Limpa Rio em Magé: perspectiva do fim de inundações

Desde que começou a pescar, há 30 anos, Marcelo Rodrigues (na foto, de camiseta), de 44, sonha com a limpeza do Canal Magé e do Rio Roncador, locais na cidade de Magé, na Baixada Fluminense, de onde tira o sustento de sua família. Na semana passada, o pescador voltou a ter esperança de dias melhores e mais peixes na sua rede.

– Vendo tainha e pescadinha para atravessadores e para o consumidor final. Atravesso o canal todos os dias. Tem muito mato, muito lodo, muito sedimento que dificulta a passagem dos barcos – afirmou Marcelo.

Na quinta-feira, dia 11, o Instituto Estadual de Ambiente (Inea) deu início aos trabalhos de desassoreamento do Canal Magé. A intervenção, que também atenderá ao Rio Roncador, faz parte das iniciativas do programa Limpa Rio e deve ser concluída em até seis meses. As intervenções vão beneficiar, entre outros, quem sobrevive da pesca na região, já que o canal é usado para que barcos tenham acesso à Baía de Guanabara.

Outro morador do município, o comerciante Jorge Nunes (na foto abaixo, de máscara camuflada), de 34 anos, sempre ouviu falar dos transbordamentos do Canal Magé. De geração em geração, praticamente todos na família Nunes sofreram com o aumento do nível das águas ocasionado por chuvas intensas e pelo movimento da maré na Baía de Guanabara. Agora, Jorge já tem uma perspectiva de não precisar mais conviver com esses problemas.

Dono de um bar e distribuidora de bebidas às margens do canal, Nunes conta que teve que fazer uma obra para elevar o piso do estabelecimento e evitar inundações que poderiam fazê-lo perder móveis e mercadorias. 

– Aqui sempre encheu. Meu pai sofreu muito com isso. Aí, decidi fazer a obra – disse Nunes. 

A lama formada pela água transbordada do canal também dificulta a rotina de trabalho de quem reside na área. Sair de casa só é possível com sacos plásticos nos pés.  

– Quando chove muito e também por conta da maré alta alaga tudo. Acredito que essa obra vai ajudar muito – diz a diarista Vânia Macedo Torres (foto abaixo, de blusa estampada), de 50 anos. 

Com 3,5 quilômetros de extensão, o Canal Magé deságua no Rio Roncador, de 2,5 quilômetros, que desemboca na Baía de Guanabara. No total, serão retiradas 70 mil toneladas de sedimentos, sendo 30 mil apenas do Canal Magé.  

– Nosso objetivo é atuar de forma preventiva meio do Limpa Rio. O programa cumpre um papel fundamental para evitar enchentes e transbordamentos de rios, canais e córregos. Mas é sempre importante frisar que a população precisa fazer a sua parte e não jogar lixo nos rios – explica o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Thiago Pampolha.

Desde o início do ano, o Inea realiza intervenções em mais de 20 corpos hídricos de 16 cidades: Seropédica, Nova Friburgo, Teresópolis, Duque de Caxias, Japeri, Rio de Janeiro (Bangu), Itaguaí, Rio Bonito, São Gonçalo, Itaboraí, Quissamã, Três Rios, Belford Roxo, Cordeiro, Itaocara e São João de Meriti. Em 2020, Inea removeu 1,198 milhão de sedimentos de 79 rios e canais localizados em 20 cidades fluminenses.

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