Fluminense ainda precisa aperfeiçoar novo esquema e terá “teste de fogo” contra o Palmeiras

Desde a volta do futebol, o Fluminense vinha de só uma vitória em oito jogos e, no último domingo, novamente não conseguiu ganhar em sua estreia no Campeonato Brasileiro: derrota por 1 a 0 para o Grêmio em sua arena. Coincidência ou não, na maioria dessas partidas o que o time teve em comum foi a implementação de um novo esquema tático. Isso quer dizer que a culpa é da formação? Não necessariamente!

Esse esquema com três volantes já se provou eficiente nas finais da Taça Rio e do Carioca, ao dar muito trabalho ao poderoso Flamengo. E na Arena do Grêmio, ele mais uma vez foi eficaz defensivamente: o time não sofreu pressão e levou gol de um bate-rebate na área. É evidente que Odair Hellmann adotou este estilo de jogo de olho nos confrontos com equipes de maior poder de fogo no Brasileirão. E isso deve se repetir contra o Palmeiras na próxima rodada.

Mas a questão é o rendimento ofensivo dessa formação, que ainda precisa ser aperfeiçoada e carece de ajustes. Para a bola chegar com mais frequência ao ataque, o ideal é que a trinca de volantes saiba sair jogando, como é o caso de Hudson, Dodi e Yago. Na Arena do Grêmio, Yuri substituiu Hudson, que se machucou, com uma característica diferente, muito mais de marcação; e com Yago apagado, o time perdeu o meio de campo, deixando Evanilson e Marcos Paulo isolados na frente.

Volantes, posicionamento de Nenê... Fluminense precisa ajustar formação — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

O volante André, de 19 anos e que estava no banco da Arena do Grêmio, tem visão de jogo e poderia suprir a função de um do trio para manter o equilíbrio do setor. Porém, pesa contra ele a ainda pouca experiência no profissional. Atrás do placar no segundo tempo, Odair fez certo ao sacar um da trinca e mudar o esquema com a entrada de Michel Araújo, o que deixou o Fluminense mais presente no ataque. Mas não foi o suficiente para buscar o empate.

Nenê merece um parágrafo à parte. Jogando aberto pela direita, ele pode até não ser um ponta, como Odair argumenta, e buscar as jogadas em diagonal pelo meio. Mas a questão que se discute é que o meia nessa formação tem função diferente do que fazia antes da pandemia, quando foi uma espécie de falso atacante e era o principal nome do time. Hoje, está mais longe da área e acompanhando lateral para marcar na linha de fundo. Fôlego que poderia ser mais útil lá na frente.

É visível a queda de rendimento que Nenê teve desde a mudança na formação. Na derrota para o Grêmio, ele ainda se precipitou em alguns lances, como em um chute do meio de campo quando tinha Marcos Paulo como opção de passe, e virou alvo de críticas nas redes sociais. Nesse esquema atual, talvez o meia não seja a peça mais indicada para cumprir a função, mas sim Wellington Silva, que tem velocidade e fôlego para defender e ser um jogador mais agudo.

A derrota para o Grêmio foi a 8ª partida das 24 do time em 2020 sem fazer gols. Ou seja, 1 a cada três jogos o Flu passou em branco.

Na próxima rodada, o Fluminense e sua formação terão um “teste de fogo” contra o Palmeiras no Maracanã. Sem jogar no estádio desde as finais do Carioca, o time vai ter novamente o fator casa para tentar aprimorar o esquema e repetir a atuação contra o Flamengo do primeiro jogo da decisão do estadual. Conseguir outra vez um desempenho daquele dará um voto de confiança à parte tática para a sequência do ano. Por outro lado, um fracasso pode fazer pressão por mudanças.

Luccas Claro aproveitou brecha de Matheus Ferraz e Digão e se destacou — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

Se teve alguém que aproveitou a chance na Arena do Grêmio, com certeza foi Luccas Claro. Mesmo sem jogar há muito tempo, o zagueiro se encaixou invertendo o lado na dupla com Nino e foi seguro em praticamente todos os momentos e duelos individuais, além de não ter tido culpa no gol de Diego Souza. Ele vem bem desde o início do ano e não pode ficar no fim da fila entre as opções de Odair para o setor.

Com a derrota, o Fluminense permanece sem pontuar no Campeonato Brasileiro, ocupando a 17ª colocação. Os jogadores voltam ao Rio nesta segunda-feira e se reapresentam à tarde no CT Carlos Castilho para um trabalho regenerativo. O time volta a campo na próxima quarta-feira contra o Palmeiras, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã.

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