Gari baleado nas costas enquanto ia para o trabalho será enterrado nesta terça-feira

Deve ser enterrado nesta terça-feira o gari Marcelo de Almeida da Silva, de 38 anos, atingido com um tiro nas costas pouco depois de sair de casa, na Vila Cruzeiro, na Penha, para ir ao trabalho. De acordo com sua família, ele sonhava em se mudar da comunidade da Zona Norte do Rio para fugir da rotina de violência. Parentes acusam a PM de ser a responsável pela morte do funcionário da Comlurb, que estava na empresa desde 2010.

No domingo, Marcelo esperou o fim de um confronto entre policiais militares e traficantes para sair de casa. Estava com uma mochila nas costas e usava um boné. Sua família disse que ele foi deixado no Hospital Getúlio Vargas, também na Penha, por uma equipe da PM, que alegou tê-lo encontrado caído no chão, ferido e sofrendo uma convulsão. Parentes do trabalhador denunciaram que o cartão de crédito e o dinheiro que levava na mochila desapareceram.

— Meu irmão foi alvejado com um tiro nas costas só porque é negro e estava de boné! Não lhe perguntaram para onde ia nem o que estava fazendo ali — afirmou, revoltado, Arnaldo Almeida da Silva. — Era trabalhador e deu entrada no hospital como indigente, sem qualquer documento. Tinha emprego desde os 14 anos. Nossa família está indignada.

Marcelo Almeida da Silva Júnior, de 20 anos, um dos dois filhos do gari, contou ter ouvido três disparos logo após o pai sair de casa. Imediatamente, ligou para ele, que não atendeu. Pouco depois, recebeu uma ligação, feita pelo celular do trabalhador. Um funcionário do Getúlio Vargas informou que o dono do aparelho estava morto.

— Meu pai esperou o tiroteio acabar para ir trabalhar. Quando liguei e não atendeu, achei estranho, mas foi difícil acreditar quando me falaram que ele estava morto — disse o rapaz, emocionado.

O funcionário da Comlurb, que também deixa um filho de 9 anos, deverá ser enterrado hoje. No Instituto Médico-Legal, Arnaldo e Marcelo fizeram questão de exibir o uniforme do gari e a camisa que ele usava, com um furo de bala. Para os parentes, o tiro que o matou partiu de um policial.

— Não havia mais confronto quando ele foi baleado. Tanto que meu irmão esperou o tiroteio acabar para sair de casa — argumentou Arnaldo.

Em uma nota, a Polícia Militar informou que, no domingo, uma equipe da 7ª UPP, da Vila Cruzeiro, foi atacada por traficantes quando se dirigia para a base, o que deu início a um confronto. Ainda segundo a corporação, “a guarnição avistou um homem caído no chão, ferido e em convulsão”. “Os policiais o socorreram”, destacou a PM, acrescentando que denúncias sobre eventuais irregularidades devem ser encaminhadas à sua corregedoria.

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