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Mapeamento mostra expansão da milícia no Rio

Dos 163 bairros da capital fluminense, 41 deles estão sob o domínio de grupos paramilitares. É o que aponta pesquisa inédita feita em parceria entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), o datalab Fogo Cruzado; o Núcleo de Estudos da Violência da USP; a plataforma digital Pista News e o Disque-Denúncia. Até o ano passado, as milícias tinham sob seu poder 58,6% da superfície territorial da cidade. Atualmente, quase 2,5 milhões de cariocas vivem sob os olhos dos milicianos.
 
Hoje, será apresentado o mapa com a expansão territorial de cada uma das principais organizações criminosas presentes no estado e o novo cenário de confrontos, no 1º Seminário da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança e Direitos – Milícias, grupos armados e disputas territoriais no Rio de Janeiro. O evento terá transmissão ao vivo pelo Youtube e terá início às 14h.
 
O pesquisador Daniel Hirata, que participou do mapeamento, diz que os grupos paramilitares seguem forte na Zona Oeste. A disputa por território se estende para outras regiões, como a Zona Norte.
 
“A pesquisa durou cerca de um ano e meio. Foram 37 mil denúncias que nos levaram a esse mapeamento. Sabemos como esses grupos atuam, mas o que nos assustou foi essa expansão rápida das milícias. Em tão pouco tempo eles ocuparam um território muito grande”, explica o pesquisador.
 
Das 148 comunidades no Rio, 96 delas estão divididas entre o tráfico de drogas e a milícia. Outras 52 estão sob disputa. “A gente não pode precisar como será esse território em dez anos, mas temos a certeza de que a milícia vai continuar com esse crescimento. Diferente do tráfico, os grupos paramilitares estendem seus ramos de trabalho”, diz o pesquisador.
 
Enquanto a milícia segue avançando na capital, o cenário não é diferente nas cidades da Região Metropolitana. O mapeamento mostra que os paramilitares estão presentes em mais 199 bairros, espalhados pela Baixada Fluminense, São Gonçalo e Itaboraí. As três facções do tráfico juntas somam 246 bairros.
 
Apesar de vários núcleos formados, um dos principais grupos milicianos, a Liga da Justiça, é chefiado por Wellington da Silva Braga, o Ecko, de 34 anos. Ele é o responsável pela expansão desse tipo de crime. O criminoso é foragido da Justiça. O Disque-Denúncia oferece recompensa de R$ 10 mil por informações que levam à sua prisão.
 
“Segundo o mapa, as milícias entram em disputas territoriais violentas e atuam em territórios cada vez mais extensos, onde controlam esses bairros ilegalmente, cobrando taxas extorsivas sobre os mercados de serviços essenciais como água, luz, gás, TV a cabo, transporte e segurança, além do mercado imobiliário”, ressalta Hirata.
 
MILÍCIA X POLÍTICA
 
Investigações da Polícia Civil apontam que é cada vez mais forte a tentativa da milícia entrar na política. Para as eleições municipais desse ano, a instituição montou uma força-tarefa responsável por investigar a ação de grupo paramilitares na indicação de alguns candidatos. 
 
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) vai convocar, a partir de hoje, candidatos às Eleições de 2020 para cargos municipais na Zona Oeste do Rio e na Baixada Fluminense para prestar depoimento. O objetivo é esclarecer um possível relacionamento entre os políticos e a milícia. 
 
Somente neste mês de outubro, dois candidatos à Câmara Legislativa de Nova Iguaçu foram assassinados. Um deles, Domingos Barbosa Cabral, era suspeito de envolvimento com a milícia.  Ambos já haviam sido presos.   

MORTES COMETIDAS POR POLICIAIS CHEGOU A 30% NO ANO PASSADO NO RIO
 
O relatório Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que o Brasil atingiu o maior número de mortes em decorrência de intervenções policiais desde que o indicador passou a ser monitorado pelo órgão, em 2013.

Os Rio de janeiro e São Paulo lideram o ranking, com respectivamente 867 e 1.810 mortes por intervenções de policiais civis e militares no último ano. A cada cem mortes violentas, 13 foram cometidas com a presença dos agentes de segurança. No Rio de Janeiro, essa proporção chegou a 30,3%. 
Vale ressaltar, que no primeiro semestre deste ano, quando o país foi atingido pela crise sanitária da pandemia da Covid-19, as mortes por intervenção policial vitimou 3.181 pessoas. Um crescimento de 6%, comparado ao mesmo período do ano passado.

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