Lojistas de Petrópolis, RJ, denunciam ameaças de pessoa que se diz ligada a delegado preso por esquema de propinas

Lojistas do maior centro comercial ao ar livre do Rio de Janeiro, a Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana, denunciaram que estão recebendo ameaças por telefone de alguém que diz integrar o grupo que seria liderado pelo delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, preso nesta semana por suspeita de um esquema de propinas no polo de moda.

De acordo com a Arte (Associação da Rua Teresa), pelo menos cinco lojistas receberam ligações de uma pessoa que pede o depósito de R$ 1.500,00 para não vandalizar ou fechar a loja.

G1 conversou com o delegado titular da 105ª DP de Petrópolis, João Valentim, e, segundo ele, nenhum registro de ocorrência foi feito até então.

“Tudo indica estelionato contra os comerciantes, mas ninguém compareceu para comunicar. Trata-se de um crime de ação penal pública, que depende de representação”, comentou.

A Arte procurou a delegacia, que orientou que os lojistas denunciem os fatos na DP. Em nota, a associação disse que repassou a orientação, já que o registro não pode ser feito pela Associação.

Ainda de acordo com a Arte, os lojistas que receberam as ligações têm fabricação própria e não estão envolvidos com a investigação que levou a prisão do delegado Maurício

A operação

A Operação Carta de Corso foi deflagrada na última quarta-feira (30), com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que atuou dentro da própria Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial, da Polícia Civil do Rio, de março de 2018 a março deste ano.

Delegado Maurício Demétrio foi preso e levado para a Chefia de Polícia Civil, no Centro do Rio — Foto: Henrique Coelho / G1

Segundo o MP,quem comandava a organização era o então delegado titular, Maurício Demétrio, e, além dele, outros policias civis e um perito criminal também estão envolvidos.

As investigações apontam que os suspeitos exigiam que os lojistas da Rua Teresa pagassem propina para permitir a comercialização de roupas piratas. Com o esquema, eles teriam arrecadado pelo menos R$ 1 milhão em propina.

Parte do grupo seria responsável por ameaçar os comerciantes e recolher os valores, e outra parte era responsável por subverter a estrutura da Polícia Civil, executando diligências policiais como forma de represália aos lojistas que não pagavam propina.

As investigações do MP também apontam que os investigados chegaram a forjar provas e produzir laudos falsos, e poderão responder pelos crimes de organização criminosa, concussão, obstrução de justiça, inserção de dados falsos em sistema, emissão de laudo falso e lavagem de dinheiro.

As penas mínimas somadas superam os trinta anos de reclusão e a condenação leva a perda do cargo público.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Preso nega acusações

Segundo o MPRJ e a Corregedoria da Polícia Civil, a DRCPIM chegou a deflagrar uma operação forjada para deter justamente o delegado que investigava o esquema de Demétrio.

O delegado negou as acusações e se disse ‘tranquilíssimo’. “Não existe nada forjado. Dinheiro declarado no meu imposto de renda, inventariado, herança da minha mãe. Meus carros foram comunicados à Corregedoria”, declarou.

O papel da DRCPIM é investigar justamente a pirataria e a violação de direitos autorais.

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