Itália reabre bares, restaurantes, cinemas e museus; governo anuncia grande plano econômico

Bares, restaurantes, cinemas, museus e salas de concertos reabrem as portas a partir desta segunda-feira (26) na Itália, e o governo apresentou um plano “colossal”, financiado pela União Europeia, para estimular a economia.

Após meses de restrições no país, devido ao alto patamar do número de mortes na segunda e terceira ondas da Covid-19, a população espera que a reabertura seja irreversível e represente o início de uma vida normal.

Quase 140 mil estabelecimentos comerciais foram autorizados a voltar a funcionar na maioria das 20 regiões italianas. Cafeterias e restaurantes poderão abrir para almoço e jantar, mas apenas nas áreas ao ar livre e até o início do toque de recolher, às 22h.

“Finalmente”, disse Daniele Vespa, garçom de 26 anos do restaurante Baccano, próximo da turística Fontana di Trevi, em Roma. “É o começo do retorno à normalidade, tomara que também acabem com o toque de recolher”.

Itália é um dos países mais afetados do mundo pelo novo coronavírus, com mais de 119 mil mortes e 3,9 milhões de casos confirmados.

Pessoas almoçam ao ar livre em restaurante no canal Navigli, em Milão, no dia em que grande parte da Itália avança para a 'zona amarela' de restrições contra a Covid-19 nesta segunda (26) — Foto: Flavio Lo Scalzo/Reuters

Pessoas almoçam ao ar livre em restaurante no canal Navigli, em Milão, no dia em que grande parte da Itália avança para a ‘zona amarela’ de restrições contra a Covid-19 nesta segunda (26) — Foto: Flavio Lo Scalzo/Reutershttps://18fc8a6b8db90df41ce623aa1bab21b1.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

‘Risco calculado’ na reabertura

O toque de recolher, que pode ser prolongado durante os meses mais quentes de julho e agosto, e é uma das medidas que mais provoca discórdia no país.

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, tem respeitado o conselho de especialistas e cientistas, que recomendam a medida para evitar o aumento de contágios, hospitalizações e mortes.

Mas o líder de extrema-direita Matteo Salvini, um aliado incômodo do governo, pressiona pela reabertura de tudo e o fim das restrições.

Draghi, economista e ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), virou primeiro-ministro em fevereiro e disse ter assumido um “risco calculado” com a reabertura da economia.

Ele também afirmou as medidas dependerão do respeito aos protocolos de segurança e do avanço da campanha de vacinação no país.

Mario Draghi, primeiro-ministro da Itália, durante entrevista coletiva em Roma — Foto: Yara Nardi/Pool via Reuters

Mario Draghi, primeiro-ministro da Itália, durante entrevista coletiva em Roma — Foto: Yara Nardi/Pool via Reuters

Cinema aberto às 6h

Fechadas há seis meses, as salas de cinema aproveitaram cedo a reabertura. O cinema Beltradde abriu as portas às 6h em Milão para uma sessão inédita para 82 pessoas.

“Tenho muita curiosidade de sentir o público de uma sala de concertos”, confessou o maestro Antonio Pappano, que vai dirigir nesta segunda uma apresentação da orquestra Santa Cecília em um auditório de Roma.

A Itália, com uma população de 60 milhões de habitantes, está administrando quase 350.000 doses de vacinas por dia, mas com fortes disparidades entre as regiões.

– 222,1 bilhões de euros -Paralelamente, a terceira maior economia da zona do euro, que perdeu no ano passado um milhão de postos de trabalho e registrou queda do PIB de 8,9%, será submetida a uma verdadeira terapia de choque graças aos fundos para a recuperação econômica destinados pela UE.

A Itália vai receber a maior parte do fundo europeu, 191,5 bilhões de euros (231,6 bilhões de dólares) em subsídios e empréstimos e planeja usar recursos nacionais de mais de 30 bilhões de euros (mais de 36,2 bilhões de dólares) para um total de 222,1 bilhões de euros (268,6 bilhões de dólares).

Para obter o dinheiro inesperado, o governo teve que elaborar um plano de gastos detalhado, que será apresentado nesta segunda-feira ao Parlamento e enviado antes de sexta-feira à União Europeia.

Entre as prioridades estão a reforma de boa parte das infraestruturas, uma verdadeira modernização do país, que inclui a renovação e construção de novas ferrovias, estradas e portos.

Outro ponto importante será a transição ecológica, projetos de energia com hidrogênio e fontes renováveis, assim como a digitalização do país.

Para reduzir a brecha entre o norte desenvolvido e o sul pobre da península, entre homens e mulheres, entre gerações, a Itália preparou um plano colossal, que representa um desafio para um país que não cresce há vários anos.

Draghi precisa estimular em cinco anos um notável crescimento do PIB e, ao mesmo tempo, lidar com a classe política, que até o momento não mostra a união necessária ante o desafio histórico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: