Ex-vereadora Madalena Leite é encontrada morta em Piracicaba, no interior de São Paulo

Madalena tinha 64 anos e se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história da cidade. Corpo foi encontrado em casa com sinais de violência.

Madalena, ex-vereadora travesti de Piracicaba, é encontrada morta em casa — Foto: Fernanda Zanetti/G1/Arquivo

A ex-vereadora Madalena Leite foi encontrada morta no início da noite desta quarta-feira (7) em Piracicaba (SP). Segundo as informações da Polícia Militar, o corpo foi encontrado na casa dela com sinais de violência. Madalena tinha 64 anos e se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história da cidade.

Segundo a PM, Madalena foi encontrada por volta de meia-noite e meia no imóvel, no bairro Vila Sônia, com marcas de violência no rosto.

Segundo o boletim de ocorrência, um vizinho localizou o corpo no sofá da sala. Ele relatou aos policiais que tinha a chave do imóvel, já que sempre estava por ali, mas ao chegar na casa encontrou o portão da frente somente encostado. Em seguida, ele acionou a polícia.

Ex-vereadora Madalena foi encontrada morta na casa dela, na Vila Sônia em Piracicaba, com marcas de violência — Foto: Felipe Boldrini/EPTV

Ex-vereadora Madalena foi encontrada morta na casa dela, na Vila Sônia em Piracicaba, com marcas de violência — Foto: Felipe Boldrini/EPTV

O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). Ainda não há suspeitos para o crime. O caso foi registrado como homicídio e encaminhado para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba.

1ª vereadora travesti de Piracicaba

Madalena foi eleita vereadora no pleito de 2012, quando recebeu 3.035 votos e teve o segundo melhor desempenho do PSDB nas eleições. À época, ela já somava 25 anos como líder comunitária e era considerada um ícone na cidade, chamando a atenção por andar pelas ruas usando roupas e acessórios femininos.

Madalena trabalhou desde a adolescência como cozinheira e faxineira em casas de família e repartições públicas. Como líder social, foi presidente do centro comunitário do bairro Boa Esperança e foi candidata a vereadora quatro vezes (1988, 2004 e 2008 e 2012), obtendo os votos suficientes para se eleger no último.

Madalena ficou famosa em Piracicaba pela irreverência e pelo visual: negra, com quase 1,80 metro de altura, nasceu em um corpo masculino, mas já usava roupas femininas há mais de 40 anos. Quando questionada sobre ser chamada de travesti, gay, homossexual, ele ou ela, disse que sempre quis ser conhecida por seu trabalho comunitário, e resolveu usar terno na posse de vereadora.

"Quando me olho no espelho eu vejo um homem corajoso", disse Madalena ao experimentar o terno para posse na Câmara em Piracicaba — Foto: Thomaz Fernandes/G1/Arquivo

“Quando me olho no espelho eu vejo um homem corajoso”, disse Madalena ao experimentar o terno para posse na Câmara em Piracicaba — Foto: Thomaz Fernandes/G1/Arquivo

“Para mim tanto faz a maneira como me chamam. Quando eu me olho no espelho, vejo um homem de muita coragem. Vou usar terno e gravata na posse e quando precisar durante as reuniões. Ainda não sei se vou usar meus lenços ou fazer tranças no cabelo, mas vou continuar a ser a mesma Madalena de sempre”, disse à época enquanto escolhia o modelo para a posse.

O nome de batismo dela era Luiz Antônio Leite de Moura, mas ela já passou a ser chamada por Madalena quando tinha 15 anos, já assumido como homossexual. “Eu trabalhava de faxineira com a minha mãe em uma república chamada ‘Canecão’ e os moradores fizeram um concurso para escolher um nome de mulher para mim. Aí ganhou Madalena. Eu gostei e ficou o nome”, contou na época da eleição.

No início de 2016, Madalena pediu afastamento da Câmara por motivos de saúde. Ela informou ao G1, à época, que teve câncer de próstata. O primeiro suplente, Gilmar Tano (PSDB), assumiu o posto interinamente.

Nas eleições seguintes, ainda em 2016, Madalena desistiu da candidatura à reeleição na Câmara de Piracicaba. A decisão foi informada por meio de carta, enviada à presidência do partido tucano. Ao G1, a parlamentar apontou problemas de saúde e agressões racistas e homofóbicas sofridas nas redes sociais durante a gestão no Legislativo como alguns dos motivos para não continuar na carreira política.

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