Massacre em boate gay de Orlando inspira peça premiada que chega ao Rio

Tania Bondezan e Luciano Andrey, em cena da peça 'A Golondrina' Foto: Odilon Wagner / Divulgação

As noites da atriz Tania Bondezan têm terminado com abraços emocionados, lágrimas e confissões de estranhos. Um deles contou que até os 40 anos viveu com os pais, não podia comer o que os outros comiam e, quando comprou um carro, ele foi destruído pelos parentes. Outro disse que passou por “tudo isso” e admitiu ter demorado muito para se aceitar como é. “Tudo isso” são as situações encenadas por Tania em “A Golondrina”, peça do catalão Guillem Clua (leia entrevista abaixo), que após cumprir bem-sucedida temporada em São Paulo, acaba de chegar ao Teatro Sesc Ginástico, no Centro do Rio, onde ocupa o palco por um mês.

Dirigida por Gabriel Fontes Paiva, com cenários e figurinos de Fabio Namatame, e trilha sonora de Luisa Maita, a peça é inspirada no ataque terrorista ocorrido na boate gay Pulse, em Orlando (EUA), em junho de 2016, que deixou 49 mortos e 53 feridos.

Tania dá vida a Amélia, uma professora de canto que perdeu o filho em um ataque homofóbico. O espetáculo aborda o relacionamento que se estabelece entre ela e seu aluno Ramón, interpretado pelo ator Luciano Andrey, que é sobrevivente do mesmo ataque.

— Esse texto me encantou desde a primeira leitura. Ele aborda coisas que deviam ser ditas neste momento de polarização que vivemos no país. Fala de empatia, de aceitação, de amor — conta Tania, que assina a tradução, completa 40 anos de carreira e está indicada ao prêmio Shell SP de melhor atriz pelo trabalho.

Produtor do espetáculo, Odilon Wagner também defende a atualidade do texto:

— O Brasil é o país democrático que mais mata LGBTs. E a homofobia cresceu de forma absurda. É também o país em que, a cada 16 horas, morre uma mulher vítima de feminicídio.

Odilon lembra que a personagem de Tania não aceitava o filho e “havia um silêncio” na relação.

— Com o aluno e os embates, os dois chegam a um lugar de aceitação, quando podiam ter escolhido se odiar. Mas isso não está no discurso, está na emoção. É das peças mais comoventes de que já participei — ele diz.

Na Espanha, onde a história também segue em cartaz, o papel da professora é vivido pela consagrada atriz Carmen Maura, com quem Tania trocou vídeo. Lá, as lágrimas e os depoimentos do público também se multiplicam ao final a trama.

— Carmen pensa em fazer um livro com esses depoimentos — conta Odilon.

Serviço

Onde: Teatro Sesc Ginástico — Av. Graça Aranha 187, Centro (2279-4027). Quando: qui. a sáb., às 19h; e dom., às 17h. Até 16/2. Quanto: R$ 30. Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TV Prefeito