Macron admite “responsabilidade” da França no genocídio de 1994 em Ruanda

O presidente da França, Emmanuel Macron, admitiu nesta 5ª feira (27.mai.2021) a “responsabilidade avassaladora” da França no genocídio ocorrido em Ruanda em 1994. Ao todo, foram 800 mil mortos em 100 dias, de abril a julho daquele ano. O massacre foi promovido pela etnia hutu, que, na época, era apoiada pelo governo francês.

“Só aqueles que conseguiram atravessar a noite podem, talvez, perdoar, nos dar esta dádiva do perdão”, acrescentou Macron durante discurso no Memorial Gisozi em Kigali, capital da Ruanda. No local, estão enterradas 250 mil vítimas da etnia tutsi, mortas em 1994.

Macron afirmou ainda que seu país não foi “cúmplice” no massacre, mas que a França falhou “ao ignorar os avisos dos observadores mais lúcidos”. O discurso se assemelha ao Relatório Duclert, documento encomendado pelo governo francês e publicado em março deste ano.

O relatório admite a responsabilidade francesa, mas nega qualquer cumplicidade. Foi elogiado por Paul Kagame, atual presidente da Ruanda. Ele liderou a rebelião tutsi que encerrou o genocídio de 1994.

A expectativa é que a relação entre os dois países seja normalizada e que um embaixador francês seja nomeado para a Ruanda. O cargo está vago desde 2015.

O GENOCÍDIO

O genocídio foi desencadeado pela morte do então presidente ruandês, Juvénal Habyarimana, da etnia hutu, durante um atentado de avião. A autoria do ataque foi atribuída a um grupo de tutsis.

Os tutsis tinham comandado o país até 1959, mas foram subjugados pelos hutus e se tornaram a minoria em Ruanda. Sob o argumento da suposta responsabilidade pelo atentado, os hutus começaram os assassinatos organizados dos tutsis.

A etnia conseguiu reverter a situação com o apoio de Uganda, onde muitos tutsis tinham se refugiado quando os hutus tomaram o poder. Cerca de 2 milhões de hutus se fugiram para a República Democrática do Congo, temendo represálias.

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