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Internações de idosos com mais de 80 anos por covid sobem em SP e RJ

As internações de pessoas com mais de 80 anos por covid-19 nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro registraram alta no começo de julho, pela primeira vez desde o fim de março, mostra um monitoramento feito pelo Grupo de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

O pesquisador responsável pelo estudo, Leonardo Bastos, afirma que no Rio de Janeiro também foi observado aumento das internações de idosos entre 60 e 79, o que não ocorreu em São Paulo.

“Essa subida não acontece nas faixas etárias mais jovens, mas está acontecendo nas faixas mais idosas, em particular de 80 [anos] ou mais, que está até pior do que a curva anterior.”

A curva de mortes de idosos, acrescenta o pesquisador, não havia apresentado alta até o começo de julho.

“Uma coisa interessante é que isso não ocorre em óbito. Pode ser que a vacina seja mais efetiva para [proteger] óbito, isso é plausível, pode ser verdade, e pode ser também que essas internações ainda não evoluíram a óbito. Podem ser também as duas coisas ao mesmo tempo.”

Mas uma coisa é certa na avaliação de Bastos: essa interrupção da queda de internações de idosos deve servir como alerta para autoridades, principalmente para que seja identificado o motivo.

Uma das hipóteses para isto pode estar associada à queda da imunidade conferida pela CoronaVac, vacina aplicada na grande maioria dos idosos no começo da campanha. 

Estudos na China e no Chile apontam para uma redução do nível de anticorpos após seis meses em indivíduos que receberam a CoronaVac.

Um artigo feito no Brasil, publicado em maio, também sinaliza para uma baixa eficácia da CoronaVac em idosos.

Os dados mostraram que a taxa de proteção da vacina cai conforme a idade e varia de 61,8% na faixa etária dos 70 aos 74 anos a 28% acima dos 80 anos.

No grupo entre 75 e 79 anos, o índice encontrado foi de 48,9%. Na maioria dos casos, portanto, o indicador foi superior ou muito similar à eficácia verificada nos estudos clínicos do produto no Brasil (50,7%). A maior preocupação envolve o grupo de idosos maiores de 80 anos.

O Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de Oxford, vai começar um estudo com cerca de 1.200 pessoas que receberam a CoronaVac há seis meses ou mais.

O objetivo é analisar os níveis de anticorpos e a resposta imunológica com uma terceira dose de uma das quatro vacinas disponíveis hoje no país: CoronaVac, Pfizer, AstraZeneca ou Janssen.

Os resultados devem ser conhecidos até o fim do ano e vão balizar uma eventual revacinação de pessoas que tomaram a vacina do laboratório chinês Sinovac, que é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.

A equipe de Leonardo Bastos continua analisando os dados de internações e óbitos por faixa etária. Nas próximas duas ou três semanas, os pesquisadores saberão se há uma alta sustentada da curva observada recentemente.

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