Jovem de Mesquita conquista título de melhor barbeiro do estado do Rio de Janeiro

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Ele começou a cortar cabelo aos 13 anos. Ao ver o tio trabalhando, ficava admirado com a habilidade e os desenhos nas cabeças. Quando não tinha ninguém por perto, pegava a máquina escondido para cortar o cabelo dos irmãos, conta Rafael Machado da Silva, de 29 anos. Mais conhecido como Raffinha Barber, o barbeiro toca um salão com o irmão em Mesquita, na Baixada. No domingo, ele ganhou a fase estadual do World Barber Championship que aconteceu na Barbearia do Zé, em Copacabana, sendo eleito o melhor barbeiro do Rio de Janeiro. Rafael disputou com outros 26 profissionais, da capital e das regiões Metropolitana, Norte Fluminense e dos Lagos. Dentre eles, muitos nomes conhecidos no meio.
— Estava competindo com pessoas que são referências para mim. Admiro muito o trabalho dos caras — diz Rafael, que se classificou para etapa nacional, marcada para 14 de abril em São Paulo, quando os melhores de outros 20 estados brasileiros vão disputar o título brasileiro.
A Barbearia do Raffinha fica na Rua Manaus 37, no bairro Coreia, periferia da cidade. A distância entre o salão alugado de 18 metros quadrados e Copacabana, onde a competição ocorreu, não é nada perto do caminho percorrido pelo jovem barbeiro, um entre dez irmãos. Sem qualquer formação técnica além do ensino médio concluído, aprimorou-se na arte da barbearia experimentando no cabelo de amigos, inventando novos estilos e brincando com a vizinhança.
— Não tenho uma técnica ou corte específico. Parece que é Deus agindo na minha mão mesmo — diz Rafael.
Além de dom, incentivo não lhe falta. Foi com o primeiro filho, Cauã, que hoje tem 10 anos, que veio a percepção do ofício como sustento da família. Além dele, o caçula de 6 anos e sua mulher, Michele, são os maiores incentivadores. O primeiro curso na área veio há apenas dois anos. Com o crescimento do segmento, workshops e capacitações se popularizaram, e ele foi em busca de especialização.
— Também via muita coisa na internet, mas sempre fui muito corajoso. O que mais chama minha atenção nessa profissão é a liberdade que tenho para criar — diz, empolgado com os próximos capítulos de sua história: — Vou representar o Rio em São Paulo, e isso significa muito para mim. Pretendo dar meu sangue, o máximo do máximo, pois quero trazer esse troféu para cá, rumo a Portugal.
Quem conquistar o campeonato brasileiro disputará o mundial com barbeiros de nove países — Argentina, Peru, Colômbia, Estados Unidos, Portugal, Itália, França e Espanha — em Lisboa, em 30 de junho.
Avaliador faz o cabelo de atletas do Flamengo
Os jurados Clayton Guimarães e Everson Perninha, profissionais mundialmente reconhecidos, levaram em conta acabamento, simetria, fade (técnica de corte masculino com efeito de degradê), harmonia, estilo livre e finalização. Perninha é responsável pelo corte de cabelo dos jogadores do Flamengo e acompanhou a seleção na Copa da Rússia, em 2018. Perninha analisou a evolução do campeão estadual ao longo da prova.
— Julgamos o que o barbeiro oferece, se usou material adequado, se trocou a gilete… Raffinha arrasou na prova — diz.
Rafael tinha motivos a mais para ficar nervoso. O amigo que havia combinado de ser seu modelo faltou no dia da competição. Para não ser desclassificado, o barbeiro foi às ruas procurar alguém com disposição.
— Ganhei o meu dia! — diz Rafael, lembrando que encontrou um turista mineiro simpático que botou o cabelo para jogo.
Rogério Rodrigues, diretor e produtor do campeonato, aposta no potencial da profissão.
— O ramo da barbearia cresceu. É uma profissão relativamente simples de iniciar que possibilita geração de renda para aqueles que se dedicam. Agora o concurso terá repercussão internacional — entusiasma-se.

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