Mais fraco no contra-ataque, Botafogo precisa de paciência para avançar na Copa do Brasil

Faltava a experiência, cadência e visão de jogo principalmente Honda e Bruno Nazário. Os dois jogadores mais criativos do clube não têm mostrado um bom futebol nos últimos jogos, em especial o camisa 10. Sem ter a arma do contra-ataque, por muitas vezes o Botafogo precisou propor o jogo, mas a bola passava de pé em pé de maneira burocrática chegando de uma lateral até a outra, isso com pouca movimentação no preenchido meio de campo.

Essa foi a tática que Paulo Autuori elaborou – provavelmente sem a intenção de ter tanto a bola. É perceptível que o treinador joga com base no que o outro time propõe como filosofia de jogo e acerta ao explorar o erro adversário. Mas além de saber jogar no contra-ataque, o Botafogo precisa aprender a atuar propondo o jogo. Antes do início do Campeonato Brasileiro, o time já mostrou isso com os três jogadores do meio de campo, principalmente com os passes para frente de Caio Alexandre e Bruno Nazário. Mas a impressão é de que algo se perdeu no caminho.

É possível que Autuori resolva jogar da mesma forma contra o Internacional, no próximo sábado, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Nilton Santos. Acontece que se o Colorado não for para cima, o Bota vai precisar mostrar mais criatividade. E isso vai se repetir contra times que prefiram jogar sem a posse de bola e pressionando o adversário.

A vitória e a classificação trazem, sim, um alívio para o Botafogo e isso é claro. Mas tanto a torcida, quanto Paulo Autuori e os jogadores precisam estar atentos à falta de criatividade que o time mostra. Até porque uma vez que o adversário consiga marcar bem Luis Henrique, o clube não tem outra válvula de escape.

Honda também esteve um pouco sumido do jogo e não está em boa fase — Foto: Vitor Silva / Botafogo

Deu bom

  • Gatito Fernández salvou muitas vezes a equipe alvinegra ainda no primeiro tempo. Sufoco poderia ser ainda maior sem as defesas do goleiro paraguaio, que está em grande fase;
  • Conforme Marcinho volta aos treinamentos, Autuori parece ter em Kevin uma opção mais ofensiva pela lateral direita. Ele fez a segunda partida como titular e foi bem nos cruzamentos;
  • Bola aérea do Botafogo tem se mostrado uma boa chance de gol. Foi assim que Marcelo abriu o placar e Kanu acertou a trave.

Deu ruim

  • Contra-ataques do Botafogo não foram tão eficientes quanto antes e como o Paraná não se expunha tanto, acabava por dificultar as chances dos cariocas;
  • Falta de criatividade por vezes irritou a torcida botafoguense. O time trocava passes sem muito esforço de furar a defesa do Paraná e não criava tanto;
  • O meio de campo esteve apagado e sem brilho. Caio Alexandre não conseguiu os bons passes que o alçaram ao time titular, Honda não deu a cadência no meio de campo e Bruno Nazário não deixou os companheiros na cara do gol, são pontos a melhorar quando precisar ter mais a bola.

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