Estudo da prefeitura conclui que mais da metade dos ônibus do Rio sumiu das ruas

Faça chuva ou faça sol, João Vítor Brum pedala diariamente quase dez quilômetros (ida e volta) pela Estrada da Matriz, da Praça Doutor Capelo Barroso até a estação do BRT Mato Alto, em Guaratiba, na Zona Oeste. A bicicleta foi a solução encontrada para a falta crônica de ônibus que atinge o bairro há mais de um ano. Na estação do Mato Alto, mais um desafio: embarcar em um BRT lotado para ir até o supermercado onde trabalha, na Barra da Tijuca. A escassez de veículos no transporte rodoviário municipal faz da rotina de passageiros de ônibus, como João Vítor, uma maratona diária.

Estudo desenvolvido pela Secretaria municipal de Transportes identificou, pelos equipamentos de GPS dos ônibus BRT, que apenas 199 veículos (48%) estavam em condições de rodar — contra uma frota estabelecida de 413. Durante a pandemia, os passageiros foram minguando, assim como o número de articulados circulando. Os três corredores (Transoeste, Transcarioca e Transolímpica), que chegaram a transportar 330 mil usuários por dia (entre pagantes e gratuidades) hoje é opção de transporte para 170 mil. Ajudaram a esvaziar o sistema BRT não só a pandemia, mas problemas anteriores à Covid-19, como a concorrência com as vans e o transporte por aplicativos e a redução do número de estações. Hoje, o sistema tem 47 que estão inoperantes, seja por vandalismo ou porque não reabriram depois de fechadas preventivamente devido à pandemia.

Nas linhas convencionais, a situação não é melhor. No mesmo estudo, realizado de 4 a 14 de janeiro, em toda a cidade, onde os ônibus comuns são operados por quatro consórcios, foram localizados 3.020 coletivos, ou só 40% do previsto. A escassez de ônibus é mais crítica na Zona Oeste. Levando-se em conta apenas as linhas comuns, a prefeitura encontrou 532 veículos do consórcio Santa Cruz em circulação. A quantidade equivale a só 27,9% da frota determinada. De 492 linhas acompanhadas, apenas 77 (ou 15,65% do total) cumprem o contrato de concessão, que exige ao menos 80% da frota estipulada em circulação. Um terço das linhas (163) simplesmente não rodou no período do levantamento.

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