Hang e Wizard negociam compra de vacinas com embaixada da China

Os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard – figuras centrais do empresariado bolsonarista – estão à frente de uma iniciativa para viabilizar a compra de vacinas pela iniciativa privada. Um emissário dos empresários se reuniu, nessa quarta-feira (14), com representantes da Embaixada da China com o objetivo de comprar imunizantes fabricados no país. 

O encontro foi articulado pelo Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), presidido pelo advogado Thomas Law, e pelo  Comitê de Crise da Covid-19, ligado à Frente Parlamentar Mista do Comércio Internacional e Investimentos e coordenado pelo deputado.

Também participou da reunião um representante da Belcher Farmacêutica, indústria paranaense que integra a iniciativa de Hang e Wizard e já obteve do Ministério da Saúde autorização para negociar a compra de 8 milhões de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac – o mesmo imunizante produzido em parceria com o Instituto Butantan. A farmacêutica tem interesses comerciais em representar fabricantes chineses no Brasil.

Lobby pela mudança na lei

O grupo de empresários tem feito lobby abertamente pela flexibilização das regras de compra de vacinas por empresas. Pela lei vigente, até que todos os grupos prioritários sejam vacinados, 100% das doses compradas por particulares devem ser doadas ao SUS. Após a vacina dos grupos prioritários, a obrigação de doação cai para 50%. 

A expectativa do grupo de empresários é adquirir um primeiro lote de 8 milhões de doses e doá-lo integralmente ao SUS. Depois dessa primeira compra, que teria o objetivo de mostrar que a atuação privada não concorre com o Plano Nacional de Imunização, a ideia é doar 50%,  e destinar a outra metade de acordo com seus interesses.

Para isso, entretanto, o sucesso das negociações de compra deve caminhar sintonizado com os movimentos de pressão no Planalto e no Congresso.

Não só a Coronavac

Para evitar a concorrência com o Instituto Butantan, o grupo conversou com Qu Yuhui, ministro conselheiro da Embaixada da China, sobre a possibilidade de compra de imunizantes de outros fabricantes chineses, como Sinopharm e Cansino.

Segundo relato divulgado pelo deputado Evair de Melo – que é vice-líder do governo na Câmara -, a posição do governo chinês é tratar o coronavírus como “inimigo número um” do planeta. Na reunião, de acordo com o parlamentar, o diplomata garantiu que a embaixada chinesa no Brasil está em contato constante com os laboratórios que produzem cinco tipos diferentes de imunizantes contra o coronavírus. Ele lembrou que existem tratativas com o Ministério da Saúde para que outras vacinas sejam aprovadas para distribuição e isso pode aumentar o fluxo de fornecimento. 

Mudança no discurso 

Vice-líder de um governo que protagonizou diversos embates com a China – especialmente na questão das vacinas -, Evair de Melo destacou as fortes relações econômicas com os chineses e afirmou que a preocupação de todos é “termos vacina no braço e comida no prato”.

Em um tom dissonante do adotado pelo bolsonarismo desde o começo da pandemia, o deputado ainda agradeceu o governo chinês por ser o “grande parceiro” do Brasil na produção e viabilização de imunizantes e ressaltou que o gigante asiático continua preocupado em produzir o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e vacinas para o mundo todo, embora não tenha completado a vacinação de sua própria população. 

O fato de o grupo buscar os chineses para a compra de vacinas indica uma mudança também no discurso dos empresários. Em outubro de 2020, Hang chegou a postar em seu Instagram a fala de um médico questionando a Coronavac. Ele legendou o vídeo com o seguinte texto: “Coronavac: você tomaria uma vacina que os efeitos colaterais podem ser piores do que a própria doença?”

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