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Ioeb 2021 mostra que Petrópolis tem situação “crítica” na educação

A quarta edição do Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb), revelada neste mês de outubro, mostrou que Petrópolis não avançou no trabalho para dar mais oportunidades para crianças, adolescentes, jovens e adultos que estudam no município. O estudo, que acontece a cada dois anos, mostrou em 2021 um recuo para mesma nota de quatro anos atrás: 4,6. O índice é menor do que as médias estadual (4,9) e nacional (5,03), e a combinação desses fatores – diminuição da nota e resultado abaixo do alcançado pelo Rio e pelo país – significa que a cidade estás em situação “crítica”. Os dados são de 2019, ou seja, antes da pandemia.

Quanto mais oportunidades para que as pessoas estejam na escola e tenham acesso a boas condições de estudo, melhor vai ser o sucesso educacional dela. Estar em situação “crítica”, de acordo com o Ioeb, quer dizer que Petrópolis é uma das cidades que “oferecem menores oportunidades educacionais a suas crianças e adolescentes e não têm conseguido avançar, indicando que ainda há muito trabalho a fazer”.

Esse levantamento é feito pela Comunidade Educativa CEDAC, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que trabalha desde 1997 pela melhoria das condições de aprendizagem nas redes públicas. Ela conta com parceria técnica de duas consultorias (Meta Social e Conhecimento Social) e apoio do Itaú Social, Instituto Natura, Fundação Roberto Marinho, Instituto Humanize e do Centro de Liderança Pública (CLP).

Ioeb busca mensurar mais do que apenas desempenho dos alunos

Para chegar na nota do município, são levados em consideração diversos fatores que vão muito além da avaliação do conhecimento do aluno.

Enquanto o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) verifica a qualidade da educação com base no fluxo escolar e no desempenho dos estudantes, o Ioeb busca avaliar todo o ecossistema da educação. O índice contabiliza, por exemplo, a escolaridade dos docentes, a jornada escolar, a experiência dos diretores, o atendimento da educação infantil, a taxa de matrículas no ensino médio, além dos resultados apresentados no Ideb. Essa ampliação da forma de analisar o contexto da educação é proposital.

“O desempenho dos estudantes, como mede o Ideb e a Prova Brasil, é o final do processo, que depende da escola, do ensino que ele teve, mas que depende muito dos próprios estudantes. Enquanto isso, o Ioeb está preocupado com a contribuição que o sistema educacional deu para os estudantes”, explica um dos idealizadores do Ioeb, Reynaldo Fernandes.

Ele também destaca que o Ioeb busca trazer um retrato com ênfase na cidade ou no estado.

“O foco dele é no território, municípios e estados. Ou seja, o prefeito e o secretário de educação têm que estar olhando para todos os estudantes do município, independente se eles estão na rede do município ou não. Então o objetivo é trazer essa perspectiva de uma avaliação do município, trazendo a responsabilidade para os gestores do município ou do estado”, afirma. Reynaldo Fernandes considera importante essa forma de olhar para a educação porque obriga gestores a não olhar somente para dentro da rede, mas também para quem está fora da escola.

Resultados em Petrópolis

A nota do Ioeb vai de zero a 10. Quanto mais alta, mais amplo é o conjunto de fatores que favoreceram a educação desses estudantes. Para chegar às notas, são usadas apenas informações de fontes oficiais, como o IBGE, o Censo Escolar e o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

Na primeira edição, em 2015, Petrópolis teve nota 4,4. Dois anos depois, o resultado passou para 4,6. Na edição seguinte, em 2019, o índice foi 4,7. Agora, em 2021, o município retrocedeu para o mesmo nível de 2017.

No estado do Rio, o Ioeb avançou na série histórica: 4,1 (2015), 4,6 (2017), 4,8 (2019) e 4,9 (2021). Mesmo panorama do país: 4,54 (2015), 4,65 (2017), 4,85 (2019) e 5,03 (2021).

A composição desse índice é feita com resultado do desempenho dos estudantes (medido pelo Ideb) e com indicadores que sintetizam “insumos de educação”: proporção de docentes com nível superior, duração da jornada escolar, proporção de diretores estáveis na mesma escola por três ou seis ou mais anos e proporção de crianças entre quatro e seis anos matriculadas na educação infantil.

Em 2021, o melhor fator em Petrópolis é a escolaridade dos docentes, que tem nota 9,1. A mais baixa é a jornada, apenas 2,1.

O Diário procurou a Secretaria de Educação para saber quais ações estão sendo tomadas para melhorar a área. A pasta disse que a preocupação, neste momento de retorno das atividades escolares no pós-pandemia, é cuidar de toda a rede e comunidade escolar. A secretaria está reorganizando o seu Núcleo Pedagógico, que vai contar com todas as áreas da educação. Também serão criados núcleos de capacitação e células de formação nas unidades escolares da rede para atender a todo o município. Além disso, já foi iniciado um mapeamento para identificar as boas práticas, que serão levadas para toda a rede.

O foco da secretaria é ouvir toda a rede municipal de ensino, implantar a política de portas abertas, capacitar todos os colaboradores, repensar e refletir sobre as práticas educativas, que devem estar alinhadas aos desafios dos nossos tempos. O estímulo do pensamento crítico, da criatividade, da convivência, o domínio das mais diversas linguagens, além do bom uso da nossa língua, são ações que receberão atenção especial.

Outro ponto importante é a real descentralização da secretaria, um trabalho que precisa da participação de todas as pessoas envolvidas na comunidade escolar: pais, responsáveis, colaboradores, educadores, professores e equipe de gestão. “Vamos trabalhar para que as crianças do município tenham uma educação de qualidade e que possamos melhorar em todos os índices. O principal nós já temos, que é uma equipe de diretores, professores, educadores e colaboradores aguerrida e engajada”, afirmou o secretário de Educação, José Luiz de Souza Lima.

O Diário também procurou a Secretaria de Estado de Educação, que não respondeu até o fechamento desta reportagem.

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