cingapura, por exemplo, estão no top 15. Internamente, a rotina se aproxima cada vez mais da normalidade. Mas há um preço: isolamento do mundo exterior.

Poucos casos de transmissão comunitária (quando não é possível rastrear a origem) tendem a ativar medidas de quarentena severas, mesmo em locais com alta cobertura vacinal. A medida é efetiva para conter o contágio, mas expõe esses países ao risco de se manterem em um ciclo de lockdowns –realidade preocupante para economias que dependem do turismo, alerta a Bloomberg.

O levantamento também ressalta que nada no ranking é definitivo. O surgimento de novas cepas do coronavírus pode piorar os quadros epidemiológicos, motivar novas restrições e afetar o desempenho econômico. O Reino Unido precisou adiar os planos de reabertura por causa da dispersão da variante Delta e Israel voltou a pedir que os habitantes usem máscara em ambientes fechados.

Parada do Orgulho LGBTQI+ em Tel Aviv, dias antes do governo israelita retomar medidas restritivas. Apesar da alta cobertura vacinal, a média de novos casos no país saltou de 10 para 200

A Índia teve o revês mais dramático. Estava entre os 20 países com a pontuação mais alta até meados de março. Depois do surgimento da variante Delta, a pandemia no país saiu de controle. O número de casos e mortes acelerou. A imunização da população segue em ritmo lento e enfrenta fraudes.

Apesar das incertezas em relação ao desenrolar da pandemia, uma coisa fica clara: os países mais desenvolvidos tendem a administrar melhor a situação. A distribuição de vacinas deixa isso mais evidente. A Nigéria, por exemplo, não tinha sequer 1% da população completamente imunizada até 27 de junho.

A longo prazo, a imunização desigual coloca todos em risco. Quanto mais o vírus circular, maior a probabilidade do surgimento de novas variantes mais infecciosas e resistentes às vacinas do que aquelas em circulação hoje.

O Covax Facility, consórcio mundial de vacinas gerido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) foi criado para facilitar o acesso de nações mais pobres à vacina, mas o financiamento está aquém do esperado. As doses só começaram a ser distribuídas em fevereiro deste ano. O diretor-geral da organização , Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu repetidas vezes que as nações mais desenvolvidas se comprometam de forma mais séria com a iniciativa.

NA AMÉRICA LATINA

Bloomberg avaliou a situação da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. Nenhum deles está no grupo dos 20 países mais resilientes à pandemia.

O México é o melhor colocado. Está na 34ª posição. Considerando os países da América do Sul, o Brasil só está melhor que a Argentina. Aqui, o pior indicador, de acordo com a Bloomberg, é a taxa de vacinação. O levantamento calcula que, considerando as doses e tipos de vacinas disponíveis no país até 27 de junho, apenas 22,7% da população poderia ser totalmente imunizada.

O quadro real não é muito animados: enquanto pouco mais de 36% dos habitantes receberam pelo menos a 1ª dose, menos de 14% das pessoas receberam a 2ª ou uma vacina de dose única.

A Argentina uma taxa elevada de novos casos: 1.615 a cada 100 mil habitantes no intervalo de um mês. Na semana passada, o país ultrapassou a Croácia e se tornou o 13º com mais mortes por milhão.

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