Há 10 anos no Vasco, Ju Pacheco lembra início da trajetória e dia mais feliz da carreira

Mais uma vez sob a liderança de Ju Pacheco, o Vasco volta a campo no próximo domingo para enfrentar o Bahia, pela segunda rodada da Série A2 do Brasileirão Feminino. Há 10 anos no clube, a meio-campista assumiu com naturalidade a função de capitã do time e tem a missão de liderar as vascaínas no “grupo da morte” para dar a volta por cima após derrota na estreia da competição.

– A estreia não foi do jeito que a gente queria, mas vamos trabalhar bastante para o jogo contra o Bahia para tentarmos a vitória. Temos que vencer, porque o grupo é da morte. A gente vem treinando há um bom tempo para essa competição, mas chegaram muitas meninas novas, tivemos que começar do zero de novo. Estamos unidas e vamos fazer de tudo para conquistar o acesso. Quando saiu o grupo ficamos bem assustadas, mas vamos pra cima e correr atrás depois da derrota na estreia – disse Ju Pacheco.

No Grupo B, o Vasco tem como adversários grandes camisas do futebol brasileiro, incluindo dois dos principais rivais cariocas: Botafogo, Fluminense e Bahia. Na estreia, o time virada perdeu de virada por 2 a 1 para as botafoguenses.

– A gente precisa colocar a bola no chão e jogar, coisa que não conseguimos fazer na estreia. Estudar bastante o Bahia e definir a melhor estratégia de jogo – destacou a meio-campista.

Dez anos de Vasco

Aos 22 anos, Ju Pacheco completa nesta temporada 10 anos de Vasco. Passou por todas as categorias inferiores e pulou etapas para chegar ao profissional com a braçadeira de capitã. É tanto tempo em São Januário que perdeu a conta das conquistas pela Cruz de Malta.

– Tenho que pegar as medalhas pra lembrar, são muitos títulos (risos).

Mas a trajetória no clube ainda está fresca na memória de Ju, que, depois de não passar em uma seleção pela pouca idade, foi chamada pelo treinador do sub-15 vascaíno após um amistoso contra o time, quando ainda tinha 12 anos.

Ju Pacheco comemora título pelo time feminino do Vasco — Foto: Divulgação/CRVG

Natural de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a volante precisou contar com o apoio da família para seguir em busca do sonho de se profissionalizar. O esforço valeu a pena, e Ju Pacheco foi a primeira jogadora a assinar contrato profissional com o Vasco. Motivo de orgulho para o avô Euclides, que acompanhou a neta nos primeiros passos da carreira.

– A ajuda da família foi essencial, minha mãe, meu padrasto e meus avós sempre me apoiaram, vão sempre aos jogos. No início, meu avô me levava para os treinos, tinha tido um AVC há pouco e, mesmo com dificuldade de andar, ele me levava, ia mancando, se arrastando, mas ia todo feliz para me ver treinar. Ele tinha cartão de gratuidade, ele pagava nossas passagens. A gente vai pedindo ajuda de um e de outro, mãetrocínio, paitrocínio, e levando (risos). Teve um tempo que pensei em desistir, mas minha mãe não deixou e hoje estou aqui firme e forte – declarou Ju.

Atualmente, Ju mora no alojamento do Vasco em São Januário e vai para a casa da família nos finais de semana, quando não tem jogo. Os treinos do time feminino acontecem no estádio, na Vila Olímpica de Caxias e às vezes no Artsul.

Os 10 anos de clube deram maturidade para que Ju Pacheco assumisse maior responsabilidade. Em 2022, a menina passa a ser referência para as novatas, já que o elenco foi todo reformulado, e tem a tarefa de ensinar ao grupo o que é ser Vasco.

– Como estou há muito tempo no clube, a liderança foi acontecendo de forma natural, aos poucos, então não sinto tanto o peso. Mesmo antes de ser campeã, eu já ajudava, e ter a braçadeira é uma honra. Procuro ajudar, orientar e dar esporro quando necessário (risos) – contou.

– Nosso diretor brincou para eu levar as meninas, temos uma jogadora paraguaia também, para um jogo do Vasco e mostrar o que é o clube. Quando estamos em um jogo em São Januário é surreal, coisa de louco, a torcida já está conhecendo a gente também. Responsabilidade grande, mas é o nosso sonho, temos que fazer valer a pena – acrescentou a volante.

O melhor dia da vida

Com tantos títulos na base, as histórias de Ju Pacheco no Vasco são muitas, mas um dia em especial ela guarda com carinho na memória. Dois anos após se juntar ao clube, a meio-campista chegou à seleção brasileira sub-15, o que desencadeou uma série de convocações posteriores.

– Em 2014 eu fiz um amistoso contra a seleção brasileira e fui convocada para a Seleção sub-15. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Na verdade era o time sub-20 que iria, acabou tendo um problema e indo o sub-17. A treinadora da Seleção me viu e me chamou. Eu já fui para a Seleção sub-15 e sub-17, foram oito ou nove convocações. A gente toma um susto com a estrutura, totalmente diferente. Treino em dois períodos, um sonho realizado. Eu espero um dia ir para a Seleção principal, disputar uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo – afirmou Ju.

Ju Pacheco, do Vasco, coleciona convocações para as seleções de base — Foto: Talita Menezes

Entre os sonhos de ir para a Seleção e ser campeã no Vasco, Ju Pacheco também ambiciona um cenário melhor para o futebol feminino no Brasil.

– A gente espera daqui uns tempos viver só do futebol feminino. Muitas meninas que jogam ainda dependem de outra fonte de renda para seguir no futebol. Que continuem nos valorizando para que possamos viver disso – concluiu a jogadora do Vasco.

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