Mais de 70 morrem em onda de violência na África do Sul

Policiais em uma estrada perto de Cato Ridge, na África do Sul, em 14 de julho de 2021 — Foto: Rogan Ward/Reuters

Poucos mercados se arriscam a abrir as portas nesta quarta-feira (14) na cidade de Durban. Faltam vários produtos, funcionários e há longas filas nas portas. Parte da população já enfrenta dificuldades para comprar comida, depois que o comércio foi saqueado em várias cidades nos últimos dias e caminhões foram incendiados em estradas da África do Sul. Muitos desses veículos carregavam mercadorias para abastecer supermercados.

Por conta da crescente violência, diversas empresas seguem com as portas fechadas. Hospitais e postos onde vacinas contra o coronavírus estão sendo aplicadas não funcionam como deveriam, porque muitos trabalhadores não estão conseguindo se locomover, já que não há transporte público circulando nas ruas das cidades onde o caos se instalou.

Até terça-feira (13) à noite, 1.234 pessoas haviam sido presas pela polícia, acusadas de envolvimento nos protestos e saques, que terminaram, também, com a morte de 72 pessoas, segundo as autoridades.

Enquanto ainda não se sabe, ao certo, o tamanho do prejuízo para a já fragilizada economia do país que, atualmente, tem uma das mais altas taxas de desemprego do mundo (32%), um produtor rural teve que jogar fora 28 mil litros de leite na província de KwaZulu-Natal. Segundo a imprensa local, Rob Stapylton-Smith disse que não teve como entregar o produto aos clientes e o leite acabou estragando. Foi nessa província que os protestos começaram, na sexta-feira (9), conduzidos por apoiadores do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma, preso na semana passada, aos 79 anos.

Militar mantém guarda próximo a suspeitos de saque do lado de fora do shopping Diepkloof, em Soweto, na África do Sul, em 13 de julho de 2021, após à prisão do ex-presidente Jacob Zuma — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters
Militar mantém guarda próximo a suspeitos de saque do lado de fora do shopping Diepkloof, em Soweto, na África do Sul, em 13 de julho de 2021, após à prisão do ex-presidente Jacob Zuma

Considerado um herói por muitos negros por ter lutado ao lado de Nelson Mandela contra o apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país até o início dos anos 1990, Zuma foi presidente da África do Sul entre 2009 e 2018, período em que viu seu idolatrado nome passar a estampar manchetes sobre escândalos de corrupção. Ele venceu duas eleições, mas não terminou o segundo mandato. Alvo, na época, de quase 20 processos, foi forçado pelo partido Congresso Nacional Africano (o mesmo de Mandela) a renunciar ao cargo, tendo sido sucedido pelo vice, Cyril Ramaphosa, atual presidente do país.https://fe0c8cffaa6d89a8e1015f3f58369cb3.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Pena por corrupção

Zuma recebeu uma pena de 15 meses de prisão por não ter prestado esclarecimentos a uma comissão judicial que investiga denúncias graves sobre um esquema de corrupção no governo dele. A investigação ficou conhecida como a “captura do Estado”. A decisão de mandar prender o ex-presidente foi do Tribunal Constitucional, a corte mais alta da África do Sul.

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