Inglaterra x Gales: por que seleções do Reino Unido jogam separadas apenas no futebol

Nesta terça-feira, às 16h, Inglaterra e País de Gales fazem um dos clássicos mais antigos do futebol mundial, datado de 1879 — mas que acontece pela primeira vez numa Copa do Mundo. Sorteadas juntas no grupo B, as nações que fazem parte do Reino Unido vivem momentos diferentes: enquanto a Inglaterra tem a classificação encaminhada, com 4 pontos, Gales precisa desesperadamente da vitória para ter uma mínima chance de classificação no Catar.

Comandadas por Gareth Bale (Gales) e Harry Kane (Inglaterra), as equipes competem separadamente ao longo da história, bem como as duas demais nações da região, Escócia e Irlanda do Norte. Uma exceção para o futebol que não é aplicada em outros esportes: nas demais modalidades das Olimpíadas, atletas competem pela Grã-Bretanha.

As quatro nações do Reino Unido jogam entre si no futebol desde o século XIX. Foram elas que fundaram o que seriam as competições internacionais entre seleções — a primeira partida reconhecidamente oficial entre equipes nacionais foi um empate em 0 a 0 entre Escócia e Inglaterra, em 1872. Pelo pioneirismo, as quatro formam a International Football Association Board (IFAB) junto à FIFA, numa quinta cadeira. O órgão internacional é quem comanda e organiza as regras do futebol ao redor do mundo.

Por essa tradição, é praticamente inviável a competição unificada entre as quatro. Isso não quer dizer que um time de futebol da Grã-Bretanha nunca tenha existido. Combinados e representações amadoras e semiamadoras competiram no início dos Jogos Olímpicos, quando havia a distinção entre times amadores e profissionais — o que durou até 1974 —, além de em ocasiões comemorativas. Nos Jogos, foram três ouros: 1900, 1908 e 1912.

No século XXI, um time masculino de fato só foi formado para os Jogos de Londres-2012, quando os britânicos ganharam a vaga como anfitriões no torneio. Na época, as discussões sobre o assunto foram polêmicas: as associações de futebol de Gales e da Escócia chegaram a faltar deliberadamente a reuniões. Além de questões políticas, de identidade nacional (que seguem mais presentes do que nunca atualmente), as nações temiam que a Fifa revogasse seus direitos como associações de futebol independentes.

Foi preciso que Sepp Blatter, então presidente da FIFA, entrasse na questão para ajudar apaziguar os ânimos.

— As associações não perderão seus direitos e privilégios regulamentados em 1947. A Grã-Bretanha joga com um time, mas cabe a eles decidir como farão isso. Pode ser um time misto, só de uma das nações, o que quiserem — disse, na época.

No fim, a ideia (com a garantia de independência) precisou passar pelo comitê executivo da própria FIFA para só então ser aceita parcialmente, com certa relutância. A equipe teve nomes apenas da Inglaterra do País de Gales, que se enfrentam nesta terça. Atletas como Ryan Giggs e Aaron Ramsey (que disputa a Copa do Catar por Gales) representaram os galeses, enquanto Daniel Sturridge, Micah Richards e Tom Cleverley foram alguns dos principais nomes ingleses. O time foi até as quartas de final, eliminado pela Coreia do Sul.

A ideia também foi adotada para o time feminino naquele mesmo ano. Em 2021, nos Jogos de Tóquio, foi repetida: foi o que fez atletas consagradas como a lateral inglesa Lucy Bronze e a meia escocesa Kim Little atuarem juntas. Em ambas as oportunidades, pararam nas quartas de final.

Mudanças nas equipes

Nesta terça-feira, a seleção de Gales precisará atuar com o goleiro reserva, já que Henessey foi expulso na derrota por 2 a 0 para o Irã, na segunda rodada. A tendência é que Danny Ward, que entrou contra os iranianos, ganhe a vaga.

Pela Inglaterra, o técnico Gareth Southgate tem a volta do meia-atacante James Maddison após lesão no joelho. Mason Mount deve permanecer no time titular, enquanto Jordan Henderson deve ganhar a vaga do jovem Bellingham.

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