Estados pedem intervalo menor entre doses das vacinas contra Covid-19

A discussão sobre a redução do intervalo entre a primeira e a segunda dose da vacina contra a Covid-19 ganha força em nível nacional. A Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 da Câmara dos Deputados vai levar o pedido de aceleração ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

A informação foi confirmada à CNN na manhã desta quinta-feira (8) pelo coordenador do colegiado, o parlamentar Doutor Luizinho (PP-RJ). 

Cidades e estados avaliam seguir o exemplo de Recife, que reduziu de 90 para 60 dias o intervalo entre as doses da AstraZeneca. Para Doutor Luizinho, a antecipação é importante para avançar, de forma substancial, na imunidade coletiva no país. Segundo ele, a medida é “viável e necessária”. 

O deputado federal informou que tem conversado com gestores municipais e estaduais de saúde e que há interesse geral em implementar a aceleração.

Para Doutor Luizinho, o ideal é a adoção de um protocolo nacional estipulado pelo Ministério da Saúde, o responsável por dar garantia de fluxo de primeira e segunda dose, impedindo a interrupção da vacinação no Brasil.

A redução de prazo seria possível, segundo o deputado, pela grande reserva de vacinas da AstraZeneca, produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. 

Além de Recife, o estado do Mato Grosso do Sul encurtou o período entre as doses um e dois, de 90 para 60 dias. No caso do estado, a antecipação ocorre tanto em relação à vacina da AstraZeneca quanto da Pfizer.

O estado do Espírito Santo é mais um que demonstrou interesse. Segundo informado por meio da Secretaria de Estado de Saúde, a pasta consultou o Programa Nacional de Imunização (PNI) sobre a aplicação da segunda dose da AstraZeneca de forma antecipada. 

“A equipe do PNI manifestou total acordo. Não existem prejuízos à imunização, pelo contrário, se garante antecipação do benefício do reforço da segunda dose e permite melhor operacionalização da imunização pelos municípios”, justificou a secretaria.

Para Clarisa Palatnik, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ) e uma das principais especialistas em desenvolvimento de vacinas do país, não há problemas na antecipação, desde que haja imunizantes suficientes para que as pessoas que ainda não se vacinaram possam receber a primeira dose.

“Acho que encurtar o intervalo não seria nenhuma descoberta. O intervalo foi artificialmente alongado porque a AstraZeneca não dava conta de fabricar as vacinas em quantidade suficiente. Então o intervalo foi prolongado e acabou funcionando. Mas, inicialmente, o intervalo estipulado era de quatro semanas”, disse à CNN, salientando o aumento da capacidade da Fiocruz em entregar novas doses.

Questionado se estuda adotar um protocolo nacional estipulando a redução do intervalo entre as vacinas um e dois, o Ministério da Saúde informou que “acompanha a evolução das diferentes variantes do SARS-CoV-2 no território nacional” e está “atento” ao debate acerca do pedido dos estados.

A pasta ressaltou que o tema foi debatido na Câmara Técnica Assessora em Imunizações no último 2 de julho, mas o parecer final da reunião votou pela manutenção do intervalo atual entre as doses.

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