Governo exonera diretor do Ministério da Saúde que deu aval para reverendo negociar compra da AstraZeneca

Ex-diretor da Saúde Lauricio Monteiro Cruz e reverendo Amilton Gomes de Paula — Foto: Reprodução
Ex-diretor da Saúde Lauricio Monteiro Cruz e reverendo Amilton Gomes de Paula — Foto: Reprodução

O governo federal exonerou o diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz. Ele havia dado aval para que um reverendo e a entidade presidida por ele negociassem 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca em nome do governo brasileiro com a empresa americana Davati Medical Supply.

A exoneração foi publicada no “Diário Oficial da União” (DOU) desta quinta-feira (8) e é assinada pelo ministro chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos.

Trecho do 'Diário Oficial da União' com exoneração de Lauricio Monteiro Cruz — Foto: Reprodução/ Diário Oficial da União

Trecho do ‘Diário Oficial da União’ com exoneração de Lauricio Monteiro Cruz — Foto: Reprodução/ Diário Oficial da União

E-mails obtidos pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostram parte das negociações. Em um deles, que data de 23 de fevereiro, Cruz agradece ao reverendo pela disponibilidade da Senah na apresentação da proposta de 400 milhões de doses da AstraZeneca e diz que “todos os processos de aquisição de vacinas no âmbito do Ministério da Saúde estão sendo direcionados pela Secretaria Executiva”.

A Senah é a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários, fundada por Amilton Gomes de Paula. A sede fica em Brasília.

Dias depois, o reverendo chegou a postar fotos de uma reunião no ministério na qual Cruz aparece. Na postagem, o reverendo escreveu: “Senah faz reunião no ministério para articulação mundial em busca de vacinas e para a consecução de uma grande quantidade dos imunizantes a ser disponibilizada no Brasil”.

Em outra mensagem do dia 9 de março, Cruz diz a Herman Cardenas, presidente da Davati nos Estados Unidos, que a Senah tem o aval do Ministério da Saúde para negociar a compra de vacinas com a Davati.

O valor negociado pelo reverendo era de US$ 17,50 por dose, três vezes mais do que o Ministério da Saúde pagou em janeiro a um laboratório indiano.

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