Lasso toma posse como presidente do Equador e promete vacinar metade da população em cem dias

Em um discurso de mais de uma hora, com fortes críticos aos governos anteriores, o ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso foi colocado nesta segunda-feira como presidente do Equador para um mandato de quatro anos , substituindo Lenín Moreno. No discurso, Lasso prometeu começar um ousado plano de vacinação, que imunizaria nove milhões de pessoas, ou seja, metade da população equatoriana, nos primeiros cem dias de governo, e pôr fim à “era dos caudilhos”, em referência ao ex-presidente Rafael Correa, radicado na Bélgica.

– Entra em vigor agora o mesmo um plano nacional onde iremos vacinar 9 milhões de equatorianos nos primeiros cem dias de governo. Com isso contamos com a ajuda da comunidade internacional, com todas as vacinas que sejam possíveis, porque a vacina não tem ideologia. Vacinaremos sem descanso, porque o vírus não descansa – afirmou.

Com uma população de 18 milhões de pessoas, o Equador é o sétimo país da América Latina em número de casos (418.851) e mortes (20.193), de acordo com uma contagem da AFP. Até agora, apenas 6% da população foi imunizada com duas doses. Para colocar em ação seu plano ambicioso, Lasso teria procurado a Rússia e a China para comprar vacinas e colocar um agente farmacêutico, Carlos Cueva, a cargo do programa.

O presidente, um milionário de 65 anos e pai de cinco filhos, é o primeiro conservador eleito para governar o Equador em quase duas décadas. Em seu discurso, ele também criticou por várias vezes os governos anteriores . Sem citar diretamente Correa ou Moreno, anunciou o fim da era dos caudilhos no país:

– Neste governo, que nasce hoje, neste século novo de republicanismo, termina uma era dos caudilhos – disse. – Reivindicamos esse dia para recuperar a alma democrática desse país, que começa pelas coisas mais básicas: começa por não acumular mais poder na figura do Presidente da República. Depois de mais de dez anos de autoritarismo, aprendemos a mais grande lição democrática: que não existe democracia sem a participação dos cidadãos.

Apesar das críticas, no entanto, Lasso também afirmou que não perseguiria ou calaria seus adversários.

– Governaremos para todos, não a favor de um setor privilegiado, e nem contra niguém. Que os ideiais democráticos sirvam para reconstruir um país diverso onde todos têm espaço. Esse círculo vicioso acaba aqui – afirmou. – O Equador precisa significar uma promessa de equilíbrio na vida comum, equilíbrio entre as causas de seu povo, equilíbrio entre o crescimento econômico e a justiça social. Dois fundamentos que serão os alicerces de um país próspero e igualitário.

Cultura da reconciliação

Laço foi empossado pela presidente da Assembleia Nacional, Guadalupe Llori, deputada do Pachakutik eleita com o apoio do partido do presidente, o Movimento Criando Oportunidades (Creo), à direita. O apoio o líder indígena Yaku Pérez, terceiro lugar no pleito, a deixar o Pachakutik, braço político da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), dias depois.

Em seu discurso, antes de empossar Lasso, Llori também fez críticas indiretas a Correa, quem acusa de persegui-la politicamente.

– Este é um dia histórico, porque depois de mais uma década se respira a liberdade democrática e uma mudança de poder. A Assembleia Nacional e o Executivo não serão governados por pessoas da mesma linha política, mas começamos a reconstruir a cultura de reconciliação do Equador – disse a deputada. – A palavra “esquerda” não é má, a palavra “direita” não é má. O perigo está na corrupção, no autoritarismo, na discriminação e na xenofobia. Perigosa é a palavra dogmatismo.

Apesar do discurso conciliatório, no entanto, o novo presidente encontrará dificuldades para aprovar medidas no Congresso com poucos aliados e liderado pelo Pachakutik, que se opôs diversas vezes a projetos dos setores de mineração e petróleo.

Na política externa, Lasso quer aumentar a pressão por acordo de livre comércio com seus maiores aliados e antecipar que o país pretende entrar na Aliança do Pacífico o mais rapidamente possível. Para tentar conter a crise agravada pela pandemia, o novo presidente ainda prometeu novos investimentos do setor privado e pedir uma revisão do acordo de US $ 6,5 bilhões do FMI para suavizar alguns de seus termos.

– A partir de agora os convocamos para iniciar uma reativação econômica sem medo. Aqui está a oportunidade esperada, mostrar que sem perseguições vocês estão prontos para colocar seus recursos a serviço da sociedade equatoriana.

Conservador da Opus Dei, o político também prometeu medidas para acabar com o preconceito de gênero e defesa um governo laico, mas promovendo uma “reconciliação entre o Estado e as igrejas”:

– A luta pela igualdade de gênero não é só das mulheres. É um problema nacional que deve ser abordado pelo governo equatoriano. Quando o afeta mais uma mulher do que um homem, quando uma mulher ganha menos que um homem, ou quando uma mulher é agredida, sofremos todos. Somos menos livres e menos justos. Colocaremos em prática todas as políticas necessárias para garantir que isso acabe.

Participaram da mensagem os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro ; da República Dominicana, Luis Abinader; e do Haiti, Jovenel Moise, assim como do rei da Espanha, Felipe VI. A Secretaria de Comunicação havia antecipado a presença na posse dos presidentes da Colômbia, Iván Duque; do Chile, Sebastián Piñera; e do Uruguai, Luis Lacalle Pou. Eles não compareceram.

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