Falhas individuais e falta de opções pesam em eliminação vexatória do Fluminense

Uma noite para esquecer. A derrota por 3 a 1 para o Atlético-GO nesta quinta-feira custou caro ao Fluminense, que deu adeus precocemente à Copa do Brasil – antes mesmo das oitavas de final. Com o fraco futebol apresentado, porém, dificilmente a equipe de Odair teria saído do Estádio Olímpico de Goiânia com a classificação, mesmo que tenha começado a partida com vantagem no placar agregado (venceu o jogo de ida, no Maracanã, por 1 a 0).

Vantagem, inclusive, que durou apenas 10 minutos. Logo no início da partida, Muriel falhou feio e soltou bola fácil nos pés de Chico, que só teve o trabalho de empurrar para as redes. Se antes do gol sofrido o Fluminense já não estava bem, depois então só piorou. Lento e sem qualquer poder de criação, o time só assistiu o Atlético jogar.

Atlético-GO x Fluminense - Copa do Brasil 2020 — Foto: Héber Gomes / Atlético-GO

A equipe de Odair não conseguia desamarrar o nó tático criado pelo técnico Vagner Mancini, que merece seus créditos. Atuando de maneira veloz e compacta – defensiva e ofensivamente –, o Dragão chegava com facilidade à área tricolor e se recompunha rapidamente em qualquer tímida aparição do Fluminense no ataque.

Hudson e Dodi quase não davam opção e: ou deixavam os laterais desprotegidos ou forçavam os zagueiros a passes para o lado e chutões. As tentativas eram quase sempre frustradas, já que não havia um homem de referência no ataque. Improvisado como 9, Luiz Henrique não conseguia prender a marcação. Não por sua culpa, mas por jogar em uma posição que não é a sua.

O primeiro tempo do Fluminense foi tão abaixo que a equipe só finalizou duas vezes ao gol, sendo a primeira um chute bloqueado de Calegari, aos 39 minutos. Já a segunda foi a cabeçada de Luccas Claro, o melhor do time mais uma vez, que empatou a partida no último lance antes do intervalo. Imaginar um gol era improvável e dificilmente teria saído se não fosse em um lance de bola parada: Egídio cobrou escanteio, o e zagueiro subiu mais do que a defesa adversária.

Para o segundo tempo, Odair optou por Felippe Cardoso no lugar de Michel Araújo. Desta forma, Luiz Henrique foi deslocado para a ponta. Apesar de pouquíssimo ter feito até aqui, o centroavante era a única opção de 9 no banco, e nem Luiz Henrique, nem Nenê se encontraram na posição.

Luiz Henrique, Atlético-GO x Fluminense — Foto: Marcos Souza/Estadão Conteúdo

O Fluminense até sofreu menos no início da etapa final, mas principalmente pelo Atlético ter perdido um pouco do gás, e tentou “cozinhar” o jogo. Para isso, Odair tirou Luiz Henrique, única opção de velocidade do time, para a entrada de Ganso, aos 15 minutos. Aos 28, trocou Hudson por Yago Felipe; e Wellington Silva por Fernando Pacheco. As duas últimas mudanças pouco alteravam o esquema, mas foram tentativas (frustradas) de renovar os ânimos de uma equipe que seguia apática.

Mesmo que mais lento e com menos facilidade de chegar à área tricolor, o Dragão continuou melhor e, aos 33, chegou ao segundo gol, que levaria a partida para os pênaltis. Em finalização de Janderson, Muriel falhou novamente e espalmou a bola para o meio da área, nos pés de Marlon Freitas, que fez valer a famosa “lei do ex”. O erro técnico do goleiro, aliás, está longe de ser o primeiro. Contra Flamengo e Bragantino, no Campeonato Brasileiro, ele também sofreu gols após espalmadas para frente.

Aos 47, o Atlético-GO ainda chegou ao terceiro gol, com bola nas costas dos laterais – de Calegari e, depois, de Egídio – e foi eliminado novamente de forma precoce e frustrante em 2020. A outra foi na Copa Sul-Americana, quando caiu logo na estreia para o Unión La Calera. O que resta, agora, é o Brasileirão, que, por conta das 38 rodadas, “exige” um elenco com opções, justamente o que falta a Odair.

Sport x Fluminense Odair Hellmann — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Além das falhas de Muriel e do elenco curto, é preciso falar que Odair mexeu mal, deixando o time no segundo tempo ainda mais lento do que na primeira etapa; e do mau momento de alguns jogadores. Há menos de um mês, Dodi e Michel Araújo eram os pilares da equipe. Há alguns jogos, no entanto, caíram consideravelmente de produção. Mesmo assim, continuam sendo dois dos principais nomes do time, o que reforça, inclusive, a falta de peças.

Wellington Silva também não vem bem. O atacante até poderia voltar a ser testado pelo lado direito, onde chegou a fazer jogos melhores, mas desde que retornou ao Flu ainda não mostrou o arranque de outras épocas. Nenê, por sua vez, é ótimo finalizador, não à toa é o artilheiro da temporada, mas, sozinho, não consegue construir as jogadas.

Com lições para tirar da derrota, o Fluminense volta a campo na próxima segunda-feira, às 20h (de Brasília), para encarar o Coritiba, no Maracanã. A partida é válida pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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