Formação ajuda Carli a voltar ao Botafogo, e comentaristas analisam impacto do argentino

Nas últimas duas partidas Luís Castro mudou o jeito do Botafogo de jogar. Com três zagueiros escalados na formação inicial, o técnico português promoveu a volta de Joel Carli, que até o jogo contra o São Paulo só havia participado da partida de volta da terceira fase da Copa do Brasil, contra o Ceilândia. Agora, titular duas vezes seguidas, o argentino frequenta novamente a lista dos 11 iniciais alvinegro.

Nos dois jogos que teve em campo, Carli só pôde mostrar a importância para a nova formação tática do time no duelo com o São Paulo. Isso porque Philipe Sampaio foi expulso logo no início do jogo com o Internacional e mal deu para ver como seria a participação do argentino novamente com três zagueiros.

Ainda assim, foi possível perceber a mudança de comportamento que Luís Castro apresentou para o time. A ideia de jogar com a linha de defesa mais perto do próprio gol facilita para o capitão, que não tem na velocidade seu ponto forte. O bom posicionamento de Carli na defesa é essencial para evitar gols em cruzamentos, já que tem boa leitura e se antecipa muito bem. É mais ou menos o que pensa o comentarista Carlos Eduardo Mansur.

Para ele, a escolha pelo argentino também parece ter a ver com o momento turbulento que o time vivia, com quatro derrotas seguidas e cinco jogos em sequência sem vencer. Segundo Mansur, a experiência, liderança e o que Carli representa para o time também tiveram impacto, mas não só a questão extracampo é levada em consideração.

– Acho que junta essas duas coisas: o momento que vinha sendo de pressão e a mudança não só de sistema tático, com três zagueiros centrais, mas fundamentalmente na mudança da forma de o time jogar, defendendo mais atrás, obrigando menos o defensor a correr para trás e cobrir um espaço de campo muito grande. Isso não acontece tanto nesse modelo. Antes o time tentava construir, avançar e jogar com as linhas um pouco mais avançadas. Aí é mais difícil, como é difícil para o Cuesta também, que não é veloz, quando ele precisa correr para trás.

Em entrevista coletiva depois do jogo contra o São Paulo, Luís Castro explicou um pouco sobre a escalação do zagueiro como titular. Para o técnico, não era possível atribuir a vitória a um jogador apenas, apesar do destaque do argentino. Mas ressaltou a necessidade de seus comandados estarem na ponta dos cascos em quatro dimensões de rendimento: tática, técnica, física e psicológica.

– Posso ter um jogador muito bom técnica e taticamente, mas que não está no seu melhor em termos psicológicos. É um jogador que não poderá dar o melhor. Entre as quatro dimensões, o rendimento do Carli tem o mais alto nível neste momento e por isso ele foi pra dentro de campo e junto com mais 10. Atribuir a vitória ao Carli, Kayque, Gatito ou Erison é uma falta de respeito por um time que deu tudo dele e deu muito. Carli foi mais um dos elementos que lutou para a vitória do Botafogo hoje. Parabéns ao Carli, como também a todos os outros.

Assim como no início da passagem de Enderson Moreira, Carli não parecia muito ser uma opção para estar entre os titulares. Ainda pode ser precipitado, mas dadas as boas exibições nos últimos jogos, parece que se Castro mantiver a ideia de três zagueiros para dar solidez defensiva pode ser o caminho para continuar com o argentino no time titular.

Mas não só de bom posicionamento e liderança vive Joel Carli. Para PC Vasconcellos, o capitão também tem qualidade com a bola nos pés e sabe sair jogando se necessário. A característica típica dos zagueiros argentinos, segundo o comentarista, também ajuda na hora de construir a chegada ao ataque alvinegro.

– É um zagueiro que, para essa montagem de equipe, funciona muito bem. Porque é incrível o tempo de bola. Você observa que dificilmente ele perde uma bola pelo alto. Ele tem uma boa leitura na antecipação. Não tem velocidade, mas se transforma num ser soberano dentro da grande área exatamente pelo conhecimento que tem sobre as trajetórias que a bola vai fazer e sobre as movimentações dos adversários. Além de qualificar a saída de bola com os passes de média distância.

– Quanto ao aspecto da liderança, esse já há muito tempo se afirma. Por ser um jogador de personalidade, e que a arbitragem ouve, no mínimo, pode até advertir com o cartão amarelo, mas ouve, e por se impor em relação aos adversários, Joel Carli também tem sua importância nesse aspecto. O elenco do Botafogo tem muitos jogadores que não disputaram Série A ainda e com outros que estão pela primeira vez no futebol brasileiro.

Com as voltas de Kanu e Cuesta (suspensos contra o Inter) e a expulsão de Philipe Sampaio, Luís Castro pode repetir a zaga que venceu e passou ilesa diante do São Paulo. O Botafogo volta a campo no próximo domingo, quando recebe o Fluminense, às 16h (de Brasília), no Nilton Santos, pela 14ª rodada do Brasileirão. O Bota é o sétimo colocado, enquanto o Flu está em sexto. Ambos têm os mesmos 18 pontos, mas estão separados por uma diferença de três gols de saldo.

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