Experiência na posição, bola aérea e sequência: por que o Vasco contratou Rômulo

Após nove anos, Rômulo está de volta a São Januário. Aos 30, ele retorna ao clube onde teve mais sucesso e recebeu mais carinho ao longo da carreira. O volante chega para ajudar com experiência em um setor em que Marcelo Cabo contava apenas com jovens. Será a chance de continuar sua história bem-sucedida na Colina, além de recuperar o prestígio perdido ao longo dos últimos anos.

Com outras propostas, Rômulo optou por voltar ao Vasco e se enquadrou na realidade financeira do clube, com contrato até dezembro. O departamento de futebol acredita que ele possa reencontrar o bom futebol que mostrou desde que chegou ao sub-20 vascaíno, em 2010, vindo do Porto de Caruaru (PE), trazido por Rodrigo Caetano.

Rômulo volta ao Vasco após 9 anos — Foto: Vasco.com.br

Por ter histórico no clube e vir de um longo período sem problemas físicos, o Vasco confia que Rômulo possa ajudar na Série B, além de contribuir e dar suporte na formação de jovens jogadores em seu setor.

Sequência na China

Como chega Rômulo a São Januário? Essa é a pergunta mais feita pelos vascaínos desde o anúncio da contratação. Na última temporada, ele disputou o Campeonato Chinês e conseguiu se livrar dos problemas físicos. O volante chegou ao Shijiazhuang Ever Bright em janeiro do ano passado, após rescindir com o Flamengo, foi bastante utilizado e peça importante da equipe chinesa. Foi titular em 17 dos 21 jogos que disputou.

– Rômulo teve uma passagem regular pelo Shijiazhuang Ever Bright. Acabou tendo mais peso na sustentação defensiva de sua equipe, levando em consideração que o Shijiazhuang era dos que menos ficavam com a bola na última edição da Super Liga da China. E por vezes, Rômulo também conseguia acionar os atacantes em velocidade com precisos lançamentos – relata o jornalista Leonardo Hartung, especialista em futebol asiático.

Rômulo pode atuar como primeiro ou segundo volante, mas o fato de vir de uma temporada atuando na proteção da zaga casa bem com o que procurava Marcelo Cabo. Na semana passada, em entrevista ao podcast GE Vasco, o treinador revelou que tinha indicado a contratação de um primeiro volante experiente para o setor que conta apenas com jovens talentos com Bruno Gomes e Andrey.

Com 1,87m e bom nas jogadas pelo alto, Rômulo também pode ajudar na bola aérea, deficiência marcante do Vasco neste início de temporada. A equipe sofreu gols pelo alto nos jogos contra Tombense, Bangu, Fluminense, Macaé, Madureira e Portuguesa.

Momento de brilho no Gre-Nal

Antes de ir à China, Rômulo disputou uma temporada pelo Grêmio, emprestado pelo Flamengo. Em Porto Alegre, Rômulo não conseguiu se firmar, mas teve um momento de brilho ao marcar em um Gre-Nal, na vitória por 2 a 0 sobre o Inter, pelo Brasileiro. Com a camisa tricolor, disputou 30 jogos (20 como titular) em 2019.

Gol em Gre-Nal foi o momento de maior brilho de Rômulo na passagem pelo Grêmio

– O Rômulo chegou em um momento de retomada na carreira, e o Grêmio o contratou para ser um jogador de grupo. Ele não teve muito destaque, mas teve um grande momento, quando fez gol no Gre-Nal. Clássico sempre pesa, e ele fez um bonito gol de fora da área. Mas no geral não brigou pela titularidade e não teve a sequência que ele buscava. Foi uma passagem rápida, como coadjuvante, com protagonismo apenas no Gre-Nal – ressaltou Eduardo Moura, setorista do Grêmio pelo ge.

Passagem apagada pelo Flamengo

O empréstimo ao Grêmio era visto como chance de retomada por Rômulo porque a passagem pelo Flamengo não deixou saudade. No início de 2017, com status de grande reforço, ele desembarcou com festa no Rio de Janeiro. Na Gávea, no entanto, nunca se firmou. Apesar do título carioca em 2017 e de três vice-campeonatos – Copa do Brasil (2017), Sul-Americana (2017) e Brasileiro (2018) -, o volante não teve sequência como titular e ficou atrás de nomes como William Arão, Márcio Araújo, Cuéllar e Jonas. Em dois anos, foram 39 jogos e um gol.

Em 2017, Rômulo foi recebido com festa em aeroporto pela torcida do Flamengo — Foto: Reprodução Twitter Flamengo

Lesões na Rússia

A carreira de Rômulo tem um momento marcante de virada. Em setembro de 2012, ele sofreu a primeira lesão grave no joelho. Fazia apenas um mês que ele havia estreado pelo Spartak Moscou e já era um dos destaques do time, com direito a gol diante do Barcelona em pleno Camp Nou em jogo da Champions.

Oito meses depois da primeira cirurgia, Rômulo voltou a sentir um incômodo no joelho direito e foi novamente operado. Ele retornou aos campos apenas em março de 2014, totalizando um ano e meio sem jogar. A passagem pelo Spartak ainda durou até o fim de 2016, mas nunca teve o mesmo brilho do início.

Melhor fase no Vasco

A transferência ao Spartak em 2012 coroou uma ascensão meteórica de Rômulo no Vasco. No início de 2010, chegou para a base e logo conquistou o Campeonato Carioca sub-20. A primeira chance como profissional veio no mesmo ano, sob o comando de PC Gusmão, na retomada do Brasileirão após a Copa do Mundo. Em 2011, fez parte do último grande time do Vasco e foi titular na campanha do título da Copa do Brasil.

O bom momento o levou à Seleção, pela qual conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e passou a frequentar as convocações de Mano Menezes para o time principal.

Lesões tiraram a chance de Rômulo disputar a Copa de 2014 — Foto: Divulgação / CBF

Em grande fase no Vasco e nome constante na Seleção, Rômulo não demorou a ser negociado. O Spartak pagou 8 milhões de euros (R$ 20 milhões na cotação da época) e garantiu a transferência do volante logo após as Olimpíadas. O Vasco ficou com a metade do valor.

– Rômulo era um meio-campista do padrão que o futebol brasileiro finalmente começou a valorizar nos últimos anos. Tinha boa técnica (nada excepcional, a ponto de no início no Vasco sofrer com vaias ao lado de Allan, hoje no Everton), boa estatura e jogo aéreo e, principalmente, dinamismo para marcar com firmeza e se deslocar para coberturas e receber a primeira bola dos zagueiros. As lesões, infelizmente, tiraram essa velocidade de ações e atrapalharam o que ele tinha de melhor: a combinação de altura e leveza com velocidade, que o fazia ser muito mais do que apenas um antigo cão de guarda – recorda Raphael Zarko, jornalista do ge, que acompanhou de perto o início de Rômulo no Vasco e a passagem pelo Flamengo, entre 2017 e 2018.

Aos 30 anos, Rômulo volta para o lugar onde foi mais feliz. Será a chance de se reconstruir e ajudar a reconstruir o Vasco, clube que lhe abriu as portas no futebol.

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