Hospitais privados vão ativar mais de 100 leitos para Covid na rede pública do Rio

A Rede D’Or anunciou que vai ativar mais de 100 novos leitos para o tratamento de pacientes com Covid-19 na rede púbica do Rio. De acordo com Leandro Reis Tavares, vice-presidente da Rede D’Or São Luiz, está em negociação a abertura de 50 leitos de UTI em um hospital federal na Zona Sul do Rio. Além disso, o grupo pretende abrir 90 novos leitos exclusivos para pacientes da rede pública no Hospital São Francisco da Providência de Deus, na Tijuca.

— Quando a pandemia começou e atingiu o Rio gravemente, em abril do ano passado, a gente comunicou uma série se medidas para ajudar o estado. Na época, ativamos alguns leitos em hospitais públicos, e abrimos 400 leitos em hospitais de campanha erguidos com recursos da iniciativa privada, os únicos dois hospitais de campanha que funcionaram no Rio, e que praticamente zeraram a fila de espera por leitos para pacientes graves de Covid no Rio — explica Tavares.

Com o desmonte dos hospitais de campanha, parte dos equipamentos foi usada para implementar novos leitos na rede SUS do Rio. Recentemente, foram abertos 16 leitos de UTI e 14 de terapia semi-intensiva no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em Vila Isabel.

O médico Marcelo Canetti, assessor da direção da unidade, diz que apenas a partir das doações da Rede D’Or foi possível criar leitos exclusivos para Covid. Antes, os leitos existentes para tratamento de pacientes com a doença eram adaptados de UTIs que se destinavam ao tratamento pós-operatório de pacientes de doenças como pneumonia e AVC.

— Antes, as unidades eram transformadas para atender aos casos Covid. Agora, nós criamos leitos Covid com esta doação. Aumentou nossa capacidade de atendimento Covid sem prejudicar outras casos como infartos, AVCs, cirurgias oncológicas, cardiovasculares e etc — diz Canetti

Ainda de acordo com o o vice-presidente da Rede D’Or, em breve o grupo irá assumir a administração de 50 leitos da rede federal, além de oferecer mais 50 leitos ao poder público do Rio, em bom funcionamento, para atender os pacientes de Covid-19.

— No pico da pandemia, ano passado, nós adaptamos varias UTIs que se destinavam ao pós-operatório de pacientes com diversas doenças, entre elas pneumonia, e AVC, para o atendimento de Covid-19. Na época, estávamos operando com um número de casos elevado para CTI Covid, mas usando os equipamentos das unidades já existentes que atendiam a outros pacientes e que foram revertidas para pacientes com o coronavírus. Como a reativação dos serviços como cardiologia, câncer e outros de alta complexidade, essas unidades deixaram de atender aos pacientes de Covid-19. Com a doação da Rede D’Or abrimos novos leitos. Ao todo foram 30, sendo 16 completos de UTI e 14 de semi-intensivo. O que foi possível sem que fosse desativado nenhum leito de terapia intensiva de outra especialidade — explicou.

Segundo Tavares, ao todo foram investidos R$ 320 milhões no Brasil todo em ações de apoio a rede de saúde pública, sendo R$ 220 milhões do caixa da Rede D’Or e R$ 100 milhões de empresas parceiras.

— É fundamental que o setor se mobilize, que a sociedade se mobilize, para dar apoio ao poder público nessa abertura de leitos. Existem muitos leitos fechados no setor público do Rio e é preciso fazer um esforço para ativar leitos definitivos dentro de hospitais públicos — finalizou Tavares.

A taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com a Covid-19 nos hospitais particulares do Estado do Rio de Janeiro está em quase 95%, segundo a Associação de Hospitais do Rio de Janeiro (AHERJ). Na rede pública de saúde, na última segunda, a taxa de ocupação dos hospitais públicos estava em 87,5%. Só na capital do Rio o número chega a 92% dos leitos de UTI ocupados. A fila de espera de pacientes com a Covid-19 aguardando por um leito de UTI no estado do Rio conta com 694 pessoas, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Durante toda a pandemia da Covid, o estado já contabilizou 641 mil infectados pelo vírus e um total de 36.149 mortos.

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