Homem identificado com variante Delta do coronavírus em São João de Meriti não viajou

Profissional prepara dose de vacina para ser aplicada em público de posto de saúde

Um homem de 30 anos identificado com a variante Delta do novo coronavírus em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, não viajou nem teve contato com pessoas que tenham saído do Brasil recentemente, é o que afirma a Secretaria municipal de Saúde do município. Ele também não havia tomado nenhuma dose das vacinas contra a Covid-19.

De acordo com a prefeitura, no dia 4 de julho o caso foi identificado através da pesquisa genômica aleatória realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels – LACEN RJ. O homem está bem de saúde e não transmite mais o vírus, segundo a secretaria de Saúde. A coleta ocorreu no dia 16 de junho.

Na segunda-feira, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) afirmou que foram identificados dois casos da variante no Rio de Janeiro, uma em São João de Meriti e outra em Seropédica. Em maio, um morador de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, testou positivo para Covid-19 assim que voltou de viagem a trabalho para a Índia. O sequenciamento do vírus confirmou que o paciente havia sido contaminado pela variante Delta.

Na manhã desta terça-feira, o secretário de Saúde do estado, Alexandre Chieppe, disse que, por se tratar de casos descobertos apenas na segunda-feira, ao longo desta semana será realizado o processo de investigação sobre possíveis novas infecções a partir desses dois pacientes com a variante de origem indiana.

— O que se faz agora é identificar possíveis casos associados a essas duas confirmações e se houver amostra disponível nós vamos promover o sequenciamento também para poder ver se existem outros casos secundários relacionados a esses dois casos — explicou Chieppe.

No caso de Seropédica, também na Baixada Fluminense, a paciente é uma mulher de 22 anos, de acordo com a SES. Por meio de uma publicação nas redes sociais, a Secretaria municipal de Saúde afirmou, na noite desta segunda-feira, que “o caso já foi investigado e está sendo monitorado pela Vigilância Epidemiológica Municipal”, acrescentando que a paciente em questão “encontra-se em domicílio e recuperada da doença”.

Os dois casos foram identificadas a partir do estudo Corona-Ômica-RJ, parte de uma parceria entre a SES, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), o Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, o Laboratório Central Noel Nutels, a Fiocruz e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Nele são sequenciadas cerca de 800 amostras de todo o estado por mês, uma das maiores testagens do país, segundo Chieppe. Os casos recentes se destacaram devido à alta carga viral das amostras testadas positivas. O sequenciamento do vírus não é um exame de rotina nem de diagnóstico, sendo feito para vigilância genômica.

Nesta segunda-feira, a Prefeitura de São Paulo confirmou o primeiro caso do gênero na capital paulista. O paciente é um homem de 45 anos, que está em monitoramento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro onde mora. Outras três pessoas da família estão sendo monitoradas, mas ainda não houve confirmação de infecção.

— A gente sabe que a variante Delta é uma variante agressiva. Ela é uma variante que a gente classifica como uma variante de preocupação, a OMS classifica ela dessa forma. É uma variante que vem predominando diversos países da Europa. É diferente aqui do estado do Rio de Janeiro, que predomina a P1 — disse Chieppe.

O secretário estadual de Saúde ainda destacou a importância da vacinação para ajudar a conter o surgimento de novas variantes da Covid-19 e a propagação do vírus. Medidas de proteção individual, como uso de máscara e higienização correta das mãos, também devem ser mantidas.

— Novas variantes vão surgir na medida que o vírus circula na população. As medidas de proteção individual, as medidas de proteção coletiva e principalmente com a vacinação, a tendência é que isso comece a diminuir, tanto o número de casos como o surgimento de novas variantes do vírus — afirmou.

Primeiro caso da variante Delta no país

Em maio deste ano, o primeiro caso identificado em solo brasileiro com a nova variante Delta foi um homem, de 32 anos, morador de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense do Rio. Dias antes do diagnóstico ser confirmado, ele desembarcou no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, vindo da Índia, embarcou para o Rio sem esperar pelo resultado do exame. Ele ainda ficou hospedado num hotel na capital, viajou de carro até seu município e voltou para o Rio.

Na época, entre as preocupações das autoridades estava a propagação da nova cepa após tantos deslocamentos. Pouco mais de um mês depois do diagnóstico, o paciente se recuperou e não foram identificadas infecções secundárias.

— Ele ficou bem. É importante deixar claro que o dele foi um caso importado — destacou Alexandre Chieppe. — Todos os contactantes daquele caso do paciente que veio da Índia testaram negativo. A gente não teve nenhum caso secundário daquele caso inicial.

Em nota, a SES diz que o homem ficou em isolamento até o dia 4 de junho. “Ele cumpriu 14 dias de quarentena e estava assintomático desde o dia 31 de maio”, segundo a pasta.

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