Livre no mercado, Dedé analisa futuro, lesões, Rogério Ceni e rebaixamento do Cruzeiro

Depois de quase dois anos sem vestir a camisa do Cruzeiro, o zagueiro Dedé conseguiu na Justiça a rescisão de contrato após selar um acordo de quase R$ 17 milhõescom o clube mineiro. Livre no mercado, agora ele conversa com equipes interessadas para voltar a atuar em campo.

Nesta semana, o jogador quebrou o silêncio e conversou com a reportagem do Esporte Espetacular, em Volta Redonda, cidade em que mora com a família, no Sul do Rio de Janeiro. Comentou sobre as lesões que marcaram a carreira, a polêmica com Rogério Ceni, o desejo de atuar ainda neste ano e o rebaixamento com o Cruzeiro em 2019.

“Foi a maior tristeza da minha carreira. Mais que minha lesão”

Pelo Cruzeiro foram quase oito anos, sete títulos (duas Copas do Brasil, dois Campeonatos Brasileiros, e três Campeonatos Mineiros), entre convocações para a Seleção.

O que eu tenho de sentimento pelo clube é uma coisa muito grande, inexplicado, que vai ficar marcado pro resto da minha vida, dentro do meu coração. É o clube que eu vou amar, amar mesmo como eu amo, eternamente.

Livre no mercado, Dedé quebrou o silêncio e disse que espera disputar o Campeonato Brasileiro neste ano — Foto: Reprodução/TV Globo

Vai para qual time?

Sondado por alguns clubes após conseguir a rescisão com o Cruzeiro, Dedé segue treinando e na expectativa de voltar a campo. O zagueiro acaba de completar 33 anos. Desde abril do ano passado vive uma intensa rotina de recuperação e treinos.

Na última semana, Dedé voltou a jogar futebol. Ele disputou um jogo-treino, que contou com outros atletas profissionais, no Rio de Janeiro. Garantiu estar recuperado completamente e que pretende jogar ainda neste Brasileirão, mesmo que assinando um contrato de produtividade.

– Pretendo jogar esse Campeonato Brasileiro. Eu estou pronto. Pegar o ritmo de clube ali, de intensidade, profissional, trabalhar com uma equipe. Viver momentos com atletas, de concentração, conversas com treinadores. Eu acho que isso vai antecipar a minha performance, a minha forma física vai elevar muito mais – disse o zagueiro.

Rogério Ceni

Um dos episódios mais polêmicos do zagueiro – e de outros experientes jogadores do Cruzeiro – foi o desentendimento com o então técnico do Cruzeiro, Rogério Ceni (demitido do Flamengo nesse sábado). Na época, Dede cobrou uma participação maior de jogadores experientes nos jogos, como Thiago Neves. O fato culminou com a saída de Ceni do time mineiro.

– O Rogério não entendeu, que eu queria ajudar ele. No momento, ali, a gente fica eufórico na situação, mas eu tentei ajudar, tentando trazer a galera ali que tava meio que encostada, que havia brigado. Eu odeio ver injustiça, por mais que um tenha motivos para brigar um com outro, eu tento amenizar. Foi o que tentei, e a reposta foi negativa para cima de mim.

Rogério Ceni deixou o Cruzeiro após um desentendimento no vestiário — Foto: Vinnicius Silva

Treinando no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, onde Rogério Ceni estava trabalhando, Dedé revelou que mandou uma mensagem para o ex-técnico quando começou a fazer as atividades de recuperação por lá. Para Dedé, ficou tudo resolvido.

– Eu mandei uma mensagem só pra ele, mas não foi nem questão de pedir desculpa, nem questão de desentendimento. Foi mais uma questão que tive, no tratamento ali do Flamengo, se teria problema e tal. E ele me respondeu na boa. Então, eu acho que também coração dele tá limpo comigo. Se tiver uma oportunidade de conversar assim com ele sobre tudo, eu vou conversar, porque eu sou da paz, né?

Lesões

Durante a longa passagem pelo Cruzeiro, Dedé teve quatro lesões significativas. Passou por quatro cirurgias: três no joelho direito e uma no esquerdo. A última em 2020, três meses depois do rebaixamento do Cruzeiro e após não se recuperar com um tratamento convencional.

Em meio ao tratamento convencional, vazaram imagens do zagueiro dançando e saltando na festa de aniversário da esposa.

– Muitos torcedores me viram me entregar, assim, comer grama mesmo, jogar machucado, ir pro campo arrebentado, jogar mancando até em 2019 mesmo. Eu já tava com o joelho no risco máximo podendo colocar em risco, em conta, a minha carreira pra tentar ajudar o clube. Me chamar de ingrato, de mau caráter, isso é triste.

Dedé deixa o jogo contra o Corinthians, com dores no joelho direito, aos 12 do primeiro tempo — Foto: Marcelo Braga

– Em Belo Horizonte tem muito torcedor que me rotula assim. Me chama de mau caráter, ingrato. Questão de chinelinho e tal. Eu sei que tudo que aconteceu comigo foram coisas graves, não foram coisas de querer deixar de jogar, por estar com uma contratura na perna. Isso nunca rolou comigo.

Rebaixamento

Na campanha de 2019, quando o Cruzeiro vivia uma grave crise política, financeira e institucional, Dedé não participou da reta final do Brasileirão daquele ano. O jogador disse que não guarda consideração de quem, recentemente, passou pela gestão do clube.

“Sou grato demais ao clube, serei sempre grato ao clube, mas pessoas que trabalham no interno do clube, né, nesse final, não têm nada a ver com a minha identificação com as cinco estrelas, que é do Cruzeiro”. (Dedé).

Para o jogador, era possível evitar o rebaixamento.

“Poderia ser evitado (rebaixamento). Como? Ah, cara, por união ali. Não por atletas, não por dirigente. mas as coisas que estavam acontecendo por fora, questão de um querer o mal do outro e tal…prejudicou muito o clube”.

Dedé disse que poderia ter sido útil na reta final da temporada de 2019, quando o Cruzeiro foi rebaixado — Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Dedé considera que poderia ter sido muito útil na reta final da campanha de 2019

– Eu acho que na reta final ali, eu poderia ajudar muito, só que eu machuquei. Mas foi triste por tudo que eu passei, ver um clube que é o Cruzeiro no estado que tava, pessoas, que poderiam ajudar naquele momento, atrapalhando. Falei: “Cara, eu entrei aqui era uma coisa só, era só um clube, tudo com mesmo foco, com mesmo objetivo e hoje tá isso” – disse Dedé.

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