Hidrelétricas culpam covid-19 por baixa geração de energia na Amazônia

Duas das maiores hidrelétricas do Brasil atribuíram às restrições impostas pela covid-19 em 2021 o baixo volume de energia entregue no ano passado, na Amazônia. O argumento foi levado aos órgãos de fiscalização do setor elétrico pelas usinas de Jirau e Santo Antônio, quarta e quinta maiores hidrelétricas do país, em potencial de geração, respectivamente.

Pelas regras do setor elétrico, toda hidrelétrica deve garantir um determinado volume de geração previamente determinado, além de respeitar um cronograma específico de manutenção de suas turbinas e demais equipamentos.

O isolamento social e as dificuldades de contratação de serviços e suprimentos ocasionadas pela pandemia teriam prejudicado o calendário das empresas que operam no Rio Madeira, em Rondônia.

Há duas semanas, a concessionária Jirau Energia enviou informações à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para afirmar que por falta de mão de obra teve dificuldades até para realizar a limpeza das telas instaladas na frente de suas turbinas. O acúmulo do material travou a passagem de água e reduziu a geração, segundo a empresa.

Entre janeiro e maio de 2021, no “período úmido”, foram realizadas por Jirau apenas 155 intervenções de limpeza nas máquinas, o que representa 40% da quantidade do mesmo período do ano anterior (256).

De acordo com a empresa, o resultado é que a falta de manutenção provocou falhas em equipamentos que teriam levado a um total de 342 horas de indisponibilidades das turbinas em 2021. A companhia reclama, ainda, que registrou 1.274 horas de indisponibilidades de máquinas para fazer a “decantação” do material acumulado em frente aos equipamentos, por causa do tempo necessário para que todo material acumulado fosse removido naturalmente. Agora, pede que essas horas sejam “perdoadas” e que a companhia não seja punida por essa geração frustrada

Por meio de nota, a Jirau Energia declarou que as medidas de prevenção contra covid-19 “causaram um impacto significativo na geração e no consumo de energia no Brasil, assim como a necessidade de isolamento e distanciamento social que impactou consideravelmente as rotinas de trabalho”.

Segundo a empresa, os cronogramas das manutenções e os indicadores de operação “ficaram comprometidos em função das medidas de restrições que foram necessárias para manter a saúde das pessoas e a operação da Usina Jirau”.

O cenário, afirmou a companhia, levou a escalas especiais de trabalho para prosseguir com a operação. “Contudo, os indicadores operacionais foram afetados e com as devidas argumentações a empresa solicitou à Aneel a revisão do indicador de disponibilidade.”

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